Esta matéria faz parte da série “Tecnologias brasileiras que mudaram o mundo”, exclusiva para assinantes do Clube Olhar Digital.Internet, streaming, inteligência artificial. Tecnologias que provavelmente fazem parte do seu dia a dia. E que quando você pensa sobre épocas nas quais elas não existiam, deve se perguntar como as pessoas conseguiam viver sem elas. O Pix também é uma dessas tecnologias.Lançado em 2020 pelo Banco Central, o Pix é hoje o meio de pagamento mais usado no Brasil. Em pouco mais de cinco anos, a tecnologia brasileira mudou tudo no mercado. E deve continuar a ser aprimorada nos próximos anos.O desenvolvimento do PixTécnicos do Banco Central começaram a desenvolver o Pix em maio de 2018. A instituição lançou o sistema de pagamentos em novembro de 2020 – foram 31 meses de trabalho.“O Pix mudou a lógica do dinheiro no Brasil”, diz Murilo Rabusky, especialista em tecnologia financeira, em entrevista ao Olhar Digital.“Antes dele, uma transferência fora do horário bancário levava até um dia útil (DOC) ou tinha custo (TED)”, acrescenta Rabusky, que também é Diretor de Negócios na fintech Lina Open X. O Pix eliminou a espera. Ele funciona 24 horas por dia, todos os dias do ano, incluindo fins de semana e feriados. O dinheiro cai na conta em segundos e é totalmente gratuito para pessoas físicas.Murilo Rabusky, especialista em tecnologia financeira, em entrevista ao Olhar Digital.Mais de 170 milhões de pessoas físicas já fizeram Pix, segundo o Banco Central – Imagem: Iara Faga/Shutterstock“O ponto decisivo foi o desenho do sistema”, afirma Rabusky. “O Banco Central criou o Pix como infraestrutura pública, não como produto de um banco, como eram a TED, o DOC, o boleto e o cheque.”Na prática, isso obrigou as instituições, dos grandes bancos às fintechs, a operar sob as mesmas regras, no mesmo sistema, explica o especialista em tecnologia financeira.Para Gustavo Siuves, também especialista em tecnologia financeira, “o Pix criou uma camada que passou a conectar diferentes participantes e sobre a qual o mercado pôde inovar”.Tipos de PixO Pix é um sistema de pagamento instantâneo. Em outras palavras: é um caminho para você fazer o dinheiro cair na hora – seja no débito ou no crédito – na conta de quem você está pagando.Se você tem conta em banco, pode criar uma chave Pix. Essa chave pode ser um e-mail, seu CPF, o CNPJ da sua empresa, um telefone ou uma sequência aleatória de letras, símbolos e algarismos.Hoje em dia, você pode fazer Pix de várias formas. Por exemplo:Pix “tradicional”: transferência instantânea do dia a dia, em que o dinheiro sai na hora da sua conta após você informar chaves Pix (CPF, celular, e-mail ou chave aleatória) ou dados bancários do destinatário;Pix por aproximação: forma de pagar presencialmente apenas encostando o celular ou relógio inteligente na maquininha de cartão (usando a tecnologia NFC);Pix Agendado: programação de transferência pontual para ser feita numa data futura;Pix Agendado Recorrente: programar pagamentos periódicos de valor fixo, definindo a frequência (como semanal ou mensal) para que as transferências se repitam automaticamente;Pix Automático: funciona como débito automático para contas de consumo (luz, água, telefone) e assinaturas, no qual você autoriza a empresa uma única vez a fazer cobranças periódicas direto na sua conta;Pix no Crédito: fazer transferências usando o limite do seu cartão de crédito (à vista ou parcelado) – o destinatário recebe na hora e você paga na fatura;Pix Cobrança: modalidade voltada para gerar cobranças por QR Code ou código Copia e Cola;Pix Saque: retirar dinheiro físico em estabelecimentos comerciais ou caixas eletrônicos (você pode fazer Pix para o local sem precisar comprar coisas nele);Pix Troco: retirar dinheiro em espécie ao fazer uma compra presencial (você faz Pix com valor superior ao da compra e recebe a diferença em dinheiro no caixa).Desenvolvido no Brasil, o Pix é aberto e gratuito – Imagem: Olhar Digital via ChatGPTA chave Pix também simplificou o pagamento na prática. CPF, e-mail, celular ou uma chave aleatória substituíram dados bancários complexos. Pagar ou transferir dinheiro ficou tão simples quanto mandar uma mensagem. E a gratuidade para pessoas físicas removeu uma barreira que existia em outros meios de pagamento.Murilo Rabusky, especialista em tecnologia financeira, em entrevista ao Olhar Digital.Outro detalhe importante, este apontado por Siuves: o Pix passou a fazer parte de diferentes jornadas financeiras, tanto para empresas quanto para consumidores.