Uma capivara no meio do deserto? Fóssil sugere que o Atacama já foi quente, úmido e cheio de água

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A descoberta de um dente fossilizado revelou que capivaras habitavam a região do Deserto do Atacama, no Chile, há cerca de 8,8 milhões de anos. O achado coloca em xeque a ideia de que uma das regiões mais secas do planeta sempre foi uma extensão árida.O molar foi encontrado em um depósito marinho de Bahía Inglesa, no litoral chileno. A presença do roedor semiaquático sugere que a área abrigava rios, vegetação e outros corpos de água doce em condições muito diferentes das atuais.Hoje extremamente árido, o Atacama pode ter sido atravessado por rios e outros corpos de água doce há milhões de anos. Imagem: Marek Piwnicki/PexelsUm fóssil inesperado na costa chilenaO Atacama é considerado a região continuamente seca mais antiga do planeta, com condições áridas que podem ter predominado ali nos últimos 40 milhões de anos. Encontrar o dente de um animal semiaquático nesse ambiente foi uma descoberta inesperada.Encontrar um dente de capivara em um depósito marinho naquela que hoje é uma das regiões mais secas da Terra é simplesmente bizarro.Priscilla Martinez, pesquisadora da Universidade do Arizona e uma das autoras do estudo, em nota.Ela também questionou como o animal poderia ter chegado à região:“Se as capivaras se originaram a leste dos Andes nessa região de sopé, como diabos esses roedores de pernas curtas conseguiram atravessar?”Como as capivaras chegaram ao Atacama?Uma das possibilidades é que as capivaras tenham atravessado a região central dos Andes, entre a Bolívia e o Chile, durante o Mioceno. Naquele período, segundo os pesquisadores, a porção norte da cordilheira pode ter sido mais baixa do que é hoje, o que teria facilitado a passagem desses animais.A hipótese considerada mais provável, porém, é diferente. Em vez de uma travessia pelas montanhas, as capivaras poderiam ter se espalhado por uma sequência de habitats adequados, que se estendia do noroeste da Amazônia até a costa do Pacífico. Assim, não seria necessário um único deslocamento por uma barreira tão difícil: os animais poderiam avançar gradualmente por ambientes favoráveis.Há outras pistas de que o cenário era bem diferente do atual. Fitólitos, restos de plantas preservados no solo, indicam que havia palmeiras em Bahía Inglesa durante o Mioceno. Somada à presença da capivara, essa evidência aponta para um Atacama muito mais quente e úmido há cerca de 9 milhões de anos.Segundo os pesquisadores, rios e outros corpos de água doce podem ter cruzado a região, criando condições adequadas para a vegetação e para grandes populações de animais semiaquáticos.A hipótese mais provável de como as capivaras chegaram à região, considera que habitats adequados conectavam o noroeste da Amazônia à costa do Pacífico. Imagem gerada por inteligência artificial-ChatGPT/Olhar DigitalO que a descoberta revela sobre o AtacamaO achado desafia a ideia de que o Atacama sempre foi seco e inóspito. A presença de uma capivara, animal semiaquático, junto de evidências de palmeiras indica que as condições ambientais da região eram consideravelmente diferentes no passado.Leia mais:Professor encontra quatro pegadas gigantes e pode ter descoberto uma trilha inédita de T-rex adultoT. rex era de sangue quente? Dentes fossilizados ajudam a responder um dos mistérios dos dinossaurosUm fóssil coletado na Antártida em 1985 ficou 39 anos numa gavetaO coautor do estudo, Mark Clementz, resumiu a relevância da descoberta:“Encontrar essa capivara – que eu acho que todos podem concordar que não é um animal do deserto de forma alguma – naquele local vai desafiar muitas das ideias sobre a história do Atacama.”O post Uma capivara no meio do deserto? Fóssil sugere que o Atacama já foi quente, úmido e cheio de água apareceu primeiro em Olhar Digital.