O que aprendemos em 20 anos de Movimento B

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Em 2006, quando o Movimento B surgiu nos Estados Unidos, a proposta de conciliar lucro e propósito parecia ingênua para muitos. No entanto, 81 empresas pioneiras assumiram o desafio de demonstrar a viabilidade desse modelo. A expansão global demonstra o alcance dessa proposta: vinte anos depois, o grupo evoluiu para uma rede com mais de 10.600 Empresas B Certificadas distribuídas por 104 países, gerando mais de um milhão de empregos. Além disso, suas metodologias de gestão de impacto já são aplicadas por mais de 400 mil organizações ao redor do globo.No cenário latino-americano, o Brasil consolidou uma atuação de destaque e introduziu novas prioridades. O ecossistema nacional reúne hoje mais de 300 Empresas B Certificadas localmente e cerca de 230 com certificação obtida internacionalmente e operação local, totalizando mais de 500 Empresas B Certificadas no país, abrangendo mais de 80 setores e 18 estados. Juntas, elas empregam mais de 70,4 mil profissionais e movimentam anualmente mais de R$ 100 bilhões.Foto: Sistema B BrasilContudo, a relevância do país vai além das métricas econômicas: foi do mercado brasileiro que emergiu a Natura, a primeira Empresa B de capital aberto no mundo. Além disso, a perspectiva sul-americana, fundamentada na conexão com saberes ancestrais e no respeito à biodiversidade local, deu origem a iniciativas globais, como a construção da estratégia global de Ação Climática, pela Natureza e Direitos Humanos e que resultou no programa internacional Empresas B pelo Clima. Leia também: 1.Mês das Empresas B: lideranças femininas e negócios de impacto 2.Empresas B têm novos padrões globais para certificação Outro grande  exemplo foi o lançamento do Guia Anti All-Washing em diversos países da América Latina e hemisfério norte, desenvolvido por empresas do Coletivo de Marketing B do Brasil. Essa trajetória também se reflete em resultados concretos. Conforme aponta o Relatório de Impacto B Lab mais recente, 95% das Empresas B superaram o período crítico da pandemia, em comparação a 88% das companhias tradicionais, demonstrando que a gestão pelo impacto contribui para a consolidação de negócios mais resilientes.O levantamento indica ainda um estudo realizado em parceria com o MIT, que demonstra que a adoção abrangente de suas diretrizes climáticas pelo setor privado poderia conter o aumento da temperatura global em 0,5 °C até 2100. Esses dados reforçam um dos aprendizados do Movimento B: a gestão orientada pelo propósito atua simultaneamente como mitigação de riscos e estratégia de longo prazo.Como parte dessa evolução, o B Lab estabeleceu novos padrões de certificação. O modelo anterior, pautado no acúmulo de pontos por ações socioambientais, evolui para um modelo baseado em  critérios obrigatórios divididos em sete Tópicos de Impacto, incluindo Propósito e Governança das Partes Interessadas, Ação Climática, Trabalho Justo, Direitos Humanos, Gestão Ambiental e Circularidade, Assuntos Governamentais e Ação Coletiva. Com essa reestruturação, diretrizes de justiça, equidade, diversidade e inclusão passam a figurar como pré-requisitos essenciais.Foto: Sistema B Brasil Leia também: 1.Natura se compromete a ser 100% regenerativa até 2050 2.3 caminhos para melhorar nossa relação com o planeta A evolução do processo engloba ainda a realização de auditorias por verificadores externos e independentes, além da recertificação, que deixa de ser um marco estático e passa a exigir um compromisso contínuo de aprimoramento. Em um cenário nacional em que a mensuração e a prestação de contas de impacto são em grande parte opcionais, esse novo modelo reforça a transparência como um diferencial estratégico de credibilidade.Nesse mesmo contexto, o Brasil assumiu a presidência da COP, após sediar a conferência em Belém, mantendo o mandato até novembro de 2026 – período que coincide com a fase de aplicação do Pacote de Belém, momento de converter compromissos em metas e planos executáveis. Foi durante a COP30 que o Movimento B apresentou seu manifesto coletivo cocriado com lideranças de impacto durante o Encontro+B Amazônia 2025, em Belém, demandando dos governos e das corporações uma atuação integrada frente aos desafios climáticos, ecológicos e sociais.Foto: Sistema B BrasilA premissa, vista como ingênua em 2006, completa duas décadas consolidada como uma pauta incontornável para o meio empresarial. O objetivo para os próximos anos é consolidar essa transformação, tornando o impacto positivo uma estratégia estrutural do mercado global.Conteúdo enviado por Cinthia Gherardi, CEO do Sistema B BrasilColunistas CicloVivo: Neste espaço, especialistas de diversas áreas compartilham opiniões e pontos de vista, que não necessariamente refletem o posicionamento do CicloVivo. The post O que aprendemos em 20 anos de Movimento B appeared first on CicloVivo.