O VAR nasceu com a promessa de trazer mais justiça ao futebol. Sete anos depois, virou um dos maiores geradores de polêmica do esporte — e isso não é privilégio da Premier League.Na Inglaterra, a insatisfação explode a cada rodada. Erros recentes, como o gol validado de Haaland no dérbi de Manchester (depois reconhecido como “erro de julgamento”), alimentam a narrativa de que o sistema falhou. Curiosamente, a Premier League tem a menor taxa de intervenções da Europa (cerca de 0,27 por jogo). O problema, segundo muitos, não é a quantidade, mas a inconsistência e o tom agressivo da imprensa.No resto do continente o quadro se repete, com variações. Na Alemanha, torcidas levam faixas dizendo que “futebol com VAR é como corrida de cavalos com burros”. Na Espanha e na França, erros semanais também geram revoltas.A Champions League intervém bem mais que a Premier League. O chefe de arbitragem da UEFA, Roberto Rosetti, já admitiu que o VAR ficou “microscópico” demais em toda a Europa.Itália e Portugal entram no mesmo pacote. Na Serie A, a temporada 2026/27 começou com uma mudança radical: quase zero intervenções nas primeiras rodadas, na tentativa de deixar o jogo fluir.Treinadores elogiaram o ritmo, mas analistas já alertam que pênaltis claros estão passando.Em Portugal, os três grandes reclamam com frequência. Há queixas oficiais, revisões que duram 14 minutos e especialistas dizendo que o VAR deveria ter chamado o árbitro em lances óbvios.No Brasil o cenário é ainda mais inflamado. O Brasileirão 2025 registrou recorde de interferências do VAR. Clubes como Flamengo, São Paulo, Internacional e Grêmio já se reuniram com a CBF, ouviram áudios e cobraram mudanças.O Flamengo chegou a publicar nota oficial acusando favorecimento sistemático a um rival, usando estatísticas de intervenções desde 2020.A CBF reconhece erros pontuais (como no Gre-Nal da Copa do Brasil), divulga áudios e promete profissionalização dos árbitros, mas a percepção de falta de padrão persiste. Lances de pênalti, expulsão e impedimento continuam gerando discussões semana após semana.O padrão é o mesmo em todos os lugares: o VAR corrige alguns erros graves, mas cria outros, quebra o ritmo do jogo e alimenta teorias de favorecimento.Em alguns países o problema é intervir demais; em outros, intervir de menos. Em todos, a confiança no critério humano — mesmo com tecnologia — continua baixa.A tecnologia não eliminou a subjetividade. Apenas a transferiu da bola rolando para a cabine e, dali, para as redes sociais e as salas dos clubes.O debate deixou de ser “VAR sim ou não” e passou a ser “como usar sem destruir o espetáculo e a credibilidade”.Até agora, nenhum país encontrou a fórmula.*Fontes: The Times, BBC, Gazzetta, A Bola e CBF.