A disparada dos custos de frete marítimo e do petróleo está criando uma nova divisão entre as mineradoras e siderúrgicas brasileiras. Conforme aponta análise do Goldman Sachs, algumas empresas contam com contratos de longo prazo e proteção contra oscilações de custos, mas outras estão totalmente expostas ao mercado à vista, tornando seus resultados cada vez mais sensíveis ao comportamento das commodities.Em relatório, a equipe de análise do Goldman Sachs analisou como variações nos preços do minério de ferro, do petróleo, do frete marítimo e do câmbio afetam as empresas latino-americanas do setor de mineração, com foco em Vale (VALE3), CSN Mineração (CMIN3) e Usiminas (USIM5). A conclusão é que a sensibilidade aos preços das commodities tornou-se ainda mais relevante em um cenário de minério próximo de US$ 95 por tonelada, fretes perto dos maiores níveis da última década e petróleo acima de US$ 100 por barril.Segundo os analistas, o frete spot da rota Brasil-China atingiu cerca de US$ 40 por tonelada, mais de 100% acima da média dos últimos dez anos, enquanto o Brent chegou a US$ 103 por barril. O resultado foi uma forte compressão das margens para produtores sem hedge ou contratos logísticos de longo prazo.Vale é a mais protegidaEntre as empresas analisadas, a Vale (VALE3) aparece como a mais resiliente.O Goldman Sachs destaca que aproximadamente 75% dos volumes de exportação da companhia estão vinculados a contratos logísticos de longo prazo, com custos estruturais significativamente menores do que os praticados no mercado spot. Além disso, a mineradora possui hedge de cerca de 70% da exposição ao petróleo em 2027.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta quintaÍndices futuros avançam, um dia após Fed elevar taxas de juros Essa proteção reduz significativamente o impacto da escalada do frete e do combustível sobre os resultados.Mesmo assim, o banco calcula que o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) projetado para 2027 poderia ficar 15% abaixo do consenso de mercado caso prevaleçam as condições atuais de frete, minério e petróleo. No cenário baseado nas curvas futuras, o impacto seria mais modesto, de cerca de 3%.O Goldman estima ainda que o ponto de equilíbrio operacional da Vale para minério de ferro fique em torno de US$ 63 por tonelada no cenário spot, bem abaixo dos níveis observados para concorrentes domésticos.CSN Mineração é uma das mais expostasO cenário é diferente para a CSN Mineração (CMIN3), uma vez que a companhia possui exposição integral ao frete marítimo spot e não conta com proteção para os custos de energia. Além disso, cerca de 30% dos volumes comercializados dependem da compra de minério de terceiros.Com frete de US$ 40 por tonelada e petróleo acima de US$ 100 por barril, o custo total entregue na China sobe para níveis próximos de US$ 97 por tonelada, praticamente eliminando a rentabilidade do negócio de mineração.Nas estimativas do Goldman Sachs, o EBITDA da divisão de mineração da empresa pode sofrer impacto de até 109% em 2027 no cenário spot, chegando a território negativo. O ponto de equilíbrio operacional sobe para cerca de US$ 97 por tonelada, praticamente alinhado ao preço atual do minério. O banco mantém recomendação de venda para a companhia.Usiminas sente pressão duplaPara a Usiminas (USIM5), a vulnerabilidade aparece principalmente no braço de mineração. O Goldman observa que a companhia também possui exposição integral ao frete spot e não conta com hedge para custos energéticos. O banco lembra ainda que a empresa já suspendeu operações na mina de Samambaia, reduzindo em cerca de 30% sua capacidade de produção.No cenário atual, os analistas estimam que a operação de mineração da Usiminas apresente EBITDA negativo tanto nas condições spot quanto em boa parte das curvas futuras. O preço de equilíbrio da operação pode chegar a US$ 115 por tonelada em 2027, valor significativamente superior às cotações atuais do minério.Apesar disso, o Goldman mantém recomendação de compra para a ação, argumentando que o negócio de aço continua sendo o principal gerador de resultados da companhia e que parte desses riscos já está refletida nas cotações.Commodities definem vencedores e perdedoresA análise é reforçada por outro estudo recente do banco, que mostra que o custo marginal global do minério de ferro subiu para cerca de US$ 95 por tonelada, contra aproximadamente US$ 75 registrados em 2024. A combinação de fretes elevados, combustíveis mais caros, exaustão de minas e queda dos teores metálicos elevou significativamente os custos da indústria.O Goldman calcula que mais de 200 milhões de toneladas de produção global já operam com rentabilidade muito limitada ou negativa em preços próximos de US$ 95 por tonelada.Ao mesmo tempo, as perspectivas para o frete seguem desafiadoras. O banco acredita que a oferta global de navios continuará apertada até pelo menos 2028, enquanto o aumento das exportações de bauxita da Guiné e o avanço do projeto Simandou sustentam a demanda por embarcações do tipo Capesize.The post Minério, frete e petróleo: quem sofre mais entre Vale, CSN Mineração e Usiminas? appeared first on InfoMoney.