A guerra no Oriente Médio levou o preço do petróleo a acumular uma alta de 77% no ano, com a cotação do barril superando os 109 dólares. A nova escalada das tensões intensificou a preocupação dos mercados com a oferta global de energia, além dos possíveis efeitos sobre a inflação e os juros em diversas economias.De acordo com Beny Fard, analista macro e sócio da Segundo Minuto, a cotação do barril do Brent vinha se mantendo estável na faixa dos 80 a 90 dólares, especialmente antes de setembro, quando voltaram a ocorrer animosidades entre os Houthis, parte do governo iemenita, e a Arábia Saudita.“Esse conflito direto entre Houthis e Arábia Saudita não acontecia há quatro anos”, destacou o analista, ressaltando que havia uma trégua entre os dois lados.A retomada do conflito colocou em risco a passagem de Bab al-Mandeb, pelo Mar Vermelho, um dos poucos pontos de escoamento do petróleo produzido na região. Leia Mais Petróleo fecha em queda e toca mínima de uma semana com alívio na oferta Wall Street fecha sem direção única em semana instável após decisão do Fed Bitcoin sobe 6% após semana marcada por decisão do Fed Segundo Beny Fard, a Arábia Saudita produz cerca de 10 milhões de barris por dia, dos quais aproximadamente 5 milhões escoavam pelo Golfo Pérsico, através do Estreito de Hormuz, “que está obstruído quase que na sua totalidade”, e os outros 5 milhões seguiam pela rota do Mediterrâneo, via Bab al-Mandeb. “Essa obstrução causa um choque de oferta”, afirmou o analista.Beny Fard também mencionou que a Agência Internacional de Energia já projeta alguma normalização em termos de oferta de petróleo apenas para 2027. “A gente deve ter o choque inflacionário advindo da falta de oferta do petróleo se arrastando ainda por esse final de ano e por 2026”, avaliou.Impactos no Brasil e nos jurosNo que diz respeito aos efeitos sobre a política monetária, o analista apontou uma divergência entre o cenário brasileiro e o norte-americano. Enquanto nos Estados Unidos há uma probabilidade elevada de aumento da taxa de juros pelo Fed, no Brasil as projeções apontavam para uma redução na chamada “superquarta”.Segundo Fard, o boletim Focus já trazia uma queda na projeção de inflação, embora ela ainda estivesse substancialmente acima do teto da meta de 4,5%. “A gente tem esse desafio do impacto que ainda não veio, especialmente observando as últimas duas a três semanas”, ponderou.O analista também alertou para o efeito do aumento do preço do barril sobre o diesel no Brasil. Por ser um país muito dependente do agronegócio e utilizar o diesel amplamente na infraestrutura agrícola, o impacto do encarecimento do combustível tende a se alastrar por toda a cadeia de valor.Fard lembrou ainda que a Petrobras já vinha anunciando a majoração gradativa do preço do diesel nas semanas anteriores, e que o fim de uma medida provisória que subsidiava os combustíveis no Brasil representava um desafio adicional.Rússia e o abastecimento globalOutro fator de pressão sobre o mercado de petróleo são os ataques ucranianos a estruturas de refino russas. A Rússia é o terceiro maior produtor mundial de petróleo, com cerca de 9,8 milhões de barris por dia, e suas refinarias têm papel relevante no abastecimento global.“O segundo e o terceiro colocados estão sob ataque, Arábia Saudita e Rússia”, resumiu Fard. O analista destacou que a Agência Internacional de Energia projeta uma redução de demanda de aproximadamente 2,5 milhões de barris por dia em 2026, impacto comparável ao observado durante a pandemia.“O que isso reflete é um impacto maior em preços, naturalmente”, concluiu. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.