Essa é a newsletter de Cinema e Streaming do Olhar Digital, disponível para assinantes do Clube Olhar Digital.O Emmy deixou pelo menos uma pergunta por aqui: afinal, o que é O Segredo de Widow’s Bay? A série levou 14 prêmios na edição de 2026, incluindo melhor série de comédia. E eu confesso que ainda não tinha assistido a nenhum episódio. Então fui descobrir.Além do nosso assunto principal, esta edição traz as escolhas do Brasil para o Oscar e o Goya, as principais estreias que chegam aos cinemas nesta semana e, claro, os destaques do que entra nos streamings nos próximos dias. Vamos lá?Descubra o segredo de Widow’s BayEu não tinha assistido O Segredo de Widow’s Bay quando a série apareceu entre os destaques do Emmy. Depois de a produção levar 14 prêmios na edição de 2026, incluindo melhor série de comédia, fiquei curiosa para entender o que havia feito aquele negócio chamar tanta atenção. Assisti ao primeiro episódio para escrever para vocês aqui na newsletter de cinema do Olhar Digital e gostei bastante do que encontrei.Produzida pela Apple TV, a série acompanha Tom Loftis (Matthew Rhys), prefeito de Widow’s Bay, uma pequena cidade numa ilha na costa da Nova Inglaterra. Ele está tentando transformar o lugar num destino turístico e finalmente convencer as pessoas de que vale a pena visitar a cidade. É uma tarefa complicada quando os próprios moradores acreditam que a ilha é amaldiçoada.Tom então convida Arthur Lloyd (Bashir Salahuddin), um repórter de viagens do New York Times, para conhecer Widow’s Bay. A ideia é que Arthur escreva sobre o lugar e ajude a atrair turistas. Só que o jornalista chega justamente quando começam a acontecer coisas que tornam cada vez mais difícil sustentar a imagem de cidade tranquila que o prefeito gostaria de vender.Eu gostei muito dessa dinâmica porque, no começo, parece que a série vai colocar de um lado os moradores supersticiosos e, do outro, o prefeito cético. Só que isso começa a desandar rapidamente. Tom realmente não parece acreditar nas histórias da cidade, mas o próprio episódio trata de colocar esse ceticismo à prova quase imediatamente.O prefeito de Widow’s Bay, Tom Loftis (Matthew Rhys), quer transformar o lugar num destino turístico – Imagem: Divulgação/Apple TVEnquanto ele tenta conduzir Arthur por uma versão mais turística de Widow’s Bay, o repórter começa a ouvir histórias que não combinam exatamente com o roteiro preparado pelo prefeito. E algumas das coisas que acontecem na estreia também tornam bastante difícil tratar tudo apenas como superstição.A ambientação foi uma das coisas que mais gostei. Widow’s Bay é pequena, isolada e tem uma aparência meio parada no tempo, apesar de a história acontecer nos dias atuais. A série transforma essa distância do resto do mundo em parte da experiência, com uma cidade que parece ter suas próprias regras e uma relação muito particular com o passado.Os moradores conhecem as histórias da ilha, acreditam nas lendas e parecem muito mais preocupados com o que pode acontecer do que Tom. Arthur, que chegou de fora, acaba ocupando uma posição parecida com a do espectador: ele precisa ouvir tudo aquilo e decidir o que faz sentido e o que parece completamente absurdo.O primeiro episódio vai soltando pedaços dessa história sem explicar tudo de uma vez. Aparecem acontecimentos antigos, relatos estranhos e detalhes que fazem a gente começar a pensar que talvez aquelas histórias não sejam apenas folclore local. Eu gosto bastante quando uma série faz isso sem despejar toda a mitologia no colo do espectador logo na estreia.E os personagens são engraçados. Não necessariamente porque estão o tempo inteiro fazendo piadas, mas porque existe um humor muito particular na maneira como eles reagem ao que acontece. Os moradores tratam algumas situações absurdas com uma naturalidade quase desconcertante, enquanto Tom está sempre tentando manter algum controle sobre o que está acontecendo.Foi aí que a combinação de terror e comédia começou a funcionar para mim. A série consegue colocar uma situação estranha na tela sem abandonar o humor dos personagens. E as duas coisas não parecem disputar espaço. Em vários momentos, eu estava mais interessada em entender aquela comunidade e, ao mesmo tempo, tentando descobrir se deveria achar alguma coisa assustadora de verdade.Arthur ajuda bastante nessa dinâmica justamente por ser um visitante. Tom o levou até lá para divulgar a cidade, mas o repórter começa a prestar atenção justamente nas coisas que eu tenho a impressão que podem virar uma matéria muito diferente daquela que o prefeito gostaria de ler no jornal.Depois de assistir ao episódio, fui atrás de saber mais sobre como a série chegou até aqui. E achei a história da criação particularmente curiosa. Katie Dippold, criadora, roteirista e showrunner, começou a trabalhar na ideia 18 anos atrás. A primeira versão do piloto