Um levantamento mostra para onde foram 4,5 milhões de migrantes liberados nos Estados Unidos depois de atravessarem a fronteira com o México entre outubro de 2018 e julho de 2025.Os dados revelam uma mudança profunda no mapa da imigração americana e mostram que brasileiros estão entre os grupos que ganharam presença em algumas das principais cidades do país.Durante décadas, grande parte dos migrantes que chegavam pela fronteira sul vinha do México e da América Central. Nos últimos anos, esse perfil mudou. Pessoas de mais de 150 países passaram a entrar nos Estados Unidos e a seguir para destinos muito além de Nova York, Miami e outras cidades tradicionalmente ligadas à imigração.A Associated Press teve acesso a registros do governo federal com informações como nacionalidade, idade, sexo e o ZIP Code do endereço informado pelos migrantes às autoridades como destino nos Estados Unidos. Depois de eliminar registros duplicados e casos sem informações suficientes, a agência chegou a uma base de 4 milhões 510 mil 850 pessoas.E os brasileiros aparecem com destaque.Em Philadelphia, pelo menos 11 nacionalidades registraram mais de mil novos migrantes. Entre os grupos que lideram essa chegada estão brasileiros, haitianos e dominicanos. Também aparecem russos e venezuelanos.O dado coloca o Brasil entre as principais origens dessa nova população migrante em uma das maiores cidades da Costa Leste americana. No entanto, não foi divulgado no levantamento um número nacional específico de brasileiros dentro dos 4,5 milhões analisados.A Flórida continuou aparecendo como o estado mais procurado no conjunto da imigração estudada, mas os dados mostram que muitos migrantes passaram a buscar outras regiões dos Estados Unidos.Colombianos aparecem com força na região de Denver. Peruanos seguiram em grande número para Paterson, em New Jersey. Venezuelanos se espalharam por regiões de Utah, Atlanta, Chicago, Denver, Dallas e Houston.A mudança também chegou a cidades que até pouco tempo não eram vistas como grandes destinos internacionais. Elkhart, em Indiana, Knoxville, no Tennessee, Dodge City, no Kansas, e Cincinnati, em Ohio, estão entre os exemplos de comunidades que receberam novas populações migrantes.Cincinnati passou a receber pessoas da África Ocidental, da Índia e do Uzbequistão. Em apenas um ano, a patrulha de fronteira americana encontrou migrantes de 174 nacionalidades diferentes.Outro dado importante está no perfil de quem chegou. Quase seis em cada dez migrantes liberados na fronteira eram mulheres ou crianças.É uma mudança em relação a períodos anteriores, quando o fluxo migratório pela fronteira sul era predominantemente formado por homens adultos.O levantamento também faz uma ressalva importante. O endereço registrado na fronteira era informado pelo próprio migrante. Isso significa que algumas pessoas podem não ter chegado ao local informado, podem ter mudado posteriormente para outro estado ou cidade ou até deixado os Estados Unidos.Por isso, os números mostram principalmente o primeiro destino declarado depois da entrada no país, e não necessariamente onde essas pessoas vivem hoje.Mesmo com essa limitação, o levantamento oferece um dos retratos mais detalhados da onda migratória que atravessou a fronteira sul-americana nos últimos anos.E mostra que essa imigração não ficou concentrada apenas na fronteira, em Miami ou em Nova York. Ela avançou pelo interior, chegou a cidades pequenas e médias e ajudou a transformar comunidades em diferentes partes do país.