Em 2026, o estado de São Paulo reduziu em 55% a verba destinada às ações de implantação de sistemas de drenagem e combate a enchentes, conforme a Lei Orçamentária Anual (LOA). O montante previsto este ano é de R$ 140,8 milhões, ante R$ 314,8 milhões em 2025.A redução ocorreu na esteira dos cortes da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), que, em valores absolutos, é a pasta que teve queda orçamentária mais expressiva: de R$ 10,9 bilhões para R$ 8,8 bilhões — representando uma queda de 18,46%.Desde a última sexta-feira (11/9), já foram registradas 53 ocorrências relacionadas às fortes chuvas que atingem o estado. Os temporais deixaram ao menos três mortos, um desaparecido e nove feridos. No período, 313 pessoas ficaram desabrigadas e 1.509 desalojadas.3 imagensFechar modal.1 de 3Chuvas atingiram em maior intensidade as cidades no Vale do RibeiraReprodução/Defesa Civil2 de 3A cidade de Eldorado, interior paulista, ficou parcialmente submersa após as chuvas dos últimos diasReprodução/Defesa Civil3 de 3A cidade de Eldorado foi afetada pelas cheias do Rio Ribeira do Iguape Reprodução/Defesa CivilEm Jandira, na Grande São Paulo, um homem morreu após ser atingido por uma enxurrada, enquanto outro seguia desaparecido até a tarde de terça (15/9). Já em Itaquaquecetuba, também na região metropolitana, uma mulher foi encontrada morta em uma área alagada. No dia seguinte, os temporais levaram a outro óbito: um homem, vítima de um deslizamento de terra em São Bernardo no Campo, no ABC.O balanço oficial não considera como decorrentes das chuvas as seis mortes e dois feridos depois do desabamento de um prédio em construção na Penha, zona leste de São Paulo.Já os recursos para preparação para o desastre e capacitação, pesquisa e desenvolvimento da Defesa Civil foram diminuídos em 27%, de R$ 1,1 milhão para R$ 871 mil. Vale lembrar que, apesar dos valores previstos na LOA 2026, a verba pode ser complementada com emendas ou suplementação orçamentária ao longo dos meses.A gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) justifica o corte de verbas com uma “diversificação das fontes de recursos e de parcerias”. De acordo com o governo estadual, além de recursos próprios, o estado reúne recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), linhas de crédito da Desenvolve SP para municípios e grandes contratos de parcerias, como a concessão da Sabesp e a Parceria Público-Privada (PPP) para desassoreamento e manutenção dos rios Tietê e Pinheiros, ainda em andamento.Após temporais, governo de SP envia ajuda humanitária ao interior e litoralNa segunda-feira (14/9), o governo de São Paulo enviou ajuda humanitária ao Vale do Ribeira e à região de Itapeva, após os estragos causados pelas tempestades. No dia seguinte, a gestão estadual também decretou estado de emergência nas cidades de Registro, Ribeira, Iporanga, Barra do Turvo e Piracaia.Na véspera, Eldorado já havia tido o estado de emergência homologado. O município foi um dos mais afetados, após a cheia do Rio Ribeira de Iguape.De acordo com o governo estadual, a região do Vale do Ribeira já recebeu mais de 3,5 mil itens de ajuda humanitária para os municípios atingidos, entre colchões, cestas básicas e kits de higiene. Para atender as áreas afetadas, foram mobilizados 16 barcos e dois helicópteros Águia para acessar comunidades isoladas pelas enchentes.Na região, também foram montados 19 abrigos em seis municípios, localizados em ginásio de esportes, escolas, hotéis e igrejas. Leia também São PauloApós temporais, governo de SP envia ajuda humanitária ao interior e litoral São PauloGCM é “engolido” por cratera em meio a temporal durante transmissão ao vivo São PauloCidade fica embaixo d’água após chuvas e cheia do Rio Ribeira São PauloDesabamento em SP: corpos das 6 vítimas serão levados para a Bolívia A situação mais crítica foi registrada em Ribeira, que contabiliza 130 pessoas desabrigadas e 20 desalojadas.Em Itaquaquecetuba, um