Plataforma cripto Lemon deixa o Brasil e culpa nova regulação do Banco Central

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A Lemon, plataforma de criptomoedas criada na Argentina, anunciou que vai encerrar suas operações no Brasil e atribuiu a decisão às novas exigências regulatórias do Banco Central. A saída acontece em um momento de forte reorganização do mercado local e chama atenção porque, há pouco mais de um mês, a empresa havia ampliado sua aposta no país com o lançamento de um cartão Visa integrado a criptomoedas.Em comunicado enviado aos clientes nesta semana, a Lemon afirmou que a nova regulamentação estabeleceu “regras e exigências que não favorecem o desenvolvimento de produtos do nosso setor”. A companhia não especificou, porém, qual dispositivo das novas normas teria inviabilizado sua operação.A partir do anúncio, usuários brasileiros já não podem adicionar novos recursos à plataforma. O Lemon Card deixará de funcionar em 30 de setembro, enquanto as contas brasileiras serão encerradas automaticamente em 16 de outubro. A decisão é restrita ao Brasil e não afeta, segundo a empresa, as operações em Argentina, Colômbia e Peru.A saída representa uma reviravolta na trajetória da empresa no país. A Lemon chegou pela primeira vez ao mercado brasileiro em março de 2022, inicialmente com uma versão beta para 10 mil usuários que permitia comprar e vender Bitcoin e Ethereum utilizando reais. Na época, a empresa chegou a anunciar planos de contratar 60 pessoas no Brasil até o fim daquele ano.Em outubro de 2022, a plataforma ampliou a integração com o sistema financeiro local ao permitir movimentações via Pix e já oferecia produtos relacionados a diferentes criptomoedas e staking.A empresa manteve presença no Brasil nos anos seguintes e, em 2026, voltou a intensificar sua estratégia local. Seu próprio site passou a destacar o Brasil entre os mercados de expansão deste ano, enquanto a estrutura utilizada pela companhia no país aparecia como estando em processo de autorização junto ao Banco Central para funcionar como prestadora de serviços de ativos virtuais.O Portal do Bitcoin tentou contato com a empresa para obter mais detalhes, mas não teve retorno até a publicação da matéria.Cartão chegou ao Brasil pouco antes da saídaA mudança de estratégia é ainda mais significativa porque a Lemon vinha lançando novos produtos para o público brasileiro.Em maio, a companhia abriu uma lista de espera para o Lemon Card, apresentado como um cartão capaz de utilizar reais e criptomoedas para pagamentos.Já em agosto, a Lemon anunciou formalmente uma parceria com a empresa de infraestrutura de pagamentos Pomelo para levar ao país o Visa Lemon Card. O produto permitia pagamentos em reais e oferecia cashback em dólares digitais, ampliando para o Brasil uma parceria que já existia no Peru e na Colômbia.A Pomelo descreveu o lançamento como uma nova etapa da expansão regional da Lemon. O anúncio foi publicado em 10 de agosto, mas agora, pouco mais de um mês depois, o cartão já tem data marcada para ser descontinuado.A Lemon também vinha oferecendo aos brasileiros produtos ligados a stablecoins e finanças descentralizadas. Em junho, por exemplo, passou a disponibilizar rendimentos sobre seu chamado “Dólar Digital”, com recursos direcionados ao protocolo DeFi Morpho.A decisão de sair ocorre justamente durante o período de transição para o novo marco regulatório das empresas de criptomoedas no Brasil. As Resoluções BCB nº 519, 520 e 521, publicadas pelo Banco Central em novembro de 2025, criaram regras para autorização, funcionamento e determinadas operações de câmbio envolvendo prestadoras de serviços de ativos virtuais. O núcleo das normas entrou em vigor em fevereiro deste ano.Para empresas que já atuavam antes da entrada em vigor da regulação, o período para solicitar autorização termina em 29 de outubro. A partir de 30 de outubro, instituições financeiras e de pagamento reguladas pelo BC ficam impedidas de viabilizar determinadas operações com prestadoras de serviços de ativos virtuais que não estejam autorizadas ou em processo de autorização no país.As exigências abrangem, entre outros pontos, governança, controles internos, segurança, prevenção à lavagem de dinheiro e requisitos para funcionamento das empresas.Saídas se acumulam no mercado cripto brasileiroA Lemon não é a única empresa a rever sua presença no Brasil às vésperas do fim do período de transição regulatória.A brasileira Coinext anunciou no início de setembro que encerrará suas atividades de corretora de criptomoedas. A empresa afirmou que analisou alternativas para atender às novas exigências, mas concluiu que nenhuma delas tornaria viável a continuidade da operação.A Digitra.com tomou decisão semelhante. A empresa optou por não pedir autorização ao Banco Central e anunciou o encerramento das atividades de negociação e custódia para o varejo. Em comunicado, relacionou diretamente a decisão às Resoluções 519, 520 e 521 e às novas exigências de capital e governança.Antes delas, a NovaDAX já havia anunciado, em junho, a descontinuação das operações no país. As negociações foram encerradas em 1º de julho, embora a empresa não tenha atribuído publicamente a decisão exclusivamente à nova regulação.O movimento também atinge empresas estrangeiras de maior porte. A mexicana Bitso, uma das maiores plataformas cripto da América Latina, encerrará seus serviços diretos para investidores de varejo no Brasil até 30 de outubro após fechar uma parceria para migração de clientes ao Mercado Bitcoin. Novas contas já deixaram de ser abertas e todos os serviços do aplicativo brasileiro serão encerrados em 31 de outubro.Já a Crypto.com não anunciou uma saída completa do país, mas decidiu encerrar sua conta em reais em 25 de outubro. Depois dessa data, brasileiros não poderão mais depositar ou sacar BRL nem realizar diretamente conversões entre reais e criptomoedas na plataforma. A negociação de mais de 400 criptomoedas e o cartão da empresa, porém, continuarão disponíveis.As motivações não são iguais em todos os casos. Coinext, Digitra e agora Lemon relacionaram suas decisões diretamente ao novo ambiente regulatório, enquanto NovaDAX apresentou seu movimento como uma decisão estratégica. Bitso vinculou a mudança à parceria com o Mercado Bitcoin, e a Crypto.com não informou que o fim da conta em reais decorre das regras do BC.Ainda assim, a sequência mostra uma consolidação acelerada do setor brasileiro às vésperas de 30 de outubro. Empresas que desejam permanecer no mercado terão de ingressar no novo regime de autorização do Banco Central, enquanto aquelas que consideram os custos ou requisitos incompatíveis com seus modelos de negócio começam a reduzir produtos ou deixar o país.A porta de entrada para o bitcoin, a maior criptomoeda do mundo, está no MB. É simples, seguro e transparente. Deixe de adiar um investimento com potencial gigantesco. Invista em poucos cliques!O post Plataforma cripto Lemon deixa o Brasil e culpa nova regulação do Banco Central apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.