Mensagens obtidas pela Polícia Federal e juntada aos autos do inquérito que investiga a milícia privada “A Turma” citavam o empresário Lucas Kallas como “sócio” do banqueiro Daniel Vorcaro. Réu por organização criminosa e lavagem de dinheiro e parceiro do Sicário, Bruno Corrêa Lopes disse a um dos alvos da Compliance Zero que “Henrique e Kallas” seriam os próximos alvos da Polícia Federal e que o empresário já havia “vazado”.As conversas são de 6 de março de 2025, diz em que Daniel Vorcaro e o “Sicário” Luiz Phillipi Mourão foram presos. Após ser procurado por um jornalista, Bruno Corrêa escreveu para Manoel Mendes Rodrigues, o Manolo Dom, que viria a ser preso na sexta fase de Compliance Zero, apontado como como o líder do braço operacional da Turma no Rio de Janeiro.“Informação segura de que o HV é o próximo e a Natália tornozeleira“, escreveu Bruno, provavelmente em referência a Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, e Natália Vorcaro, casada com o pastor Fabiano Zettel. Leia também Tácio LorranVorcaro reservou mansão de R$ 250 milhões para ministro “KN” no Carnaval BrasilEx-parceiro de Vorcaro passou R$ 5 milhões a instituto criado por Mendonça Milena TeixeiraPublicitário ligado a Vorcaro estampa “adesivaço” de Flávio em carrão Ele continua, aparentemente compartilhando as mensagens trocadas com um interlocutor não identificado pela Polícia Federal. “Temos pouco tempo. Muito pouco”, diz Bruno. “Disse que o Henrique é kallas próximos (sic)“, aparece na mensagem seguinte, encaminhada. Bruno continua: “Kallas tá longe. Vazou“. Novamente aparece uma mensagem encaminhada: “É mas vira foragido“.Manolo indica não conhecer o citado: “Esse não é o tal do Pf do Felipe não, né?”. Bruno explica que o policial federal já foi (preso) e se chama Marilson. E esclarece: “Kallas é um bilionário sócio dele na mineração e no hospital“.E complementa dizendo: “Contratou a mulher do careca e vazou“. Um mês antes havia sido noticiado, inclusive pelo Metrópoles, que Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, fora contratada para fazer a defesa de Lucas Kallas em um processo que corre no STF.A Polícia Federal diz que o Kalas citado faz “provável referência a Lucas Pedro Kallas, dono da empresa Cedro Participações, voltada a atividades de mineração“. Fontes abertas, segundo a PF, apontam que Kallas já foi investigado pela PF além de ter sido sócio de Vorcaro em alguns negócios.Nesta quinta-feira (17/9), o UOL revelou que o Instituto Iter, vinculado ao ministro André Mendonça, recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, holding patrimonial de Lucas Kallas. Segundo o UOL, o repasse foi acertado em abril de 2024, em contrato de mútuo conversível, uma espécie de empréstimo que pode ser pago com participação societária no instituto.Sempre de acordo com o site, o Iter, porém, decidiu interromper os repasses e iniciar a devolução dos recursos à Cedro em janeiro deste ano, um mês antes de André Mendonça ser sorteado relator das investigações sobre o Master e dois meses antes da mensagens reveladas nesta reportagem da coluna.Ao UOL, o Iter negou que Daniel Vorcaro tenha participado das tratativas e disse que não conhecia outras “relações societárias ou empresariais eventualmente mantidas pela Cedro Participações ou pelo senhor Kallas”. Também afirmou que o contrato previa que todo o valor do empréstimo seria utilizado para investir na estruturação e nas atividades do Iter.O que dizem o Iter e a CedroEm nota, o Iter afirma que nem André Mendonça nem Lucas Kallas participaram da discussão dos termos, valores ou da assinatura do contrato.O Iter destacou que o montante integral foi depositado na conta da pessoa jurídica, com destinação exclusiva para a estruturação e operacionalização do instituto, sob acompanhamento contábil e fiscal. Por ser uma sociedade anônima, a entidade ressaltou a obrigatoriedade da escrituração regular e reiterou que jamais realizou distribuição de lucros, dividendos ou participações nos resultados a acionistas, sócios ou administradores.O instituto pontuou ainda que, no período em que André Mendonça integrou a entidade, a atuação dele restringiu-se ao magistério no âmbito acadêmico, sem o recebimento de qualquer contrapartida financeira.Em relação à Cedro Participações, o Iter argumentou que, na época da assinatura, Lucas Kallas integrava o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da Presidência da República e não possuía impedimentos legais.A instituição ressaltou que eventuais desdobramentos posteriores não afetam a licitude do contrato de empréstimo e negou qualquer tipo de relação com o Banco Master ou com Daniel Vorcaro.Em nota, a Cedro Participações nega qualquer sociedade com Vorcaro e diz que a aproximação com empresas do grupo dele decorre apenas de investimentos comuns em companhias abertas. A Cedro afirma que a aquisição de participações em companhias de capital aberto “não configura sociedade comercial”.