O Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que reúne todas as represas que abastecem a Grande São Paulo, ganhou 208 bilhões de litros desde o início de setembro, água equivalente a mais que uma represa Guarapiranga (171 bilhões). O aumento é resultado do volume de chuvas fora do comum que tem atingido a região.No início do mês, as represas que abastecem a Grande São Paulo contavam com 843 bilhões de litros. Nessa quinta-feira (17/9), o volume tinha subido para 1,05 trilhão de litros.Como comparação, a gestão de demanda noturna economizou cerca de 193 bilhões de litros ao longo de um ano. Atualmente, a redução de pressão, que gera críticas principalmente entre moradores, ocorre das 21h às 5h (oito horas por dia).Tanta chuva tem colaborado para que o SIM receba 239 mil litros por segundo. Esse volume é capaz de encher uma piscina olímpica em pouco mais de 10 segundos. Leia também São PauloCantareira: padrão de chuvas “evapora” e entrada de água muda em 15 anos São PauloSão Paulo deve ter tempestades curtas e intensas com avanço do El Niño São PauloCantareira ganha 5 dias de água em 24 horas com chuvas acima da média Setembro já é o mês mais chuvoso no Sistema Cantareira desde dezembro de 2024. Nem mesmo os meses do último verão foram tão chuvosos quanto agora. Até essa quinta, as represas que compõem o maior entre os reservatórios que abastecem a Grande São Paulo já receberam 257,2 mm.Por esse motivo, a vazão natural (quantidade de água que entra no sistema) é quase o triplo da média histórica para setembro. O Cantareira tem recebido cerca de 66 mil litros por segundo, em média, desde o início do mês. Isso contribuiu para que atingisse 39,9% do volume útil.Mudança de faixa?Caso a recuperação do Cantareira se mantenha até o fim do mês, com entrada de água próxima à atual, é bastante provável que o sistema deixe a faixa de alerta (maior que 30% e menor que 40% do volume útil) e volte à faixa de atenção (maior que 40% e menor que 60%).Na prática, isso significa que a Sabesp poderia captar até 31 mil litros por segundo (31 m³/s), ante o atual limite de 27 mil litros.O avanço do El Niño, entretanto, ainda exige atenção. Especialistas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontam que as temperaturas devem se elevar principalmente a partir de janeiro.“Na média, o valor é mais ou menos constante de chuvas, só que tem esse volume a mais agora, então dá a sensação de que [o sistema] vai se recuperar. Até pode recuperar os valores, mas depois tem que ficar em atenção no próximo ano, nos próximos meses. Porque também, além das chuvas, vai ter alta temperatura, e isso contribui para a perda de água dos reservatórios”, disse, nessa terça (15/9), a pesquisadora do Cemaden Adriana Cuartas.