Foto: Montagem via ChatGPT/Gabriel Leite/Arquivo Pessoal – Manoel Sabino e Alcides ParroPor quase três décadas, a Associação de Rodeio Espora de Prata esteve ligada a uma das tradições mais conhecidas de Mirandópolis. Muito antes das grandes estruturas, as festas eram feitas com simplicidade, cercadas por bambus, chão de casca de arroz e muita participação de quem vivia o campo. Foi nesse cenário que um grupo de moradores ajudou a transformar o rodeio em um dos grandes acontecimentos do calendário da cidade.A história começou antes mesmo da criação oficial da associação. Manoel Sabino, o Mané, estava entre os homens que deram os primeiros passos para a realização da Festa do Peão. A ideia surgiu a partir da convivência com o comércio de gado e foi ganhando força com a participação de nomes como Hugo Monzane, Manoel Marcos Franco, Ditinho Mochadô, Antonio Delai, José da Cunha, Pedro Darim, João Brito, Alcides Parro e Mansuke Miyamaru.A primeira festa foi realizada na área onde hoje está a penitenciária. Como o espaço seria utilizado para a construção da unidade, José Eleotério, então inspetor, ajudou o grupo a encontrar outro local. Em 1987, a festa foi levada para a área que se tornaria o Recinto Antonio Hidalgo.Primeira formação da Associação de Rodeio Espora de Prata. Foto: Arquivo Pessoal/Manoel SabinoASSOCIAÇÃOA Associação de Rodeio Espora de Prata foi fundada em 3 de julho de 1987, com 15 integrantes. Manoel Marcos Franco ficou na presidência e Alcides Parro, na vice. Hugo Monzane e Manoel Sabino assumiram a tesouraria, enquanto Eduardo Antonio Franco e José Victor da Cunha ficaram nas secretarias. Benedito Rossi, Valnei Braz Monzane, Francisco José Hidalgo, Antonio Delai, Adelino José Franco, José Lourenço Dias Martinez, Hilton Aparecido Gordo e Mansuke Miyamaru completavam o grupo.Antes de Espora de Prata, o nome era Espora Batida. A mudança surgiu em uma reunião dos integrantes, com a sugestão de Valnei Monzane.Em 1992, a Prefeitura concedeu à associação a área onde os eventos eram realizados, que passou a ser conhecida como Recinto de Festas Antônio Hidalgo.VIDA NA ARENAMané Sabino viveu a festa de diferentes lugares. Foi juiz, cuidou das inscrições, ajudou a contratar peões e, também pegou o microfone. Ao lado de “Zé Rolha”, passou a narrar as provas.Ele se lembra de uma edição especialmente marcada pela chuva, em meados de 1995 e 1996. A madrugada foi de temporal, mas, pela manhã, o tempo abriu e o recinto ficou cheio. Anos depois, em 2010, a Festa do Peão chegou à 25ª edição.Mané Sabino ao lado do cantor Almir Sater, durante os bastidores da festa em Mirandópolis. Foto: Arquivo Pessoal/Manoel SabinoPara Ana Paula, filha de Mané, o rodeio se mistura às lembranças da própria infância. A família morou por cerca de 20 anos em uma pequena casa dentro do recinto. Ela cresceu vendo o pai e os amigos trabalhando juntos e guarda, principalmente, a lembrança da união entre eles. “Tenho muito orgulho em ver meu pai lá dentro”, conta.UMA HERANÇAAlcides Parro também ajudou a construir essa história. Segundo a filha, Regina Parro, ele participou da comissão da Espora de Prata e esteve nas primeiras festas. A ligação com o campo já fazia parte de sua vida: trabalhava com gado e cavalos, participava de comitivas e chegou a manter a Companhia Alcides Parro, a AP, na Terceira Aliança.A paixão pelo rodeio atravessou a família. O neto Alcides Adriano Parro seguiu pelo mesmo caminho e hoje trabalha com gado, além de atuar como salva-vidas em rodeios e integrar o comitê de rodeio de Mirandópolis.Mané e Alcides Parro em um dos registros que guardam a memória dos primeiros anos da Espora de Prata.Foto: Arquivo Pessoal/Manoel SabinoUMA NOVA FASEA última Festa do Peão organizada pela Espora de Prata aconteceu em 2015. Com o tempo, os custos aumentaram e o modelo de arrecadação ficou mais difícil de manter. A associação dependia de patrocinadores e da venda de mesas e ingressos, enquanto os shows passaram a ocupar mais espaço na programação.A Espora de Prata deixou de organizar a festa, mas o rodeio continuou em Mirandópolis, agora seguindo por outros caminhos e com novos responsáveis.Para quem viveu aqueles anos, ficaram as histórias de uma época em que a festa era construída com trabalho coletivo, improviso e muita vontade de fazer acontecer. Mané Sabino, que acompanhou boa parte dessa trajetória, resume o sentimento em poucas palavras: “Sinto muita falta”.Confira agora diferentes momentos do rodeio preservados no arquivo da família de Alcides Parro:O post Espora de Prata: memórias de uma associação que ajudou a transformar o rodeio em tradição em Mirandópolis apareceu primeiro em AGORA NA REGIÃO.