Eleição de 2026 no Brasil será teste para uso de IA em pleitos futuros, diz executivo da OpenAI

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O Brasil será um dos principais testes para o uso de inteligência artificial em eleições, segundo Bruno Lewicki, 51, head de políticas públicas da OpenAI na América Latina. Em entrevista ao podcast A Máquina, publicada pela Folha neste sábado (19), o executivo afirmou que a experiência brasileira poderá servir de aprendizado para outros países que terão eleições no ano seguinte.Lewicki disse que a OpenAI se preparou para o pleito brasileiro e espera uma eleição sem grandes problemas relacionados ao uso de IA. Ao mesmo tempo, destacou que várias regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) são novas e que ainda não existe jurisprudência para determinar como algumas delas serão aplicadas na prática.Como a OpenAI diz que se preparou?Segundo Lewicki, a estratégia da empresa envolve três frentes. A primeira é a transparência sobre conteúdos gerados por IA. Arquivos produzidos pelo ChatGPT recebem uma etiqueta digital com metadados sobre sua origem e uma marca d’água invisível que pode indicar quando uma imagem foi criada pelo serviço.O executivo citou um caso recente envolvendo um suposto relatório da Polícia Federal que circulou nas redes sociais. Uma jornalista de uma agência de checagem identificou que o documento havia sido produzido com IA usando uma ferramenta disponibilizada ao público pela OpenAI. A ferramenta permite o envio de uma imagem ou áudio para verificar se o arquivo foi gerado integralmente ou com auxílio do ChatGPT.O ChatGPT é uma das ferramentas de IA citadas no debate sobre o uso da tecnologia nas eleições de 2026 – Imagem: Nwz / ShutterstockPara textos, porém, Lewicki afirmou que essa ferramenta específica não faz a verificação. Ele também destacou o acesso à informação como outra frente de atuação. Segundo o executivo, são enviadas 215 milhões de mensagens diárias ao ChatGPT no Brasil, o que torna a qualidade das informações utilizadas pelo modelo uma questão relevante.Durante o período eleitoral, a empresa também intensificou a inclusão de fontes oficiais, como o TSE, e de veículos jornalísticos entre as referências consideradas pelo sistema. A terceira frente citada por Lewicki é o monitoramento contínuo realizado pelas equipes de segurança, inteligência e integridade da companhia.Regras do TSE ainda são novidadeUma das mudanças mencionadas na entrevista é a determinação de que modelos de IA não podem ranquear, recomendar, sugerir, favorecer ou desfavorecer candidatos ou partidos, direta ou indiretamente. Lewicki afirmou que a OpenAI já possui políticas voltadas a evitar vieses em questões políticas e eleitorais, mas ressaltou que a regra do TSE é nova e ainda não possui jurisprudência.O executivo também afirmou que o uso do ChatGPT em campanhas eleitorais é proibido, exceto em determinadas atividades administrativas. A empresa ainda não disponibiliza anúncios políticos ou eleitorais no ChatGPT, incluindo no Brasil, onde anúncios passaram a existir na versão gratuita e em uma das versões pagas do serviço.A OpenAI também mantém políticas contra práticas como supressão de voto e interferência no processo eleitoral. Lewicki citou um episódio ocorrido na Índia em 2024, quando o ChatGPT teria sido usado em conjunto com redes sociais e personas falsas de mídia para favorecer um partido em relação a outro. Segundo ele, o caso foi identificado pelos sistemas da empresa e não teve grande engajamento.Empresa diz ter aprimorado sistemaLewicki também comentou estudos do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS) e do Observatório IA nas Eleições que apontaram situações em que chatbots, incluindo o ChatGPT, ainda ranqueavam ou recomendavam candidatos.O executivo afirmou que os estudos anteriores foram realizados com dados coletados entre fevereiro e julho, antes do início da campanha eleitoral. Segundo ele, a OpenAI solicitou um novo estudo ao professor Diogo Reis para avaliar mudanças mais recentes. Nesse levantamento, de acordo com Lewicki, o modelo se recusou a ranquear ou recomendar candidatos em 32 de 33 tentativas.Outro ponto citado na entrevista foi a regra do TSE sobre conteúdos gerados por IA nas proximidades da eleição. A norma mencionada por Lewicki estabelece restrições à publicação, republicação e impulsionamento desses materiais nas 72 horas anteriores e 24 horas posteriores ao pleito. Na avaliação apresentada pelo executivo, a regra não trata da geração do conteúdo em si.O TSE estabeleceu novas regras para o uso de inteligência artificial e conteúdos sintéticos durante as eleições – Imagem: Blossom Stock Studio / ShutterstockQuestionado sobre quem seria responsável caso uma imagem gerada por IA circulasse nesse período, Lewicki afirmou que a norma prevê responsabilidades para as redes sociais e para quem disseminar o conteúdo. A OpenAI, segundo ele, continuará utilizando suas camadas de defesa para indicar a procedência dos arquivos e monitorar usos que contrariem suas políticas.Lewicki afirmou ainda que a empresa não contratou pessoas especificamente por causa da eleição brasileira, mas vem aprimorando sua tecnologia continuamente. Para ele, o pleito de 2026 representa um momento importante devido à disseminação da IA, e a experiência brasileira poderá contribuir para eleições previstas para 2027, incluindo as da França e da Espanha.O executivo também defendeu maior participação de governos, empresas, academia e sociedade civil nas discussões sobre segurança de IA. Segundo Lewicki, questões relacionadas à cibersegurança e aos riscos da tecnologia não deveriam ficar restritas a empresas e especialistas do setor privado.O post Eleição de 2026 no Brasil será teste para uso de IA em pleitos futuros, diz executivo da OpenAI apareceu primeiro em Olhar Digital.