O contrato mais líquido do ouro fechou em queda nesta terça-feira (15) ampliando o movimento baixista da sessão anterior, com o metal pressionado pelo avanço dos preços do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries.A alta da commodity reforça as perspectivas de uma política monetária mais rígida para lidar com a inflação, o que eleva juros dos títulos públicos e pressiona a commodity, que não gera rendimentos. Nesta quarta (16) este cenário será testado com a decisão do Fed (Federal Reserve).Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para dezembro encerrou em queda de 0,44%, a US$ 4.332,8 por onça-troy. A prata para dezembro recuou 0,44%, a US$ 63,85 por onça-troy. Leia Mais Bolsas da Europa caem com temor de alta de juros dos EUA Custos de tarifas unilaterais recai sobre país que as impõe, diz OMC Economistas veem déficit primário menor e dívida mais alta em 2026 e 2027 “A renovação das tensões no Oriente Médio impulsionou os preços do petróleo e, consequentemente, as expectativas de taxas de juros de forma mais ampla – não apenas nos Estados Unidos.Nesse cenário, causa certa surpresa o fato de os preços do ouro não terem sofrido pressões mais significativas até o momento”, aponta o Commerzbank.“Além das preocupações fiscais persistentes, refletidas em rendimentos substancialmente mais elevados dos Treasuries de longo prazo, o recente aumento dos riscos políticos nos EUA também pode ajudar a explicar a relativa resiliência do ouro”, pontua.“Há muito alertamos que a independência do Fed poderia ser ameaçada por uma intensa pressão política vinda da Casa Branca. No entanto, o dilema do banco central só se tornaria evidente quando seu mandato de política monetária entrasse em conflito com os desejos da administração dos EUA – ou, mais precisamente, do presidente americano”, avalia o banco.Até a eclosão do conflito com o Irã, esse não era o caso, já que o Fed estava caminhando para reduzir as taxas de juros, para grande satisfação do presidente Donald Trump.“A situação agora é fundamentalmente diferente. Diante de uma inflação persistentemente elevada, o Fed sofre crescente pressão para elevar as taxas de juros, ao passo que Trump ameaçou adotar medidas extremas caso o Fed não as reduza.Como resultado, um confronto parece quase inevitável, e os mercados financeiros parecem estar levando esse risco cada vez mais em consideração”, conclui.