Com aproximadamente R$ 250 milhões em crédito, a suinocultura de Mato Grosso do Sul vem acelerando os investimentos em produção e estrutura e já apresenta o maior ritmo de crescimento do abate de suínos sob inspeção federal no país.Segundo Renato Spera, presidente da Asumas (Associação Sul-Mato-Grossense de Criadores de Suínos), cerca de R$ 250 milhões foram disponibilizados para financiar a expansão da atividade no estado, principalmente por meio do FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste). Além do crédito, os produtores também fizeram aportes próprios nas propriedades.De acordo com dados do (SIF) Serviço de Inspeção Federal, o número de animais abatidos no estado cresceu 16% entre janeiro e julho de 2026, em relação ao mesmo período do ano passado.O avanço ficou muito acima da média brasileira, que foi de 3,19% no período, e também superou estados tradicionais da atividade. O Rio Grande do Sul registrou crescimento de 5,6% e o Paraná, de 4,94%.Segundo Spera, o movimento é resultado de uma expansão planejada nos últimos anos, com participação de produtores, empresas e instituições financeiras. Leia Mais Brasil abate 2,4 milhões de bovinos em junho com liderança de Mato Grosso BNDES aprova R$ 72,5 milhões para projeto de suinocultura em Santa Catarina Produção de carne bovina e suína avança no 2º trimestre, aponta IBGE “É uma união de vários fatores. A gente tem um ambiente propício para esse crescimento, no qual os produtores enxergam um empreendimento para poder investir, ao ponto que também as empresas têm uma programação. Então é um crescimento calculado”, afirmou.O presidente da Asumas afirma que o planejamento começou há cerca de três anos e prevê um aumento de aproximadamente 50% no plantel produtivo até o fim de 2026, na comparação com o nível registrado naquele momento.“Um crescimento que foi medido que até o final de 2026 a gente ia crescer em torno de 50% do plantel produtivo de três anos atrás. E isso vem sendo desenhado até o momento”, disse.Mato Grosso do Sul ainda não está entre os maiores estados em volume absoluto de abates. Entre janeiro e julho, foram cerca de 2,1 milhões de suínos abatidos sob inspeção federal, colocando o estado na quinta posição nacional.Santa Catarina liderou o ranking, com 9,4 milhões de cabeças, seguido por Paraná, com 6,1 milhões, Rio Grande do Sul, com 6 milhões, e Minas Gerais, com 2,3 milhões.Na sequência aparecem Mato Grosso, com 1,6 milhão, e Goiás, com 900 mil animais. Enquanto a Região Sul ainda concentra 73,77% do abate nacional sob SIF, o Centro-Oeste responde por 15,99%, e o desempenho de Mato Grosso do Sul indica que estados fora do eixo tradicional começam a ganhar participação na produção nacional.No Brasil, foram abatidos 29,07 milhões de suínos sob inspeção federal entre janeiro e julho, alta de 3,19% em relação ao mesmo período de 2025. Já em julho deste ano, foram 4,49 milhões de animais abatidos, aumento de 5,92% em relação a junho e o maior volume mensal registrado em 2026.Sanidade e milho sustentam expansãoPara a Associação, o crescimento do setor no estado não depende apenas da disponibilidade de crédito. O status sanitário e a oferta de grãos são considerados dois dos principais fatores de competitividade.“O estado é livre de febre aftosa, a gente tem condições sanitárias que o mercado externo vê e reconhece. A gente tem milho suficiente para poder crescer na produção, na suinocultura”, afirmou Spera.A produção de milho do estado também favorece a expansão porque reduz a distância entre a produção do grão e a alimentação dos animais. Segundo o dirigente, ainda existe espaço para o avanço da agricultura e, consequentemente, para o fornecimento de insumos à cadeia de proteína animal.O cenário tem atraído novos investimentos de empresas e cooperativas. Para Spera, a combinação de disponibilidade de grãos, condições sanitárias, áreas para expansão e investimentos privados cria um ambiente favorável para o crescimento da atividade.Exportações Apesar do avanço produtivo, o mercado interno continua sendo o principal destino da carne suína de Mato Grosso do Sul. Segundo Spera, apenas 1,6% a 1,8% da produção estadual é destinada atualmente a outros países.Um dos projetos citados pelo setor é a Rota Bioceânica, que deverá criar uma ligação terrestre entre o Centro-Oeste e os portos do Chile, abrindo uma alternativa de acesso aos mercados asiáticos pelo Oceano Pacífico.“Eu costumo dizer que a gente fica, entre aspas, ‘ilhado’ no Centro-Oeste, mas com esse canal aberto, a gente vai ter uma economia aí de 12 até 17 dias de caminho para os países asiáticos”, disse.Na avaliação do presidente da Asumas, a nova rota pode tornar o estado mais competitivo nas exportações e estimular novos investimentos da indústria.O Paraguai também aparece como um possível mercado para a produção sul-mato-grossense. A Asumas já levantou produtores interessados em exportar carne suína para o país e trabalha no cadastramento de granjas junto aos órgãos responsáveis pela defesa sanitária e ambiental.O movimento ocorre em um momento de expansão da própria suinocultura paraguaia, com investimentos de empresas brasileiras no país. Segundo Spera, a proximidade geográfica pode criar oportunidades comerciais adicionais para produtores do Mato Grosso do Sul.Carne suína pode ganhar espaçoO crescimento da suinocultura também ocorre em um momento de valorização da carne bovina. Com a oferta mais ajustada de gado e preços elevados da arroba, a carne suína pode encontrar espaço adicional no consumo das famílias.Para Spera, a diferença de preços entre as proteínas pode favorecer a demanda por carne suína, especialmente nos momentos em que a carne bovina fica mais cara.“A carne suína tem essa vantagem de proporcionar ao consumidor final essa economia numa proteína muito saudável”, afirmou.A Asumas também trabalha em parceria com a ABCS (Associação Brasileira dos Criadores de Suínos) para ampliar o consumo no estado. A estratégia envolve ações de comunicação e informação sobre as características nutricionais da carne suína.Segundo Spera, 100% das granjas de Mato Grosso do Sul estão certificadas pelo Programa Asumas de Sustentabilidade. O projeto avalia as propriedades em seis eixos, incluindo aspectos ambientais, sociais e de biosseguridade.O programa prevê auditoria e avaliação das propriedades em 50 pontos.“Isso garante ainda mais a qualidade do nosso produto. O produtor faz seus investimentos para que as granjas sejam adequadas dentro de várias normas mundiais e nacionais”, afirmou.A avaliação inclui também aspectos relacionados à automação, bem-estar animal, sanidade e gestão das propriedades.Censo da SuinoculturaA Asumas também prepara o lançamento do Censo da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, previsto para a próxima quinta-feira (17), durante o VIII Fórum do Desenvolvimento da Suinocultura, em Dourados.O levantamento reúne respostas de produtores do estado em um questionário com 70 perguntas e busca traçar um diagnóstico econômico, produtivo e geográfico da atividade.A intenção é usar os dados para orientar políticas públicas, investimentos e novas estratégias de crescimento.Segundo Spera, o objetivo não é apenas identificar onde é possível aumentar o número de animais, mas também onde há espaço para melhorar a eficiência das propriedades.“Às vezes você, por uma questão de mercado, não pode crescer, mas tem que desenvolver alternativas, melhorias dentro da granja. Você implementa automação, melhora a parte social, sanitária, ambiental e o bem-estar animal”, concluiu.Rebanho de suínos no Brasil deve atingir 53 mi de cabeças até 2030