A Galapagos Capital anunciou nesta sexta-feira (18) uma mudança na estrutura do GBIT11, seu ETF de Bitcoin listado na B3. O fundo passará a replicar o ARK 21Shares Bitcoin ETF (ARKB), negociado nos Estados Unidos, e terá sua taxa total reduzida de 0,45% para 0,39%.Segundo a gestora, a mudança mantém a estratégia de exposição ao Bitcoin e não altera índice, formador de mercado, administrador ou custodiante do GBIT11. A principal diferença será a adoção do ARKB como veículo de investimento no exterior.O ARKB foi lançado nos Estados Unidos em janeiro de 2024 e é estruturado pela 21Shares em colaboração com a ARK Invest. Em 10 de setembro, o fundo tinha cerca de US$ 2,5 bilhões em ativos sob gestão e cobrava taxa de 0,21% ao ano, segundo dados da própria 21Shares.Com a mudança, a Galapagos afirma que o GBIT11 passa a ter a menor taxa total entre os ETFs de Bitcoin com custódia física disponíveis no Brasil, considerando os dados compilados pela gestora.“Com a adoção do ARKB, conseguimos reduzir o custo do GBIT11 sem alterar sua estratégia de exposição ao Bitcoin”, afirmou Bruno Stein, sócio e responsável pela área de ETFs da Galapagos Capital.Lançado em dezembro de 2025, o GBIT11 foi o terceiro ETF da gestora, que hoje conta com 11 fundos negociados em bolsa e mais de 8 mil investidores nesses produtos.ETFs de Bitcoin já têm mercado consolidado no BrasilA mudança ocorre em um mercado brasileiro que adotou ETFs de cripto antes mesmo dos Estados Unidos autorizarem fundos à vista de Bitcoin.A B3 já conta com diferentes produtos dedicados exclusivamente ao BTC, administrados por gestoras tradicionais e especializadas. Entre eles estão o QBTC11, da QR Asset, o BITH11, da Hashdex, o BITI11, do Itaú Asset, e o BITC11, do BTG Pactual, além do GBIT11.O segmento também inclui fundos mais diversificados, como o HASH11, da Hashdex, que acompanha uma cesta de criptoativos. Na média dos últimos seis meses, o HASH11 movimentou cerca de R$ 14,7 milhões por dia, enquanto o BITH11 registrou aproximadamente R$ 9,2 milhões e o QBTC11, R$ 3,4 milhões, segundo dados da B3.O desempenho desses fundos em 2026 reflete a forte correção do Bitcoin neste ano. Até 17 de setembro, o BITI11 acumulava queda de 36,6% no ano e o BITH11 recuava 36,7%. O QBTC11 também acumulava perda próxima de 36% em 12 meses.Mesmo assim, o histórico mais longo mostra ganhos expressivos após o ciclo de valorização anterior. O QBTC11 acumulava retorno próximo de 196% em três anos, enquanto o BITH11 avançava cerca de 194% no mesmo período.A competição por taxas também ganhou importância à medida que mais gestoras passaram a oferecer produtos semelhantes. No caso do GBIT11, a redução para 0,39% aproxima o produto brasileiro da estrutura internacional da 21Shares, embora a taxa final seja superior à cobrança de 0,21% do próprio ARKB nos Estados Unidos.A 21Shares foi criada em 2018 e se especializou em produtos de investimento ligados a ativos digitais. Segundo o release, a gestora administra aproximadamente US$ 7 bilhões e possui mais de 60 produtos cripto negociados em bolsas ao redor do mundo. No fim de 2025, a companhia passou a integrar a FalconX.ETFs de Bitcoin dos EUA acumulam US$ 55 bilhões em entradasNos Estados Unidos, os ETFs à vista de Bitcoin se transformaram em uma das principais portas de entrada de investidores institucionais no mercado desde sua aprovação, em janeiro de 2024.Até 17 de setembro, os fundos americanos acumulavam aproximadamente US$ 54,8 bilhões em entradas líquidas desde o lançamento, segundo dados da Farside Investors.O mercado é amplamente liderado pelo IBIT, da BlackRock, que sozinho acumulava pouco mais de US$ 64 bilhões em entradas líquidas. O FBTC, da Fidelity, aparecia em seguida, com cerca de US$ 10,1 bilhões. O ARKB, que agora será replicado pelo GBIT11, acumulava aproximadamente US$ 1,1 bilhão em entradas líquidas.Esses números líquidos são influenciados pelas fortes retiradas do GBTC, da Grayscale, que já perdeu cerca de US$ 27,8 bilhões desde a conversão do produto em ETF à vista.Os fluxos também têm mostrado maior volatilidade em 2026. Em setembro, por exemplo, os ETFs receberam US$ 730,8 milhões em um único dia, em 3 de setembro, mas registraram saídas de US$ 450,4 milhões no dia 15 e de US$ 295,9 milhões no dia seguinte. Na quinta-feira (17), voltaram ao positivo, com entrada líquida de US$ 159,5 milhões, puxada principalmente por US$ 183,7 milhões no IBIT.O ARKB também passou por oscilações recentes: recebeu US$ 137,7 milhões em 3 de setembro, mas registrou saídas de US$ 78 milhões no dia 9, US$ 164,3 milhões no dia 10 e US$ 84,4 milhões no dia 16.Apesar dessas variações, a entrada acumulada de dezenas de bilhões de dólares desde 2024 ajudou a consolidar os ETFs como uma das principais estruturas reguladas de acesso ao Bitcoin.É justamente essa infraestrutura que a Galapagos passa a utilizar no GBIT11. Além da redução de custos, a parceria com a 21Shares deve ampliar o acesso dos investidores brasileiros ao research produzido pela gestora internacional, inclusive por meio de uma colaboração já existente da empresa com a Levante no Brasil.Quer investir na maior criptomoeda do mundo? No MB, você começa em poucos cliques e de forma totalmente segura e transparente. 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