Ou sobe ou sobe? Fed chega à decisão de juros com mercado esperando alta; entenda

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O Federal Reserve chega à decisão de juros desta quarta-feira (16) praticamente diante de uma sinuca: depois de Kevin Warsh endurecer o discurso contra a inflação e os últimos dados mostrarem resistência dos preços, o mercado passou a tratar uma alta de 0,25 ponto percentual como praticamente certa.A expectativa é que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) eleve os juros para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, naquela que seria a primeira alta desde que Warsh assumiu a presidência do Fed, em maio.“Nos Estados Unidos, o mercado já trata a alta de 0,25 ponto como praticamente certa”, afirma Vitor Kayo, economista sênior da Nomad. Segundo ele, a probabilidade atribuída ao movimento saiu de cerca de 60% para perto de 90% nos últimos dias.A mudança nas apostas veio após uma combinação indigesta para o banco central: o discurso mais duro de Warsh em Jackson Hole, a inflação de agosto mais resistente do que o esperado e a disparada do petróleo para acima de US$ 100 o barril, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.Mais do que uma questão de precificação, porém, a reunião também coloca a comunicação do Fed sob os holofotes. Depois de elevar o tom contra a inflação, uma manutenção poderia provocar questionamentos no mercado sobre a disposição do banco central em transformar o discurso em ação.Essa leitura aparece na análise do BTG Pactual. Para os economistas do banco, Jackson Hole “reduziu a barra para uma alta em setembro” e deixou “pouco espaço para uma nova manutenção” caso os dados confirmassem, em linhas gerais, o cenário existente.O BTG avalia ainda que uma elevação dos juros após o discurso de Warsh “reforçaria a credibilidade” de seu compromisso com a meta de inflação.E os dados deram munição para esse movimento.Inflação dá argumento para altaO índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, o CPI, avançou 0,4% em agosto, enquanto o núcleo subiu 0,3%. Para o BTG, o resultado “reforça o argumento para uma alta”, principalmente diante da renovação das pressões inflacionárias nos serviços.O ASA segue leitura semelhante. “Os números de inflação divulgados na semana passada sustentam a alta e o dado de agosto deve dar força para Kevin Warsh convencer os membros indecisos a votarem pelo aumento”, afirma Andressa Durão, economista da casa.Ainda assim, a decisão pode não ser unânime. “Esperamos pelo menos um dissenso por manutenção”, diz Durão. Para a economista, o comunicado não deve trazer grandes mudanças na avaliação do cenário econômico.O mercado de trabalho também não parece impor uma barreira para a elevação dos juros. O payroll de agosto mostrou a criação de 162 mil vagas, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 4,1%.O BTG classifica o mercado de trabalho como “saudável” e avalia que os números oferecem “pouca evidência da necessidade de preservar acomodação monetária”.Na atividade, a leitura também é de resiliência. O banco destaca a força do consumo e dos investimentos empresariais, inclusive aqueles relacionados à inteligência artificial, e afirma que a força atual da demanda privada torna difícil argumentar que a economia norte-americana ainda precise dos juros no patamar atual.Se a alta está no preço, o que importa?Com o movimento de 0,25 ponto percentual amplamente esperado, o verdadeiro suspense da reunião deve migrar para o dot plot, gráfico que reúne as projeções dos integrantes do Fomc para os juros.Nesse ponto, BTG e ASA enxergam mais aperto monetário pela frente.O BTG espera que o dot plot mostre duas altas de 0,25 ponto percentual em 2026, contando com a de setembro, deixando a mediana próxima de 4,1%. A instituição também projeta uma revisão para cima do juro de longo prazo.O ASA também espera 50 pontos-base de aumento dos juros neste ano, com duas elevações de 0,25 ponto até dezembro. Depois disso, entretanto, a expectativa da casa é de estabilidade em 2027.Nas projeções econômicas, o ASA espera poucas alterações em relação a junho. A estimativa para o PIB deve ser mantida, enquanto a taxa de desemprego pode passar por uma leve revisão para baixo. Já a projeção para o núcleo do PCE pode ficar estável ou ser ligeiramente reduzida.Comunicado mais hawkishO ASA espera que o presidente do Fed mantenha “o tom hawkish de seu discurso em Jackson Hole” na coletiva pós decisão, mas sem oferecer sinalizações sobre os próximos passos, limitando-se a reforçar o compromisso de levar a inflação de volta à meta.O BTG também espera uma “alta com comunicação hawkish”, com novas elevações permanecendo claramente em discussão. Para o banco, o ritmo e a extensão do ciclo dependerão da inflação e de como as condições financeiras responderão aos primeiros aumentos.