foi, inclusive, o texto que ajudou a levá-la a Parks and Recreation, onde trabalhou como roteirista.Quanto mais normal Widow’s Bay parece, mais estranhas ficam as coisas que acontecem ali – Imagem: Divulgação/Apple TVO projeto mudou bastante nesse tempo. Dippold contou ao The Wrap que a primeira versão era muito mais focada em piadas e tinha uma pegada que ela própria considerava próxima de uma paródia. Com o tempo, a ideia foi ficando mais próxima daquilo que ela queria fazer de verdade: uma cidade que parecesse real, com terror levado a sério e comédia surgindo dos próprios personagens, em vez de uma história que tratasse o horror apenas como motivo para fazer graça.Acho que essa escolha ajuda a explicar um pouco da sensação que tive vendo o primeiro episódio. A série não parece estar tentando transformar Widow’s Bay numa caricatura de cidade amaldiçoada. Pelo contrário: quanto mais normal aquele lugar parece, mais estranhas ficam as coisas que acontecem ali.A própria Apple descreve a produção como uma mistura de terror genuíno com comédia centrada nos personagens. A cidade fica a cerca de 64 quilômetros da costa da Nova Inglaterra, tem problemas de conexão e moradores que acreditam que a ilha é amaldiçoada. Tom, por sua vez, quer transformar o lugar num destino turístico — e consegue atrair visitantes justamente quando as antigas histórias começam a se tornar realidade.O primeiro episódio deixa bastante coisa em aberto, e eu gostei disso. Depois de tanta atenção no Emmy, eu poderia ter encontrado uma série que demora muito para chegar ao ponto ou que parece depender demais do mistério para funcionar. Não foi a impressão que tive.Eu assisti só ao primeiro episódio, então ainda não sei como essas peças vão se encaixar ao longo da temporada. Mas gostei da cidade, achei os personagens divertidos e fiquei bastante interessada nesse universo que a série começa a apresentar. Principalmente porque o primeiro episódio já desafia a ideia mais óbvia da história: talvez os moradores de Widow’s Bay não sejam tão supersticiosos quanto parecem.E foi assim que eu entrei em O Segredo de Widow’s Bay: por causa dos 14 Emmys e sem saber muito bem o que esperar. Saí do primeiro episódio querendo descobrir mais sobre aquela ilha — e, principalmente, se Tom vai conseguir continuar acreditando que tudo aquilo é apenas superstição. – A.F.Otras cositas más sobre filmesA Academia Brasileira de Cinema escolheu Feito Pipa, do diretor Allan Deberton, para representar o Brasil na disputa por uma vaga ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2027. O longa conta a história de Gugu, menino apaixonado por futebol que precisa enfrentar a possibilidade de deixar a avó, no sertão do Ceará, para morar com o pai, interpretado por Lázaro Ramos. A produção já venceu prêmios no Festival de Berlim e foi a grande vencedora também em Gramado. Feito Pipa estreia nos cinemas em 5 de novembro. E a cerimônia do Oscar está marcada para 14 de março de 2027.Já o filme Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins, foi o escolhido pela Academia Brasileira de Cinema como representante do Brasil no Goya (premiação mais importante do cinema espanhol) de melhor filme ibero-americano. A decisão repete a estratégia de 2025, quando O Agente Secreto foi ao Oscar e Manas concorreu ao Goya. Mas, infelizmente, ambos os filmes não ganharam prêmios. Vicentina Pede Desculpas ainda pode entrar na disputa do Oscar se vencer a mostra Plataforma do Festival de Toronto, marcada para este domingo (20). Isso porque as novas regras habilitam automaticamente os vencedores de Toronto, Cannes, Veneza, Berlim e Sundance para a maior premiação do cinema americano. O filme chega aos cinemas no dia 5 de novembro e à Netflix no dia 20.Falando em Netflix, o streaming divulgou o título e a data de estreia da nova adaptação de As Crônicas de Nárnia. Baseado no primeiro livro da saga de C. S. Lewis e dirigido por Greta Gerwig (Barbie), Nárnia: O Sobrinho do Mago estreia nos cinemas em 11 de fevereiro de 2027. A empresa também confirmou que o Leão Aslan será dublado por Meryl Streep (O Diabo Veste Prada).Principais estreias no cinemaResident EvilBryan (Austin Abrams) é um simples entregador de remédios a caminho do hospital de Raccoon City numa noite de neve. A viagem parecia rotineira, até ele atropelar uma mulher que teima em não morrer. Então, ele percebe que a cidade foi tomada por criaturas estranhas. Sem superpoderes nem treinamento, o jovem tenta apenas sobreviver a esse pesadelo. Ambientado no universo dos videogames da Capcom, o filme traz uma história inédita com direção de Zach Cregger (A Hora do Mal).AntártidaFalando em neve: na isolada base brasileira na Antártida, cientistas e militares se preparam para enfrentar o inverno. Logo na primeira noite, a pesquisadora Inês (Marina Ruy Barbosa) é violentada por alguém. O local