A ideia de que uma empresa com tesouraria em Bitcoin nunca deveria vender a criptomoeda não deve ser tratada como uma regra absoluta, na avaliação de Guilherme Gomes, o Gui Gomes, CEO da OranjeBTC. Em entrevista na última terça-feira (15), o executivo afirmou que o BTC continua sendo um investimento de longo prazo, mas defendeu que companhias precisam ter liberdade para usar o ativo quando isso fizer sentido para a gestão financeira.“Vender o Bitcoin não deveria ser um tabu”, afirmou Gomes. Para ele, o problema é vender em momentos de estresse por perda de convicção na tese, e não utilizar parte da posição para cumprir obrigações ou melhorar a estrutura de capital da empresa.A discussão ganhou força depois que a Strategy, de Michael Saylor, começou a vender Bitcoin neste ano, afastando-se da interpretação mais rígida do mantra de que BTC deve ser apenas acumulado. Gomes avalia que a mudança não significa necessariamente abandono da tese de longo prazo, mas uma adaptação a uma companhia que hoje precisa administrar dividendos, dívidas e outras obrigações financeiras.“Ele está gerindo uma empresa de bilhões de dólares, com o Bitcoin no coração dela, com outras obrigações”, afirmou o CEO da OranjeBTC. Segundo Gomes, a transformação da Strategy tornou mais complexa a gestão de seu capital e fez com que o mantra de “nunca vender” deixasse de fazer sentido como regra empresarial.OranjeBTC também pode vender Bitcoin no futuroA própria OranjeBTC não fecha a porta para uma venda de BTC no futuro. Gomes citou como exemplo uma dívida com o Itaú que vence em 2031. Segundo ele, a companhia poderá pagar essa obrigação com geração de receita, emissão de ações ou, dependendo das condições naquele momento, vendendo parte de sua reserva em Bitcoin.Para o executivo, uma tesouraria deve enxergar o Bitcoin como um ativo estratégico que pode ser administrado de acordo com as necessidades da companhia.“Uma tesouraria tem o Bitcoin como mais um ativo, um ativo estratégico”, disse. Assim como uma empresa pode negociar imóveis, dólar ou ouro, ela também deve poder comprar ou vender BTC quando isso gerar valor para os acionistas.Fernando Ulrich, membro do conselho da OranjeBTC, seguiu a mesma linha. Para ele, a frase “nunca venda seu Bitcoin” acabou sendo confundida com uma política de gestão da Strategy.“Uma empresa de tesouraria de Bitcoin tem que usar esse que é o melhor ativo, ou que ela acredita que vai se valorizar e que ela quer ter no balanço, mas ela precisa e pode usar se, no momento, for a melhor alternativa para conseguir liquidez”, afirmou.Bitcoin precisa ser usado para virar dinheiroGomes também argumentou que tratar qualquer venda de Bitcoin como uma quebra da tese entra em contradição com a própria ambição de tornar o ativo uma moeda de uso mais amplo.Segundo ele, se o Bitcoin um dia se tornar efetivamente um meio de pagamento, daqui a décadas, será necessário que seus detentores estejam dispostos a utilizá-lo em transações. “O Bitcoin nunca irá virar uma moeda como idealmente um dia se tornará […] se você ficar com o conceito que você nunca troca o Bitcoin”, disse.Outro executivo presente na entrevista resumiu a ideia dizendo que até gastar dinheiro que poderia ser usado para comprar BTC equivale, economicamente, a abrir mão de Bitcoin.Na avaliação da OranjeBTC, portanto, o amadurecimento das empresas de tesouraria deve tornar menos rígida a ideia de acumulação permanente. Isso não significa abandonar o Bitcoin como principal ativo estratégico, mas reconhecer que uma companhia também precisa administrar liquidez, dívidas, dividendos e oportunidades de capital.Quer investir na maior criptomoeda do mundo? No MB, você começa em poucos cliques e de forma totalmente segura e transparente. Não adie uma carteira promissora e faça mais pelo seu dinheiro. Abra sua conta e invista em bitcoin agora!O post “Vender Bitcoin não deveria ser um tabu”, diz CEO da OranjeBTC apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.