Trens turísticos ganham espaço em debate com BNDES e Caixa na Semana da Tecnologia Metroferroviária

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A participação inédita de BNDES e Caixa na 32ª Semana de Tecnologia Metroferroviária da AEAMESP abriu uma nova frente de diálogo sobre financiamento para a mobilidade e, sobretudo, para projetos de trens turísticos. O encontro, realizado em São Paulo entre 1º e 4 de setembro, permitiu aproximar o setor de duas das principais instituições públicas de fomento do País.Ao longo das apresentações, os representantes das entidades conheceram histórico, linhas de atuação e possibilidades de financiamento, enquanto a AEAMESP apresentou novas demandas. Para o presidente da associação, Ayrton Camargo, a iniciativa cumpriu exatamente o papel de reunir diferentes atores e criar caminhos para avanços concretos.Trens turísticos entram na pauta do financiamentoSegundo Ayrton, um dos resultados imediatos foi o início de uma aproximação para avaliar mecanismos de apoio aos trens turísticos, segmento que preserva o patrimônio ferroviário e pode gerar empregos e renda em diferentes regiões do Brasil. Ele observou que as apresentações do BNDES, da Caixa e do Ministério dos Transportes se concentraram principalmente nos grandes sistemas urbanos, metropolitanos e de carga.“Percebi um esquecimento desse segmento, talvez porque ele necessite de poucos recursos. As instituições de fomento trabalham com escalas muito grandes, porque os sistemas de metrô exigem investimentos elevados. Mas os trens turísticos possuem outras dimensões e demandas”, explicou.O presidente da AEAMESP citou a experiência de Passa Quatro, em Minas Gerais, como exemplo de impacto regional. No município, estações restauradas passaram a abrigar cooperativas de artesãos e de produtores de mel e queijo, enquanto o trem leva visitantes até esses espaços e movimenta a economia local.“É uma escala muito regional, mas extremamente relevante. O projeto organiza produtores em cooperativas, recupera as estações e leva público para consumir os produtos locais. O trem turístico articula cidades, preserva o patrimônio e gera emprego e renda nos rincões do Brasil”, destacou.A partir dessa constatação, a AEAMESP propôs uma aproximação entre as instituições de fomento e a Associação Brasileira das Operadoras de Trens Turísticos e Culturais (ABOTTC). A Caixa reconheceu a relevância da discussão, mas ponderou que qualquer atendimento ao segmento exigiria mudanças em suas políticas internas. O BNDES, por sua vez, manifestou disposição para iniciar a conversa e avaliar como projetos dessa natureza poderiam entrar em sua política de financiamento.BNDES e Caixa avaliam próximos passosA proposta não prevê a criação imediata de uma linha de crédito. O próximo passo sugerido por Ayrton envolve uma reunião entre AEAMESP, ABOTTC e BNDES para apresentar as características do setor, dimensionar as necessidades e estruturar uma proposta tecnicamente consistente.“O resultado objetivo foi abrir essa porta. O BNDES aceitou iniciar uma conversação para verificar como os trens turísticos poderiam ser considerados dentro de sua política. Agora, precisamos reunir as entidades e construir essa aproximação sem criar uma expectativa que ainda não é real”, ressaltou.Economista do BNDES há 22 anos e integrante do Departamento de Mobilidade Urbana, Luís Otavio Reiff recebeu a proposta e disse que levará o tema às instâncias superiores da instituição. Ele lembrou que, nos anos 2000, o banco contratou a UFRJ para elaborar um estudo com 64 possibilidades de trens regionais no Brasil.“Recebemos esse desafio com muito carinho. Estamos abertos a essa conversa e me coloco à disposição para levar a proposta internamente, até as instâncias superiores e a diretoria do banco”, afirmou Reiff.Natural de Recreio, na Zona da Mata mineira, Reiff também destacou sua ligação pessoal com a ferrovia. “Venho de uma região que sempre conviveu com os trens. Tenho muito orgulho dessa história, sou um entusiasta das ferrovias e torço para que os trens regionais possam se recuperar”, declarou.Ele acrescentou que qualquer financiamento precisa ter viabilidade econômica e respaldo técnico e financeiro. “Precisamos construir um caso robusto, bem formulado e formatado. A aproximação é muito satisfatória, e estamos abertos a realizá-la”, ressaltou.Diretor-presidente da Serra Verde Express, Adonai Arruda afirmou que a distância entre as linhas tradicionais de financiamento ferroviário e a realidade dos operadores turísticos ainda representa um desafio. Segundo ele, os mecanismos disponíveis foram estruturados principalmente para grandes operações de carga ou sistemas urbanos.“Foi mencionado um patamar mínimo de R$ 50 milhões. Para uma operação turística, muitas vezes não é necessário todo esse valor. O operador precisa contratar um financiamento que tenha condições de pagar. Não adianta receber R$ 200 milhões sem possuir viabilidade econômica para isso”, explicou.Adonai avaliou que a iniciativa da AEAMESP criou uma oportunidade para que os agentes financeiros conheçam melhor as particularidades do segmento e busquem soluções proporcionais ao porte e à capacidade de geração de receitas dos projetos. “Foi sensacional essa ponderação e a oportunidade de estarmos próximos dos agentes financeiros. Precisamos de valores e condições compatíveis com a realidade das operações”, acrescentou.A discussão também foi aprofundada no painel “Trens Turísticos: Desafios e Perspectivas”, realizado no último dia da Semana de Tecnologia Metroferroviária. Moderado por Ayrton Camargo, o encontro reuniu Adonai Arruda, Renato Rocha, do Instituto de Ferrovias, e Leandro Gorgonha, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).Para a AEAMESP, a aproximação iniciada no evento mostra que a convivência entre operadores, entidades técnicas, poder público e instituições de fomento pode gerar resultados que ultrapassam os próprios painéis. “Quando reunimos operadores, entidades técnicas, representantes do poder público e instituições de fomento, conseguimos analisar realidades que ainda não estavam contempladas e propor novos caminhos. Esse é um dos papéis mais importantes da Semana de Tecnologia Metroferroviária”, concluiu Ayrton.O post Trens turísticos ganham espaço em debate com BNDES e Caixa na Semana da Tecnologia Metroferroviária apareceu primeiro em Mobilidade Sampa.