Escudo materno: cobertura vacinal contra o VSR no DF chega perto de 90%

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A cobertura vacinal contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador de bronquiolite em bebês, atingiu 89,48% do público alvo no Distrito Federal até julho deste ano, segundo a Secretaria de Saúde (SES-DF). Incorporado ao calendário nacional de vacinação das gestantes em dezembro de 2025, o imunizante está disponível gratuitamente na rede pública.A vacinação da gestante contra o VSR permite que o bebê já nasça com anticorpos que vão ajudar a protegê-lo contra a bronquiolite durante seus primeiros meses de vida. Entre janeiro e agosto de 2026, foram aplicadas 21.156 doses do imunizante nas redes pública e privada da capital federal. A estimativa é vacinar cerca de 34.892 gestantes ao longo do ano, conforme informado pela SES-DF.A dosagem da vacina é única e as gestantes que tomarem o imunizante conseguirão proteger o bebê ainda na barriga. Contudo, caso haja uma nova gravidez, a recomendação é tomar uma outra dose da vacina. Não há restrição de idade.A vacina é recomendada para gestantes entre a 28ª e a 36ª semana de gravidez. Embora possa ser administrada a partir da 24ª semana em situações específicas, a orientação é que a maioria das gestantes seja vacinada dentro do período recomendado.O imunizante pode ser tomado em qualquer uma das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do DF. Descubra a unidade mais próxima da sua residência por meio do InfoSaúde-DF, ou clicando aqui.A estratégia de vacinar a gestante baseia-se no conceito de imunização passiva. A aplicação da vacina bivalente recombinante no terceiro trimestre estimula o organismo materno a produzir imunoglobulinas (IgG) específicas contra a proteína F do VSR. Esses anticorpos atravessam a placenta e chegam ao bebê ainda durante a gestação, proporcionando proteção nos primeiros seis meses de vida.O Metrópoles preparou uma reportagem especial que reúne histórias de mães que enfrentaram a internação dos filhos em UTIs por bronquiolite e mostra como essas experiências influenciam a percepção sobre a prevenção da doença. A matéria também traz análises exclusivas de especialistas em saúde sobre o impacto, a segurança e a eficácia da vacina contra o VSR. Leia a reportagem completa.4 imagensFechar modal.1 de 4DF atingiu cobertura vacinal de 89% contra o VSRLUIS NOVA / METRÓPOLES@LuisGustavoNova2 de 4Disponível na rede pública desde dezembro, a vacina protege o bebê ainda durante a gestaçãoLUIS NOVA / METRÓPOLES@LuisGustavoNova3 de 4A vacina materna contribui para que o bebê receba uma proteçãorobusta pelos anticorpos produzidos pela mãe, que lhe são transferidos no ventre materno através daplacenta e, mais tarde, pela amamentação, funcionando como um reforço para suas defesasLUIS NOVA / METRÓPOLES@LuisGustavoNova4 de 4A vacina é indicada para gestantes a partir da 28ª semana de gestaçãoLUIS NOVA / METRÓPOLES@LuisGustavoNovaProteção eficaz para o bebêAs infecções do trato respiratório inferior (ITRI) estão entre as principais causas de adoecimento e mortalidade de crianças e adultos em todo o mundo. Entre as crianças menores de 2 anos, o VSR é apontado como a principal causa desse tipo de infecção e pode responder por cerca de 75% dos casos de bronquiolite viral aguda e 40% das pneumonias durante os períodos de sazonalidade, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria.Hoje, o SUS conta com duas estratégias seguras e eficazes para proteger os bebês contra as formas graves do VSR: a vacinação durante a gestação e os anticorpos monoclonais, como palivizumabe e nirsevimabe, aplicados diretamente nos bebês.A vacinação materna é uma das principais formas de prevenção, enquanto os anticorpos são indicados para grupos específicos de crianças com maior risco de agravamento, como prematuros de até 36 semanas e 6 dias e crianças de até 23 meses com determinadas comorbidades. Em alguns casos, as duas formas de proteção podem ser complementares, conforme a indicação médica.O VSR pode infectar pessoas de todas as faixas etárias, mas os lactentes, especialmente os menores de 6 meses, estão entre os mais vulneráveis às formas graves da infecção. Nesse grupo, o vírus é uma das principais causas de internação, com maior risco de complicações e morte entre prematuros e crianças com cardiopatias congênitas, Síndrome de Down, anomalias congênitas respiratórias, imunodeficiência, fibrose cística e doença neuromuscular.Eficácia do imunizanteDe acordo com o Ministério da Saúde, a eficácia da vacina foi comprovada em estudos clínicos, que mostraram eficácia de 81,8% na prevenção de doenças respiratórias graves causadas pelo VSR em bebês durante os primeiros três meses de vida.A proteção permaneceu significativa até os 180 dias, com redução de 69,4% dos casos. O estudo também apontou um perfil de segurança favorável tanto para as gestantes quanto para os bebês acompanhados desde o nascimento até os 2 anos.As pesquisas também mostram que a vacina VSR não aumenta o risco de complicações na gestação ou para o bebê. A possibilidade de parto prematuro foi cuidadosamente avaliada e não se confirmou, mesmo nos acompanhamentos após o início da aplicação em gestantes de vários países.Na rede pública de saúde brasileira, os dados epidemiológicos fornecidos pelo Ministério da Sáude mostraram um impacto imediato da incorporação da vacina no calendário das gestantes. No comparativo entre os primeiros semestres de 2025 e 2026, os registros de bronquiolite grave em bebês com menos de 6 meses caíram de 17.601 para 9.022 casos.Quando analisados os quadros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados especificamente pelo VSR, a queda foi de 52,5% (de 14.061 para 6.674 casos), acompanhada por uma redução drástica nas mortes de lactentes, que despencaram de 159 para 85 óbitos.