USA Rare Earth estuda avançar no refino de terras raras no Brasil

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A USA Rare Earth, empresa americana que comprou a mineradora Serra Verde, não descarta avançar no Brasil para etapas mais sofisticadas do processamento de terras raras, incluindo a separação dos elementos produzidos pela companhia.Em resposta à CNN, a empresa afirmou que desenvolve uma tecnologia para transformar o carbonato misto de terras raras em terras raras separadas, uma das etapas de maior valor agregado da cadeia.“Não descartamos a possibilidade de desenvolver no Brasil capacidades adicionais em etapas posteriores da cadeia produtiva. Apoiamos os esforços para estabelecer um marco viável de políticas para minerais críticos que promova o desenvolvimento dos recursos naturais do Brasil e permita ao país se tornar um dos principais atores no mercado global de minerais críticos”, afirmou um porta-voz da companhia. Leia Mais Governo vai sancionar política dos minerais críticos na quarta-feira (16) Nova lei dos minerais críticos traz desafios, mas abre oportunidades Área técnica da Aneel é contra devolver encargos à Tesla Comercializadora Atualmente, a Serra Verde produz em Minaçu, em Goiás, um carbonato misto de terras raras, produto intermediário dessa cadeia produtiva que reúne diferentes elementos. A etapa seguinte da cadeia é a separação desse material em produtos de terras raras com maior grau de pureza, que podem incluir óxidos individuais ou combinações de elementos, dependendo da rota de processamento e da aplicação final.Esse avanço exige uma planta dedicada de separação. Nos Estados Unidos, a USA Rare Earth já opera uma unidade demonstrativa em Wheat Ridge, no Colorado, onde desenvolve e testa sua tecnologia.A sinalização da USA Rare Earth ocorre justamente em meio à tentativa do governo brasileiro de aumentar o processamento de minerais críticos dentro do país e reduzir a exportação de produtos com menor valor agregado.O projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, aprovado pelo Congresso e enviado à sanção presidencial, dá ao governo instrumentos para estimular a internalização de etapas da cadeia produtiva e amplia sua margem de atuação sobre as exportações do setor.Pelo texto, a regulamentação poderá estabelecer parâmetros, requisitos técnicos ou compromissos de agregação de valor vinculados à exportação de minerais críticos e estratégicos. Também poderá criar critérios de preferência para projetos que mantenham no Brasil etapas relevantes de beneficiamento, transformação e industrialização.Na prática, a definição desses critérios ficou para a regulamentação, que determinará até onde o governo poderá condicionar exportações ao grau de processamento ou a compromissos de agregação de valor no país.Esse é um dos pontos mais sensíveis do novo marco. Integrantes do governo defendem que o Brasil aproveite a atual corrida global por minerais críticos para desenvolver uma cadeia industrial própria, enquanto empresas do setor cobram critérios objetivos e alertam para o risco de medidas que reduzam a competitividade dos projetos brasileiros.Representantes do setor privado argumentam que antes de o governo impor obrigações de industrialização ou restringir exportações, é necessário que exista no país uma base industrial capaz de absorver essa produçãoA avaliação é que o país ainda tem poucos projetos efetivamente em produção e uma carteira majoritariamente formada por empreendimentos em pesquisa, desenvolvimento ou licenciamento. Só depois de ganhar escala no upstream seria possível sustentar, de forma mais ampla, uma indústria doméstica de separação, refino e transformação.Serra VerdeA USA Rare Earth destacou ainda os investimentos realizados da Serra Verde ao longo dos últimos anos. Segundo a companhia, foram mais de R$ 5 bilhões, ou US$ 1,1 bilhão, em investimentos internacionais ao longo de 15 anos.A empresa afirmou que a Serra Verde foi pioneira na indústria brasileira de terras raras e desenvolveu tecnologias próprias para o processamento do minério.“O sucesso da Serra Verde demonstra o que outras empresas podem alcançar no Brasil”, afirmou a USA Rare Earth.A Serra Verde é atualmente a única produtora de terras raras em escala comercial no Brasil.A USA Rare Earth concluiu no início de setembro a aquisição da Serra Verde em uma operação avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões