A corrida presidencial entra na reta final com uma disputa cada vez mais apertada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Levantamentos recentes indicam proximidade entre os dois. No Datafolha divulgado na quinta-feira (17), Lula registra 39% das intenções de voto, contra 36% de Flávio, diferença dentro da margem de erro.Com a redução da distância, cresce também a busca pelo chamado voto útil. As campanhas dos dois primeiros colocados tentam conquistar eleitores de candidatos que aparecem atrás nas pesquisas, como Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).Na avaliação de Cristiano Noronha, vice-presidente da Arko Advice, a estratégia de Lula deve priorizar ações de alcance social para tentar direcionar o debate para uma agenda mais favorável ao governo.“Nessa reta final de campanha, o presidente Lula vai tentar imprimir uma agenda positiva. Já começou a fazer isso com a questão do reajuste do Bolsa Família.”Já Flávio deve concentrar seus ataques em assuntos que possam aumentar o desgaste do governo e de seus adversários políticos, segundo Noronha.“Flávio Bolsonaro vai insistir na agenda, tentando desgastar o governo, insistir na agenda de corrupção, continuar a explorar esse tema do INSS, do Banco Master, todos os problemas relacionados ao Supremo Tribunal Federal.”Nesse cenário, a crise no Supremo Tribunal Federal e os desdobramentos do caso Banco Master também passaram a ocupar espaço relevante na campanha. Uma pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (18) mostrou que 47% dos entrevistados afirmam que a crise na Corte terá alguma influência sobre a decisão do voto, enquanto 36% dizem que o impacto será grande.Para Paulo Ramirez, cientista político da ESPM, a turbulência envolvendo o Supremo pode fazer com que propostas semelhantes sobre mudanças na Corte apareçam em diferentes campos políticos.“O tema do STF, uma reforma do STF, principalmente da escolha dos juízes, tempo de mandato, limitações a decisões monocráticas, deverá acabar fazendo com que haja, inclusive, confluências entre os dois lados.”Ramirez também avalia que a proximidade do primeiro turno tende a elevar o nível de confronto entre os principais adversários.“A expectativa para estes últimos dias de campanha eleitoral […] é de que ocorram inúmeras acusações recíprocas, principalmente entre os dois candidatos que lideram as pesquisas, Lula e Flávio Bolsonaro.”O cenário mais polarizado também aumenta a pressão sobre Caiado, Cury, Renan e Zema. Os quatro tentam manter seus espaços e evitar a migração de eleitores para as candidaturas que ocupam as primeiras posições.Para Adriano Cerqueira, cientista político do Ibmec, o avanço de Flávio e a redução da vantagem de Lula já provocam mudanças nas estratégias das duas campanhas.“Estamos próximos da definição do primeiro turno e o que as pesquisas estão mostrando é uma situação de diminuição sensível da diferença do Lula para o Flávio Bolsonaro, principalmente no primeiro turno. […] Isso define os rumos das estratégias dos principais candidatos.”Cerqueira considera que Lula terá de intensificar os esforços para recuperar e mobilizar setores que historicamente formam sua base eleitoral.“Lula, por sua vez, vai ter que rearranjar a sua campanha, como já está fazendo, […] tentando realcançar a sua base, principalmente junto aos mais pobres.”A defesa da soberania nacional é outro assunto que pode ganhar força nos próximos dias. Lula participa na próxima semana da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e deve levar o tema ao discurso. A estratégia do petista é reforçar a posição contrária a interferências externas no processo político brasileiro, em meio às discussões sobre a atuação do governo de Donald Trump e seus reflexos na eleição.Com isso, a reta final tende a reunir diferentes frentes de disputa: voto útil, STF, Banco Master, corrupção, segurança pública, programas sociais e soberania nacional. Enquanto Lula e Flávio buscam ampliar a mobilização de suas bases, os demais presidenciáveis tentam conter a transferência de votos e manter espaço na corrida pelo Palácio do Planalto.