A reunião entre o Irã e países do Golfo, prevista para esta segunda-feira (14), em Omã, foi adiada. Ainda não há uma nova data anunciada para o encontro.A negociação reuniria representantes do Irã, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait para discutir uma possível saída para a crise no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio mundial de petróleo. O Bahrein havia informado que não participaria.O anúncio do adiamento foi feito neste domingo pelo ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi. Segundo ele, a decisão foi tomada “no interesse do consenso”. Um funcionário do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou ainda que Teerã e Mascate concordaram em postergar a reunião a pedido de alguns países da região. Até agora, não foi informado quais governos pediram o adiamento.A iniciativa do encontro partiu de Omã, que vem atuando como intermediário nas negociações envolvendo o Irã e a navegação pelo Estreito de Ormuz. A reunião não tinha como objetivo chegar imediatamente a um acordo definitivo para a reabertura completa do estreito. A expectativa era discutir diferentes propostas para a navegação e tentar construir um mecanismo temporário que permitisse uma circulação mais segura de embarcações pela região.Entre os temas em discussão estavam as formas de administração provisória do tráfego marítimo e possíveis alternativas de longo prazo. Mesmo que os países do Golfo e o Irã consigam chegar a um entendimento regional, qualquer solução mais ampla ainda depende das negociações entre Washington e Teerã, principalmente em questões relacionadas a sanções e garantias de segurança. E esse continua sendo um dos principais obstáculos.O Irã quer preservar um papel de controle sobre o Estreito de Ormuz e defende a possibilidade de cobrar determinadas taxas de embarcações que utilizem a rota. Omã se opõe a essa proposta. Teerã também insiste que uma reabertura mais ampla de Ormuz depende de ações dos Estados Unidos.O chanceler iraniano Abbas Araqchi já afirmou que, mesmo que exista um entendimento com Omã, o Irã não pretende reabrir completamente o estreito enquanto Washington não atender às condições apresentadas pelo governo iraniano. Ou seja, mesmo antes do adiamento, a reunião desta segunda-feira não representaria uma reabertura imediata de Ormuz. O objetivo era criar uma base para uma eventual solução futura.O Estreito de Ormuz é estratégico porque, antes do atual conflito, aproximadamente um quinto do petróleo consumido mundialmente passava por essa estreita faixa de água entre o Irã e Omã.A pressão sobre a região aumentou ainda mais neste fim de semana. Neste domingo, uma embarcação foi atingida por um projétil enquanto atravessava o Estreito de Ormuz. Houve incêndio e a tripulação precisou abandonar o navio. O Irã também informou que um de seus navios comerciais foi atingido perto da costa iraniana, deixando uma pessoa morta e quatro feridas.Ao mesmo tempo, a situação piorou do outro lado da Península Arábica. Os houthis, aliados do Irã no Iêmen, avançaram sobre áreas estratégicas próximas ao Estreito de Bab el-Mandeb, passagem que controla o acesso ao Mar Vermelho. O grupo capturou a ilha de Perim, localizada no meio dessa rota marítima.O avanço cria um problema adicional para os países do Golfo. Com Ormuz parcialmente bloqueado, a Arábia Saudita vinha utilizando sua infraestrutura terrestre e os portos no Mar Vermelho para desviar parte das exportações de petróleo. Mas o principal oleoduto leste-oeste saudita também foi atingido por drones na sexta-feira e precisou ser fechado temporariamente.Se as interrupções se prolongarem, uma parcela importante da oferta mundial de petróleo poderá ficar ameaçada. É justamente esse cenário que ajuda a explicar por que países tradicionalmente próximos dos Estados Unidos, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Kuwait, passaram a considerar negociações diretas com Teerã.Para esses governos, a preocupação central é garantir a própria segurança e manter o fluxo de petróleo e mercadorias enquanto não existe uma solução definitiva para o conflito.Donald Trump foi questionado neste domingo, durante sua passagem pela Irlanda, sobre a aproximação dos países do Golfo com o Irã. Perguntado se estava preocupado com a reunião, respondeu que a decisão cabia aos próprios países. “Eu não me importo. Isso depende deles”, disse Trump. O presidente acrescentou que, se os países conseguirem ficar satisfeitos com um entendimento, “tudo bem”.A declaração chama atenção porque Washington vem insistindo que o Irã não deve controlar o Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, aliados tradicionais dos Estados Unidos buscam canais próprios de negociação com Teerã.Com o adiamento anunciado neste domingo, a principal questão agora passa a ser quando Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Irã conseguirão voltar à mesa.A reunião prevista para segunda-feira poderia representar um primeiro passo para uma negociação regional sobre três questões fundamentais: quem administra o tráfego pelo Estreito de Ormuz, quais garantias de segurança serão oferecidas às embarcações e quais condições políticas e econômicas precisam ser cumpridas para que o fluxo comercial volte a aumentar.Por enquanto, porém, esse avanço ficou suspenso. Sem uma nova data anunciada, as negociações continuam nos bastidores, enquanto cresce a pressão sobre duas das rotas marítimas mais importantes do mundo: o Estreito de Ormuz e Bab el-Mandeb.