deslizamento atingiu seis residências e deixou 24 pessoas desabrigadas. Na noite de terça (15/9), a prefeitura decretou estado de emergência em diversas áreas da cidade atingidas pelas chuvas. A decisão, publicada no Diário Oficial do município, cita que o transbordamento do Rio Tietê, provocado pelas fortes chuvas, afetou bairros que ficam às suas margens, como Vila Maria Augusta, Vila Sônia, Fiorello e Vila Japão.Já em Apiaí, foram registrados 16 desabrigados e 12 desalojados. Tapiraí teve 24 desalojados; Jacupiranga, 18; Cotia, 12; Campos do Jordão, nove; Botucatu, cinco; Araçariguama e São Bernardo do Campo, três cada.Também foram registradas ocorrências em Mogi das Cruzes, Ilhabela, São Paulo e Jacareí, sem vítimas, desabrigados ou desalojados.O que diz o governo de SPEm nota, a gestão Tarcísio afirmou que trata o combate às enchentes de forma integrada, com ações de prevenção, drenagem, segurança hídrica e ampliação da resiliência dos municípios. Disse ainda que, desde 2023, já viabilizou mais de R$ 25 bilhões em investimentos, por meio da diversificação das fontes de recursos e de parcerias. “Os recursos contemplam um conjunto de grandes obras estruturantes e estratégicas, além de intervenções de drenagem e prevenção, destinadas a reduzir áreas de risco, ampliar a capacidade de resposta das cidades e mitigar os impactos dos eventos climáticos extremos”, seguiu. Leia a nota completa na íntegra:“O Governo de São Paulo trata o combate às enchentes de forma integrada, com ações de prevenção, drenagem, segurança hídrica e ampliação da resiliência dos municípios. Desde 2023, o Estado já viabilizou mais de R$ 25 bilhões em investimentos, por meio da diversificação das fontes de recursos e de parcerias, sob coordenação da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). Os recursos contemplam um conjunto de grandes obras estruturantes e estratégicas, além de intervenções de drenagem e prevenção, destinadas a reduzir áreas de risco, ampliar a capacidade de resposta das cidades e mitigar os impactos dos eventos climáticos extremos.Além do orçamento próprio, o Estado reúne recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), linhas de crédito da Desenvolve SP para municípios e grandes contratos de parcerias, como a concessão da Sabesp, que prevê R$ 260 bilhões de investimentos até 2060, e a PPP de R$ 9,5 bilhões, em andamento, para desassoreamento e manutenção dos rios Tietê e Pinheiros.No ano passado, o Estado concluiu investimentos em obras de maior porte, como o piscinão Jaboticabal, a canalização do Córrego do Antonico e o reservatório Franco Montoro. Para este ano, o orçamento prevê o início de projetos como os piscinões do Córrego Tapera Grande, em Francisco Morato, e a construção de dois novos piscinões localizados em Mauá e Santo André, a contenção da margem esquerda do Córrego Pirajuçara, que beneficia os municípios de Taboão da Serra e Embu das Artes, a atualização dos planos diretores de macrodrenagem do Alto Tietê e de São Luiz do Paraitinga e a obra de proteção de margem do Rio São Lourenço, em Miracatu, entre outras.Por meio da Defesa Civil do Estado, desde 2023 São Paulo também já investiu cerca de R$ 1 bilhão em prevenção e resposta a desastres, sendo R$ 506,3 milhões no programa SP Sempre Alerta, criado pela atual gestão para prevenir de forma integrada e reduzir impactos de desastres causados por chuvas extremas e incêndios. Os aportes também incluem R$ 319 milhões em 296 obras recuperativas em 213 municípios; R$ 145,2 milhões em 526 veículos e 1.847 equipamentos para os municípios, além de R$ 9 milhões em ajuda humanitária e R$ 16,4 milhões a 16 municípios atingidos por eventos climáticos extremos.O monitoramento foi reforçado com 12 sirenes em áreas de risco e dois radares meteorológicos. Só em 2026, foram emitidos 4.973 alertas (4.524 por SMS e 449 por Cell Broadcast). Desde 2023, a Defesa Civil do Estado também capacitou 19 mil agentes municipais”.