“Surgiram novas formas de cobrança, pagamentos por QR Code, novas experiências no comércio e recursos voltados à recorrência e à aproximação”, observa o especialista.O método de pagamento mais usado no BrasilNão demorou para a tecnologia do Banco Central “pegar” entre brasileiros. Segundo o Banco Central, mais de 170 milhões de pessoas físicas já fizeram Pix. O número equivale a 80% da população brasileira. Hoje, é o sistema de pagamentos mais usado no país.“O Pix facilitou desde o pagamento de uma compra em uma loja até a divisão de uma conta entre amigos, o pagamento de um profissional autônomo, uma transferência para familiares ou o recebimento de dinheiro”, diz Siuves.A tecnologia também cumpre um papel de inclusão financeira, segundo Rabusky. “Facilitou o acesso a pagamentos digitais para quem não tinha cartão ou conta em banco tradicional; e deu a autônomos e pequenos negócios uma forma de vender e receber o dinheiro na hora, sem necessariamente ter que pagar por isso.”Pix é o método de pagamento mais usado no Brasil – Imagem: Blossom Stock Studio/ShutterstockGustavo Siuves, que é CRO na infratech Azify, acrescenta: “Um profissional pode receber um pagamento por Pix diretamente de um cliente sem precisar oferecer uma estrutura complexa de pagamento.”O diretor da fintech também apontou que o Pix também sustenta iniciativas mais amplas, como o Open Finance.“Dados de movimentação via Pix ajudam instituições a entender melhor a vida financeira de pessoas e empresas; e a construir crédito e produtos financeiros mais adequados a cada perfil”, explica o especialista.Em escala, o Pix também colocou o Brasil como referência em pagamentos instantâneos. É um sistema que outros países observam e estudam ao desenhar suas próprias infraestruturas.Murilo Rabusky, especialista em tecnologia financeira, em entrevista ao Olhar Digital.Leia mais sobre tecnologias brasileiras que mudaram o mundo:Chuveiro elétricoMotor flexRaio-XPróximos passos do PixO Banco Central trata o Pix como uma agenda evolutiva. Isso significa, segundo Rabusky, que “novas funções entram em produção por etapas, não como um projeto fechado”.Em 2025, por exemplo, o Banco Central lançou duas: o Pix Automático e o Pix por Aproximação. Em 2026, lapidou as funções.Outras que estão em desenvolvimento são o Pix Garantido (forma de parcelamento dentro do sistema) e o Pix Offline (permitirá transações sem conexão à internet).As próximas modalidades de Pix a serem lançadas pelo BC devem ser Garantido e Offline – Imagem: FotoField/Shutterstock“A frente mais significativa para os próximos anos, no entanto, é a internacionalização”, afirma o especialista. “Hoje, usar o Pix no exterior depende de acordos bilaterais entre instituições financeiras, já disponíveis em países como Argentina, Chile, Portugal e Espanha.”Rabusky continua: “O Banco Central estuda um passo além: conectar diretamente o Pix a sistemas de pagamento instantâneo de outros países, permitindo que um pagamento nascido no Pix converse nativamente com a infraestrutura de pagamento de outro país, sem depender apenas de acordos ponto a ponto entre bancos.”Para Siuves, o lançamento do Pix e os aprimoramentos trazem mais opções para o consumidor, cuja jornada financeira fica cada vez mais digital.O post ‘Mudou a lógica do dinheiro no Brasil’: conheça a história do Pix apareceu primeiro em Olhar Digital.