Fechamento de frigorífico da Tyson Foods impacta pecuária em Illinois (EUA)

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Produtores e confinadores da cidade de Joslin, no estado de Illinois (EUA) relatam perdas expressivas de margem depois que a unidade da Tyson Foods encerrou suas atividades, no dia 14 de agosto.O frigorífico empregava 2,5 mil pessoas e abatia 3 mil animais por dia, exercendo forte influencia na formação dos preços da pecuária de corte local.Segundo reportagem publicada pelo portal de notícias norte-americano Droves, especializado em pecuária de corte, a dinâmica de preços e o diferencial de base do preço do boi gordo já mostram mudanças severas.A proximidade com o cinturão produtivo de milho favorecia o modelo de confinamento familiar. E historicamente o gado produzido na região alcançava cotações acima da média nacional devido à alta qualidade das carcaças, classificadas em Choice e Prime.Após o fechamento da planta os produtores perderam essa vantagem competitiva, tendo que negociar com frigoríficos em regiões mais distantes e com os preços médios praticados no mercado. Leia Mais Tyson Foods fecha mais duas plantas de carne bovina nos EUA Plano de Trump para rebanho dos EUA pode encarecer carne e favorecer Brasil Tyson Foods revisa projeções de 2026 diante de pressão na carne bovina A interrupção repentina das atividades pegou muitos produtores de surpresa  O criador BJ Weber, proprietário de um confinamento a poucos quilômetros de Joslin, relatou à reportagem que cerca de 90% dos animais de seus clientes eram destinados à Tyson. “Tínhamos contratos que não conseguimos cumprir, o que mudou drasticamente a operação”, afirma Weber.De acordo com o vice-presidente executivo da Associação de Pecuaristas de Illinois, Josh St. Peters, cerca de 15 mil cabeças de gado que já estavam comprometidas com a unidade, tiveram de ser redirecionadas para outras plantas da Tyson em estados vizinhos ou mantidas por mais tempo no cocho.Analistas de mercado apontam que essa reconfiguração pode abrir espaço para o fortalecimento de frigoríficos de menor porte e operações locais, que já registram agendas lotadas para os próximos meses.Porém representantes do setor ponderam que as estruturas menores não conseguem absorver o volume de abate de uma megaempresa como a Tyson.Além do impacto financeiro imediato, nos resultados das fazendas e dos confinadores locais, o temor é de recuo maior na formação de preços a longo prazo com a desestruturação de um polo tradicional de abate e a sobrevivência dos produtores independentes.A Tyson Foods está reestruturando sua rede de operações de carne bovina nos Estados Unidos. O plano prevê a concentração das atividades em apenas três unidades localizadas na região central do país. No começo desse mês de setembro a companhia anunciou prejuízo ajustado entre US$ 775 milhões e US$ 625 milhões no segmento de carne bovina.  E espera que as medidas de reestruturação ajudem a reduzir as pressões sobre os custos operacionais a partir do ano fiscal de 2027.