Um homem identificado como Francisco Yago, de 33 anos, foi preso na manhã desta quinta-feira (17), em Itapororoca, na Paraíba, dois dias após ser alvo da Operação Bon Vivant, que investiga uma organização criminosa suspeita de tráfico de drogas, venda de armas e lavagem de dinheiro.Segundo a Polícia Civil da Paraíba, a organização investigada movimentou cerca de R$ 144 milhões em dois anos em Campina Grande, no Agreste da Paraíba, e no Rio Grande do Norte. O grupo mantinha negócios relacionados a vaquejadas, compra de animais e leilões e, de acordo com a investigação, utilizava essas atividades para tentar inserir no mercado formal o dinheiro obtido com crimes.De acordo com o delegado Lucas Rothardan, Francisco Yago, que é natural do Ceará, é apontado pela investigação como braço direito do chefe da organização criminosa. Ele estava foragido desde domingo (13), quando deixou a Paraíba e foi para Fortaleza, no Ceará.Reprodução / Polícia CivilA prisão ocorreu após a polícia rastrear o deslocamento usado para buscá-lo no Ceará. “Conseguimos verificar o carro que saiu de Campina Grande para buscá-lo em Fortaleza”, explicou o delegado.De acordo com a investigação, o suspeito trocou de carro durante a fuga e retornou à Paraíba para buscar uma pessoa, que não teve a identificação divulgada, com a possibilidade de seguir viagem de avião. Ele foi localizado em Itapororoca.Na casa de Francisco Yago, foram encontrados cerca de 15 smartphones. Segundo o delegado, os aparelhos eram utilizados pelo suspeito para ficar mudando de chip. Outros cinco celulares foram encontrados no carro dele. Segundo a polícia, os aparelhos também eram utilizados para dificultar que ele fosse localizado.O motorista do carro que estava com Francisco Yago também foi levado para a delegacia. Segundo o delegado, ele possui passagem por tráfico de drogas em Campina Grande. Para esse homem, foi feito um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por favorecimento pessoal.Segundo o delegado, Francisco Yago era dono de um haras e de cavalos no Rio Grande do Norte. Ele também mantinha uma atividade relacionada à intermediação de bitcoin.Como funcionava o esquemaDe acordo com a investigação, uma das estratégias usadas pelo grupo para movimentar o dinheiro estava relacionada ao mercado de animais e às vaquejadas.Os investigados compravam animais e participavam de leilões, movimentando valores e estabelecendo relações com criadores, compradores e outras pessoas ligadas ao setor. Segundo a polícia, essas aproximações também serviam para ampliar a rede de contatos e facilitar novos negócios.Um dos integrantes mantinha ainda um negócio relacionado à criação e comercialização de animais. A atividade fazia parte da estrutura usada pelo grupo para movimentar recursos e se inserir nesse mercado.A Polícia Civil identificou também três academias ligadas aos investigados. Para os investigadores, a existência de diferentes negócios mostra que o grupo utilizava mais de uma atividade para movimentar os valores e tentar afastá-los da origem criminosa.Outra parte da estrutura era formada por pessoas apontadas como “laranjas”, usadas para movimentar dinheiro ou manter bens e negócios em seus nomes. Entre elas estavam esposas de alguns dos investigados, segundo a polícia.Estratégia envolvia carreira de cantorA investigação também identificou uma estratégia envolvendo o agenciamente da carreira de um cantor. Um dos integrantes do grupo teria investido dinheiro na carreira do artista e planejado uma espécie de aposta no crescimento profissional dele.Segundo a Polícia Civil, a estratégia envolvia o agenciamento da carreira do cantor. O objetivo era investir no artista e, com o crescimento da carreira, ampliar as possibilidades de negócios e movimentação de dinheiro.A Polícia Civil não aponta o cantor como integrante da organização. Segundo a investigação, ele provavelmente não sabia que estava sendo utilizado dentro da estratégia planejada pelos investigados.Grupo também atuava no Rio Grande do NorteA organização também mantinha atuação no Rio Grande do Norte. Um dos principais investigados tinha influência no estado e possuía um haras que foi alvo das buscas realizadas nesta terça-feira (15).No local, os policiais apreenderam veículos, caminhões e um quadriciclo. A propriedade fazia parte da estrutura patrimonial investigada e estava relacionada aos negócios do grupo com animais.Além das prisões, a operação determinou o bloqueio de valores e bens e resultou na apreensão de patrimônios que, segundo a polícia, podem estar relacionados à atuação da organização.Em Campina Grande, os mandados foram cumpridos nos bairros Aluízio Campos e José Pinheiro e em dois condomínios fechados. Veículos de luxo e outros bens também foram apreendidos.Uma das prisões em Campina Grande teve disparos contra os policiais. A equipe conseguiu controlar a situação e prender o homem. Ninguém ficou ferido.Com Jornal da ParaíbaO post Dono de haras é preso suspeito de integrar grupo criminoso que movimentou R$ 144 milhões na Paraíba apareceu primeiro em Vitrine do Cariri.