Campanha de Flávio evita confronto com Bolsa Família e mira debate fiscal

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O anúncio do reajuste de 15,04% do Bolsa Família pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quinta-feira (17/9), a 17 dias do primeiro turno, colocou a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) diante de um tema considerado sensível eleitoralmente: como reagir ao aumento sem abrir espaço para que o candidato seja associado à redução de benefícios sociais.O decreto assinado por Lula eleva o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691. O valor médio pago às famílias passará de R$ 675 para R$ 777. A nova tabela começa a valer nos pagamentos de outubro, a partir do dia 19.Nos bastidores, a orientação da campanha de Flávio é evitar uma reação que permita ao adversário enquadrar o candidato como contrário ao Bolsa Família. A avaliação de aliados é que o debate deve ser deslocado do tamanho do benefício para a forma como os programas sociais serão conduzidos em um eventual governo do senador.O senador criticou nesta quinta-feira (17), a dimensão do reajuste de 15% dado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Bolsa Família. Segundo o senador, trata-se de uma “merreca”, um ato de “desespero” do petista e uma tentativa de compra de votos.“Lula, é esta cartada que você tem? Dar 15% de reajuste no Bolsa Família? Só isso? Essa merreca? Não tem vergonha na cara? Está achando que vai comprar o voto do pobre dando mais R$ 90 para o pobre? Acha que R$ 90 dará vida melhor para pobre? Deixa de ser cara de pau, Lula. Está dando migalha, miséria para quem recebe Bolsa Família”, declarou, durante transmissão semanal em seu canal no YouTube.A aposta é reformular, não cortarA linha defendida por integrantes da campanha é manter os programas de transferência de renda, mas associá-los a políticas capazes de ampliar a autonomia econômica das famílias beneficiárias.A ideia é que o Bolsa Família deixe de ser tratado apenas como uma transferência permanente de renda e passe a ser integrado a iniciativas de qualificação profissional, emprego, educação e geração de oportunidades.Nos argumentos apresentados à campanha, há quem defenda inclusive a possibilidade de um benefício maior do que o anunciado pelo governo Lula, desde que acompanhado de uma revisão de outras despesas públicas. Um dos exemplos citados internamente é um eventual reajuste de 20%, condicionado à redução de desperdícios, despesas consideradas ineficientes e gastos com a máquina pública.O problema é o tamanho da contaO debate ocorre em um cenário de pressão sobre as contas públicas. Em sua consulta mais recente sobre o Brasil, o FMI projeta que a dívida bruta do governo geral chegue a 100% do PIB em 2027, depois de 97,8% em 2026. A projeção considera uma definição de dívida diferente da utilizada pelas autoridades brasileiras.É nesse ponto que a campanha de Flávio pretende concentrar parte do discurso econômico: o questionamento não seria sobre a existência do Bolsa Família, mas sobre como financiar políticas sociais de forma sustentável diante do crescimento das despesas e da dívida.Corrupção entra no radar eleitoralOutro argumento que ganhou espaço nas discussões internas da campanha é a avaliação de que o debate eleitoral deverá incorporar com mais força o tema da corrupção.Aliados de Flávio sustentam que problemas como saúde, educação, segurança e equilíbrio fiscal precisam ser discutidos também sob a ótica da eficiência e da aplicação dos recursos públicos. A campanha pretende associar essa discussão à promessa de combate a desvios, revisão de gastos e redução de despesas consideradas improdutivas.A orientação é outra: reconhecer a importância da assistência social, defender a manutenção do atendimento aos mais pobres e concentrar a crítica na gestão das contas públicas e no desenho de longo prazo dos programas.