Nos Estados Unidos, os rendimentos do título do Tesouro de 10 anos opera no maior nível desde 2007 nesta terça-feira (15).Mais cedo, o rendimento do título referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito atingiu 5,041%, ultrapassando o pico de 2023 alcançado na véspera.A disparada do juros tem por trás uma combinação de fatores: preocupações com o cenário fiscal norte-americano, disparada dos preços do petróleo, pressão inflacionária e perspectiva de juros elevados por mais tempo na maior economia do mundo. Mas, na avaliação do banco holandês ING, “não há motivo para pânico”. Nas contas dos analistas, um rendimento de 5% representa um prêmio ‘tolerável’ de 50 pontos-base sobre o limite superior da estimativa para a taxa neutra dos títulos de 10 anos, entre 4% e 4,5%. O banco já trabalha com a possibilidade de o rendimento do Treasury de 10 anos atingir 6% no curto prazo.Impacto no câmbioO desempenho dos títulos do Tesouro dos EUA também determina o ‘valor’ do dólar no mercado internacional, sendo considerado também como custo de oportunidade de investimento em dólar.Isso porque, em linhas gerais, os Treasuries são considerados o investimento mais seguro do mundo, pelo fato de o governo dos EUA nunca ter dado calote na história e ainda ser o emissor da moeda — no caso, o dólar.Ou seja, ao comprar Treasurys o investidor empresta dinheiro para o governo dos Estados Unidos, com a perspectiva de receber algum retorno financeiro nesses períodos, dada uma taxa negociada diariamente.Para o ING, o nível atual do rendimento de 10 anos representa um “limite de dor” no câmbio para o Tesouro norte-americano, já que a recompra de US$ 6 bilhões em títulos de longo prazo ficou aquém da expectativa do mercado. “Isso significa que qualquer nova intervenção tem uma barreira claramente mais alta”, avalia Francesco Pesole, estrategista de câmbio do banco em relatório enviado a clientes nesta terça-feira.“Vale lembrar que recompras maiores e não programadas de Treasuries tendem a ser negativas para o dólar, independentemente de sua eficácia em limitar a alta dos rendimentos”, acrescenta o especialista. Na visão dele, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, pode estar disposto a deixar uma forte queda nos títulos, impulsionada em grande parte pelo petróleo, “seguir seu curso, talvez contando com a provável alta de juros do Fed nesta semana para, ao menos, evitar que as expectativas de inflação saiam de controle”. Amanhã, o Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) divulga uma nova decisão de política monetária. A aposta majoritária do mercado é de alta de 25 pontos-base, o que levaria os juros para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano. Para o ING, o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes como euro e libra, atinja 100 pontos no curto prazo. Por volta de 9h45 (horário de Brasília), o DXY operava a 99,584 pontos (+0,19%).