vira um pesadelo e os homens presentes se tornam suspeitos. Cabe agora à médica Marina (Leandra Leal) e à subcomandante Elizabeth (Andrea Beltrão) descobrir quem cometeu o crime.No Limite da JustiçaBaseado numa história real no Mississippi dos anos 1960, o suspense acompanha um agente negro do FBI (Yahya Abdul-Mateen II) na investigação de assassinatos contra líderes dos direitos civis. Sem o apoio da polícia local, abertamente racista, ele recebe um parceiro inusitado: Greg Scarpa (Mark Wahlberg), um matador da Máfia. A dupla passa a usar a violência para encontrar os culpados, misturando busca por justiça com desejo de vingança.Marsha e os UrsosMisturando animação e atores reais, o filme russo acompanha os irmãos Masha e Vini na casa da avó. A confusão começa quando o garoto bebe a água de um poço mágico e é transformado num bode por um feitiço da floresta. Para quebrar a maldição e salvar o irmão, Masha precisa procurar a ajuda de criaturas encantadas, incluindo a famosa família dos três ursos.Também acabou de chegar…A Boneca — nova série de drama e romance acompanha um homem ambicioso e uma jovem aristocrata cujo relacionamento é colocado à prova pelas diferenças de classe, pela obsessão e pelo desejo de liberdade; estreia na Netflix;Neagley — nova série acompanha a integrante dos 110 Investigadores Especiais em uma missão perigosa para desvendar uma ameaça enquanto arrisca a própria vida; estreia no Prime Video;Cidade de Sangue — nova série de fantasia e terror acompanha duas irmãs que se reencontram em uma Berlim dividida entre privilegiados protegidos por uma cúpula e sobreviventes de um mundo devastado, onde vampiros tentam conquistar o poder político; estreia no Disney+;Monstro: A História de Lizzie Borden — quarta temporada da antologia de terror de Ryan Murphy e Ian Brennan reconta a história de Lizzie Borden, mulher acusada de assassinar o pai e a madrasta; estreia na Netflix;Stranger Things: Histórias de 85 — segunda temporada da animação acompanha a turma de Hawkins enquanto investiga aparições fantasmagóricas e uma onda de criaturas estranhas que toma conta da cidade; estreia na Netflix;Conforme a Música — filme de comédia acompanha duas amigas que entram para uma equipe de dança de Bollywood da UCLA e tentam conquistar o campeonato nacional dos Estados Unidos; estreia na Netflix;Você + Eu — Contra o Mundo — filme acompanha uma jovem que esconde da família rica suas ambições cinematográficas enquanto se apaixona por um rapaz rebelde e produz um filme estudantil; estreia no Prime Video.O que chega aos streamings nesta semanaDisney+, HBO Max, Netflix e Prime VideoO que esperar para a próxima semana nos streamings?Outlander: Blood of My Blood — segunda temporada acompanha os dois casais protagonistas em meio à iminência de uma guerra, enquanto eles lutam para permanecer juntos, sobreviver e proteger o futuro das Terras Altas da Escócia; estreia no Disney+ no próximo sábado;Youth — nova série acompanha uma mulher divorciada de 50 anos enquanto ela tenta conciliar a vida amorosa com os cuidados dos pais e do filho adulto; estreia na HBO Max no próximo domingo;A Hipótese do Amor — filme de comédia e romance acompanha dois cientistas que, depois de um beijo inesperado, decidem manter um relacionamento falso e acabam colocando suas teorias sobre o amor à prova; estreia no Prime Video na próxima quarta;Toy Story 5 — novo filme da Pixar coloca Woody, Buzz, Jessie e os demais brinquedos diante de uma nova ameaça à hora da brincadeira com a chegada de um tablet que tem ideias próprias sobre o que é melhor para Bonnie; chega ao Disney+ na próxima quarta;Wonka: O Bilhete Dourado — reality show reúne 12 vencedores do Bilhete Dourado na fábrica de chocolate de Wonka, onde eles enfrentam jogos, testes e tentações em uma disputa pelo prêmio final; estreia na Netflix na próxima quarta;American Horror Story: 13 — 13ª temporada da antologia de terror retorna com novos horrores e personagens conhecidos, estreando com três episódios antes de seguir com lançamentos semanais; estreia no Disney+ na próxima quinta;Um Mundo Diferente — sequência da série acompanha Deborah Wayne, filha de Whitley e Dwayne, durante sua jornada de amadurecimento na Faculdade Hillman ao lado de uma nova geração de estudantes negros; estreia na Netflix na próxima quinta;Unabomber — filme inspirado em uma história real acompanha a transformação de Ted Kaczynski, de prodígio de Harvard a terrorista, enquanto uma agente do FBI lidera a investigação que revela seu passado; estreia na Netflix na próxima sexta.Sugestões e críticas podem ser enviadas para ana.figueiredo@olhardigital.com.br e pedro.spadoni@olhardigital.com.br. Até a próxima sexta! Bom fim de semana!Ana Luiza Figueiredo (A.F.) e Pedro Spadoni (P.S.)Repórteres do Olhar DigitalO post Você já ouviu falar de Widow’s Bay? apareceu primeiro em Olhar Digital.