Especialista em gestão pública avalia impacto do aumento do Bolsa Família

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O governo federal anunciou um reajuste no Bolsa Família, elevando o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio de R$ 675 para R$ 777. O anúncio, feito a duas semanas das eleições, gerou debate sobre o timing da medida e seus efeitos sobre as contas públicas.A economista Deborah Bizarria avaliou, durante o CNN Hora H, o reajuste sob a perspectiva da gestão pública. Para ela, o objetivo do Bolsa Família é meritório, mas a discussão sobre como torná-lo mais eficaz foi negligenciada ao longo do mandato. “O governo teve ao longo de quatro anos contato com especialistas, contato com a evidência acadêmica de como poderia ser melhorado o Bolsa Família”, afirmou. “E o governo não tem discutido isso ao longo desse mandato inteiro e deixou para oferecer um aumento agora na eleição. Isso me deixou um pouco chocada”, declarou.Experiências estaduais e inclusão produtivaDeborah Bizarria destacou que, após o fim do governo anterior, houve avanços pontuais, como a revisão do Cadastro Único para corrigir distorções em cadastros de famílias uniparentais e a inclusão de mais pessoas em situação de pobreza no programa. No entanto, segundo ela, pouco foi feito desde então para aprimorar o Bolsa Família em nível federal. Leia Mais Reajuste do Bolsa Família terá impacto de R$ 5,8 bi em 2026 Algumas políticas sociais podem deixar de ser obrigatórias, diz Durigan Bolsa Família de agosto tem pagamentos iniciados; veja calendário A especialista ressaltou que governos estaduais de diferentes espectros políticos têm realizado experimentos de inclusão produtiva, combinando a transferência de renda com qualificação profissional e arranjos produtivos locais, iniciativas alinhadas às melhores evidências acadêmicas internacionais. “A maior parte dos beneficiários do Bolsa Família em idade para trabalhar quer trabalhar mais horas, mas geralmente faz isso de maneira informal para não perder o benefício”, explicou.Preocupação fiscal: cortes sem destinoDo ponto de vista fiscal, Deborah Bizarria afirmou que o problema central não é o aumento de gastos em uma política social específica, mas sim a ausência de indicação clara de onde os recursos serão cortados para compensar a despesa. Ela lembrou que, ao assumir o governo, Lula declarou ter se surpreendido com o volume de subsídios às empresas.“Os subsídios federais custam três vezes o Bolsa Família. É uma opção de onde tirar, mas nada também foi feito nessa direção”, pontuou. A especialista alertou ainda que o governo tem aumentado os gastos parafiscais, que ficam fora do arcabouço fiscal, dificultando a organização das contas públicas.Deborah Bizarria concluiu que a falta de disciplina fiscal tem consequências diretas para os mais pobres, ao pressionar a inflação e os juros. “Não tem como ter uma política social bem-sucedida, que gere prosperidade para as pessoas, sem ter um fiscal arrumado”, afirmou. Para ela, “o que mais preocupa é a sinalização da direção, de anunciar mais um pouco de gasto, sem dizer de onde é que vai sair esse recurso”. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.