Mulheres são 10% dos motoristas de app enquanto plataformas ampliam serviços para passageiras

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As motoristas de app seguem minoria no Brasil, mesmo com a expansão de recursos voltados à segurança de passageiras por parte das plataformas de mobilidade. Um levantamento da Machine, baseado em corridas e entregas realizadas em 2024, 2025 e 2026 em todo o país, mostra que as mulheres representam apenas 10% a 11% dos profissionais de transporte por aplicativo e menos de 6% dos entregadores.No transporte de passageiros, a participação feminina caiu de 11,53% em 2024 para 11,21% em 2025 e 10,61% em 2026. Já no delivery, o índice subiu de 5,55% em 2024 para 5,85% em 2025, mas recuou para 5,76% em 2026.Ao mesmo tempo, empresas como Uber, 99 e BlaBlaCar ampliam soluções voltadas à segurança das mulheres, tanto para passageiras quanto para motoristas. A Uber, por exemplo, expandiu o Uber Mulher, funcionalidade que aumenta as chances de atendimento por condutoras mulheres.O movimento ocorre em um contexto de violência de gênero que influencia a forma como as mulheres circulam pelas cidades. Segundo dados citados no material, o Brasil registrou 1.470 feminicídios em 2025, enquanto pesquisa de 2026 do Instituto Cidades Sustentáveis indica que sete em cada dez mulheres que vivem nas grandes capitais brasileiras afirmam já ter sofrido algum tipo de assédio.Segurança no transporte e a busca por confiançaEmbora o transporte por aplicativo não explique esses números, ele integra o cotidiano em que a sensação de vulnerabilidade aparece com frequência. Por isso, as plataformas tentam disputar confiança com recursos como identificação do motorista, compartilhamento da viagem, canais de denúncia e modalidades exclusivas.A lógica também tem apelo comercial. Em um serviço que aproxima desconhecidos dentro de um mesmo veículo, qualquer mecanismo que reduza a percepção de risco pode influenciar a escolha da plataforma. Ainda assim, a ampliação dessas ferramentas evidencia um limite estrutural: a presença feminina na operação permanece baixa.Mulheres são 10% dos motoristas de app e enfrentam teto estruturalPara Júlia Camossa, estatística responsável pelo Data Machine, os dados sugerem estabilidade em patamares baixos. “A participação feminina na economia de plataformas mostra um padrão de estabilidade em patamares baixos, mesmo ao longo de diferentes ciclos de crescimento do setor. O que os dados sugerem não é uma expansão linear da presença de mulheres, mas uma espécie de teto estrutural, em que pequenas variações anuais não alteram a composição geral do mercado. Isso indica que o desafio vai além da entrada no sistema e envolve fatores como permanência, condições de trabalho, risco ocupacional e organização da atividade econômica, que continuam pesando de forma desigual sobre mulheres nesse tipo de ocupação”, afirmou.Na prática, a criação de filtros ou categorias específicas pode ampliar a sensação de segurança das passageiras. No entanto, essa estratégia não resolve sozinha a dificuldade de aumentar a oferta de profissionais femininas. Sem mais mulheres na operação, o setor encontra limites para atender à própria demanda por viagens mais seguras.Além da tecnologia, a equação envolve renda, condições de trabalho e percepção de risco. Assim, o avanço dos serviços voltados às passageiras expõe um desafio mais amplo: ampliar a participação feminina em uma atividade que ainda concentra majoritariamente homens ao volante e nas entregas.O post Mulheres são 10% dos motoristas de app enquanto plataformas ampliam serviços para passageiras apareceu primeiro em Mobilidade Sampa.