O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite ainda não foi localizado pela Polícia Civil nesta sexta-feira (18), um dia depois de ser alvo de um mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do PCC em empresas do transporte público.Na manhã desta sexta, os investigadores fizeram uma nova diligência em Sorocaba, na casa de um assessor ligado ao filho de Milton Leite, o deputado estadual Milton Leite Filho. Havia a informação de que o ex-vereador poderia estar no imóvel. Milton Leite, porém, não foi encontrado.Durante as buscas, os policiais localizaram R$ 287 mil em dinheiro vivo e US$ 89 mil em espécie. O dinheiro foi apreendido e deverá ser analisado no decorrer da investigação.A nova diligência ocorre enquanto a polícia tenta localizar os seis alvos que ainda não foram encontrados. Ao todo, 16 mandados de prisão foram expedidos na operação. Dez pessoas foram localizadas, enquanto outras seis são consideradas foragidas — entre elas, Milton Leite.Milton Leite segue foragido após polícia encontrar R$ 287 mil e US$ 89 mil em SorocabaSuspeita de ligação com empresas investigadasMilton Leite é investigado no contexto de um esquema que apura a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo de São Paulo.De acordo com a decisão judicial que autorizou a prisão, o nome do ex-vereador aparece diversas vezes nas investigações. O documento aponta que ele seria o “dono de fato” da Transwolff, empresa que foi investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro para a facção criminosa.A decisão também registra que Milton Leite seria citado como responsável direto pela operação de empresas que, segundo as investigações, estariam sob controle do PCC. Entre os elementos reunidos estão diálogos extraídos de aparelhos celulares, documentos, informações financeiras e depoimentos de policiais militares.Uma das linhas da investigação também aponta para a relação de Milton Leite com integrantes e intermediários do setor de transporte. Segundo documentos mencionados na investigação, o nome do ex-vereador teria surgido em conversas sobre a substituição de uma empresa de ônibus em contratos do sistema municipal.As investigações são um desdobramento de trabalhos anteriores que apuraram a atuação do PCC no transporte público e possíveis relações da organização criminosa com agentes públicos e empresários.Milton Leite nega acusaçõesMilton Leite nega qualquer ligação com o PCC e também rejeita a acusação de ser proprietário da Transwolff. Na quinta-feira, após a deflagração da operação, ele afirmou que não estava foragido e que pretendia se apresentar às autoridades em até 24 horas.Apesar da manifestação do ex-vereador, a Polícia Civil segue tratando Milton Leite como um dos alvos ainda não localizados.A operação também teve como alvos o ex-presidente da SPTrans Levi de Oliveira, o presidente do Água Santa, Paulo Korek, e outros investigados. A ação foi deflagrada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil para investigar suspeitas de atuação do crime organizado no setor de transporte público.Agora, além de tentar localizar Milton Leite, os investigadores deverão apurar a origem e o destino do dinheiro encontrado em Sorocaba.A coluna busca contato novamente com a assessoria de Milton Leite e também do filho dele deputado estadual. Assim que tiver retorno o texto será atualizado.