Ansiedade, dificuldade para dormir, cansaço e alterações de humor também podem estar relacionados a hábitos alimentares que passam despercebidos na rotina. O consumo excessivo de cafeína e possíveis deficiências de nutrientes como ferro e vitamina B12 entram no radar de especialistas e podem ser considerados durante a investigação desses sintomas.Uma revisão sistemática publicada em 2026, que analisou 27 estudos, reforçou a associação entre doses mais altas de cafeína e o aumento de sintomas ansiosos. “Nem todo cansaço, falta de concentração ou alteração de humor tem origem exclusivamente emocional. Quando existe deficiência de algum nutriente ou consumo excessivo de estimulantes, isso também precisa entrar na investigação. O exame ajuda a entender o que está acontecendo antes de qualquer suplementação”, afirma a nutricionista Bruna Makluf, diretora de Nutrição da healthtech WeFit.Para ela, as alterações nutricionais podem aparecer junto a sintomas normalmente associados ao estado emocional.Foto: PixabayAlimentos e saúde mental: o que merece atenção?Ferro baixo: Pode contribuir para cansaço e baixa disposição.Vitamina B12 baixa: Pode provocar sintomas que se confundem com a depressão e estar associada à piora de manifestações depressivas.Cafeína em excesso: Pode aumentar a agitação e intensificar sintomas de ansiedade.Energéticos: Podem concentrar estimulantes e prejudicar o sono. Leia também: 1.Alimentos sirt e o envelhecimento 2.Estes 9 hábitos alimentares podem proteger seu coração Ferro e vitamina B12 Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2025, que reuniu 18 estudos e 1.408 participantes, encontrou associação entre deficiência de ferro, inclusive antes do desenvolvimento de anemia, e fadiga, pior qualidade de vida e sintomas de ansiedade.Refeições que contenham farinhas integrais que têm ferro podem auxiliar em uma dieta rica em nutrientes. Foto: Jasmine AlimentosA falta de vitamina B12 também pode causar cansaço e alterações neurológicas, segundo o National Institutes of Health, dos Estados Unidos. Estudos observacionais citados pela instituição investigam ainda a associação entre níveis reduzidos do nutriente e sintomas depressivos, sem estabelecer uma relação isolada de causa e efeito.“Há pacientes que chegam à consulta com baixa disposição, dificuldade de concentração e cansaço persistente e acreditam que a origem seja apenas emocional. Os exames podem revelar uma deficiência que precisa ser corrigida ou, quando estão normais, ajudar a direcionar a investigação para outras causas”, explica a diretora de Nutrição. Leia também: 1.Técnicas simples podem melhorar a digestibilidade do feijão 2.10 alimentos de origem vegetal que são boas fontes de ferro Cafeína e ansiedadeO consumo elevado de cafeína é outro ponto de atenção. Uma revisão sistemática publicada em fevereiro de 2026 analisou 27 estudos e encontrou evidências predominantemente favoráveis à associação entre a substância e o aumento de sintomas ansiosos, principalmente conforme cresce a quantidade ingerida.Além do café, energéticos, chás e outros produtos podem elevar a ingestão diária de cafeína. Pessoas que já apresentam ansiedade, agitação ou dificuldade para dormir podem ser mais sensíveis aos efeitos estimulantes.Foto: Clay Banks | Unsplash“Não significa que todo mundo precise retirar o café da rotina. O ponto é avaliar quantidade, horário, frequência e resposta individual. Em pessoas mais suscetíveis a sintomas ansiosos, o excesso de cafeína pode aumentar a agitação e prejudicar o sono”, ressalta a especialista.O Ministério da Saúde também inclui a redução das doses diárias de cafeína entre as orientações relacionadas a hábitos saudáveis para pessoas com depressão. Leia também: 1.9 maneiras de reaproveitar o pó de café 2.Benefícios do café para a saúde Alimentação e saúde mental exigem cuidado integradoDepressão e transtornos de ansiedade são condições multifatoriais. Exames laboratoriais, mudanças na dieta ou suplementação podem integrar o acompanhamento, mas não substituem avaliação psicológica, psiquiátrica ou médica quando indicada.“A alimentação pode fazer parte do cuidado com a saúde mental quando existe uma deficiência nutricional ou um hábito capaz de agravar determinados sintomas. A nutrição não substitui psicoterapia, psiquiatria ou tratamento médico. O acompanhamento precisa considerar cada paciente de forma ampla e envolver diferentes profissionais quando necessário”, conclui Bruna Makluf.Foto: Jasmine AlimentosEm situações de sofrimento intenso ou risco de suicídio, o Ministério da Saúde orienta procurar uma Unidade Básica de Saúde, CAPS ou serviços de urgência e emergência. O Centro de Valorização da Vida oferece atendimento gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia. Leia também: 1.Psicólogo dá 7 dicas para quem sofre com ansiedade 2.Prescrição de natureza reduz ansiedade, depressão e pressão arterial Fontes de PesquisaBoletim Epidemiológico sobre suicídio no Brasilwww.cevs.rs.gov.br/upload/arquivos/202603/16164550-boletim-suicidio-2025-10-mar.pdfEstudo sobre deficiência de ferro fadiga e sintomas de ansiedade pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40945632/NIH sobre vitamina B12ods.od.nih.gov/factsheets/VitaminB12-HealthProfessional/Estudo sobre cafeína e ansiedadepubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41549915/Ministério da Saúde sobre depressãowww.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/depressaoThe post Alimentos podem gerar ansiedade e sintomas de depressão appeared first on CicloVivo.