Obama e Kamala Harris pedem ação do governo sobre desenvolvimento de IA

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O ex-presidente dos EUA, Barack Obama, e a ex-vice-presidente Kamala Harris se juntaram, nesta segunda-feira (14), a outros democratas de destaque ao defenderem uma maior atuação do governo em relação à inteligência artificial, num momento em que líderes do setor pedem uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia diante da crescente preocupação pública.“Precisamos que o governo — e especificamente nossos líderes em Washington — adote uma postura proativa na elaboração de propostas concretas, leis e regulamentações que abordem sérias questões de segurança, antecipem o impacto da IA ​​nos empregos e em nossos filhos e garantam que os benefícios da IA ​​sejam amplamente distribuídos”, disse Obama em um comunicado na noite de segunda-feira.“Diante do que sabemos sobre tecnologia, não podemos simplesmente ‘guardar a IA de volta na caixa’. Mas podemos determinar coletivamente como ela é desenvolvida e utilizada, em vez de ficarmos de braços cruzados e deixarmos que a IA e suas consequências simplesmente aconteçam conosco”, acrescentou o democrata. Leia Mais Trump critica proposta do Congresso que pode inviabilizar setor de IA Funcionários de big techs pedem aos EUA para que avanço de IA desacelere Limite da IA: empresas de tecnologia pedem que EUA freiem modelos avançados O debate em torno da inteligência artificial se intensificou nos últimos dias, com alguns políticos e executivos de tecnologia defendendo uma maior regulamentação governamental do setor, enquanto o presidente Donald Trump classificou as preocupações com a IA como uma “FARSA” e parte de uma “conspiração doentia”.Como sinal da relevância política do tema, Obama, ao discursar em um evento privado de arrecadação de fundos ao lado do líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, pediu na semana passada aos democratas — incluindo aqueles que cogitam concorrer à presidência em 2028 — que coloquem a IA no centro de suas agendas.Harris, vista como uma possível candidata para 2028 após não ter conquistado a presidência em 2024, manifestou-se nesta segunda-feira apoiando uma desaceleração para permitir que a regulamentação acompanhe o ritmo da tecnologia.“A fronteira da inteligência artificial está avançando a uma velocidade alarmante. Durante o fim de semana, líderes do setor apoiaram uma ideia que o povo americano e muitos pesquisadores de IA em seus próprios laboratórios vêm defendendo: devemos desacelerar, de forma responsável, o ritmo de desenvolvimento da IA ​​de fronteira”, disse ela em publicação na rede social X.“Uma desaceleração é fundamental para garantir que a IA sirva ao interesse público”, afirmou Harris.A democrata pediu ao Congresso que estabeleça uma agência federal de supervisão e pediu a Trump, seu antigo rival, para trabalhar em prol de um tratado internacional para abordar a questão da IA.“Os Estados Unidos devem continuar a liderar o mundo no desenvolvimento de tecnologia de IA, mesmo enquanto buscamos impor padrões de segurança baseados no bom senso”, disse ela.“Isso significa que o presidente deve cumprir seu papel de proteger os interesses dos EUA buscando um tratado com países como a China para impedir usos perigosos da IA, limitar a velocidade de seu desenvolvimento e adotar padrões globais de testes”, acrescentou.Trump, no entanto, rejeitou veementemente os apelos por uma desaceleração ou maior regulamentação em uma série de postagens nas redes sociais nos últimos dias, minimizando as preocupações com a segurança e enfatizando a necessidade de manter a competitividade em relação à China.“O único controle ou ‘mecanismo de proteção’ de que a IA precisa é um PRESIDENTE FORTE E INTELIGENTE (com QI elevado!), e os EUA têm isso de sobra!”, disse Trump nesta segunda-feira.“Já temos um enorme poder CRIMINAL e REGULATÓRIO sobre essas empresas! Há uma conspiração DOENTIA em curso contra a IA e os data centers, e o único que fica feliz com isso é a China.”A postura de Trump parece divergir das crescentes preocupações públicas sobre o desenvolvimento da IA.No fim de semana, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, escreveu um artigo extenso defendendo uma desaceleração no desenvolvimento da inteligência artificial.Em uma entrevista exclusiva à CNN no sábado (12), Amodei pediu aos líderes do setor que trabalhassem juntos para evitar “caminhos errados” e a possibilidade de a IA prejudicar a humanidade.Tanto Obama quanto Harris reconheceram o imenso potencial da tecnologia, mas ressaltaram a necessidade de dosar o ritmo do desenvolvimento.“Não sou um aceleracionista da IA ​​que acredita que ela levará a alguma tecno-utopia, nem um catastrofista que acha que ela levará inevitavelmente à destruição da humanidade”, disse o ex-presidente.“Mas se essa tecnologia resultará em avanços incríveis na medicina, na energia e na educação, ou se desencadeará enormes perturbações econômicas, maior desigualdade e uma possível catástrofe, isso dependerá das escolhas que fizermos agora — escolhas que devem ser feitas não apenas pelas empresas envolvidas, mas por todos nós”, acrescentou.Pete Buttigieg, ex-secretário de Transportes cujo nome também é cogitado para 2028, também enfatizou a importância dessa tecnologia e, no fim de semana, argumentou que o governo precisa enfrentar a questão da IA ​​“de frente”.“A IA está avançando rapidamente. E o fato de o Congresso ficar de braços cruzados, de a Casa Branca não fazer nada de concreto, é algo profundamente perigoso para o povo americano e para o mundo”, disse Buttigieg à NBC no domingo (13).“É preciso haver salvaguardas. É preciso haver regras. É preciso haver limites. É preciso haver um mecanismo de desligamento de emergência para IAs que saiam de controle. É possível estabelecer estruturas que possam ser ajustadas e alteradas a cada 30 dias”, afirmou.