Gilmar Mendes defende Gonet e ataca Mendonça: "Não é magistrado imparcial"

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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a exposição pública do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após o levantamento do sigilo de relatório da Polícia Federal no âmbito do Caso Master.O ministro defendeu Gonet e afirmou que as conversas, extraídas do celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, não contêm qualquer indício de prática ilícita.Para o decano do STF, a divulgação dos diálogos teria causado um dano à reputação de Gonet que não poderá ser reparado posteriormente por uma manifestação em plenário.“Reputação ilibada”Gilmar afirmou ainda na rede social X que Gonet tem “reputação ilibada” e uma trajetória pública marcada pela lisura, características que, segundo o ministro, são reconhecidas tanto por seus apoiadores quanto por seus críticos.Na avaliação de Gilmar Mendes, a gravidade do episódio aumentou porque, na terça-feira (15/9), o próprio relator do caso, ministro André Mendonça, reconheceu em plenário a conduta de Gonet e admitiu que não havia nada contra o procurador-geral. Leia também Blog do NoblatO cálculo do 7 de Setembro: Gilmar acusa manobra de Mendonça na eleição BrasilAos gritos, Mendonça e Gilmar Mendes batem boca no STF: “Pode chorar” Brasil“Até a máfia tem ética”, diz Gilmar sobre atuação de Mendonça no STF Manoela AlcântaraGilmar e Mendonça batem boca: “Quem não se dá respeito não merece respeito” “Então por que expor?”, questionou o ministro decano.Para Gilmar, uma manifestação posterior em defesa da honra de alguém não elimina os efeitos de uma exposição anterior. “Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário”, afirmou.Vídeo de MendonçaO ministro também criticou a divulgação, por André Mendonça, de um vídeo nas redes sociais em que agradecia o apoio popular recebido durante o episódio.Para Gilmar Mendes, a publicação evidenciaria uma tentativa de obter ganhos políticos com o caso. Ele questionou qual seria o sentido de comemorar o apoio a uma iniciativa que não apresentava fundamento contra Gonet.“Pixuleco eleitoral”Gilmar afirmou ainda que esse comportamento seria incompatível com a atuação de um magistrado imparcial e classificou o relator como um “boneco de campanha” e um “pixuleco eleitoral”.Na sequência, o ministro comparou o episódio aos procedimentos adotados durante a Operação Lava Jato.Segundo ele, os então integrantes da força-tarefa Deltan Dallagnol e Sergio Moro teriam usado vazamentos seletivos como método para produzir repercussão pública antes do julgamento dos casos.Na avaliação de Gilmar, essa estratégia teria como consequência a formação de um julgamento antecipado pela opinião pública, dificultando o exercício do direito de defesa e comprometendo a presunção de inocência.O ministro também questionou o momento em que informações sigilosas foram divulgadas. Ele afirmou que, durante a Lava Jato, episódios semelhantes ocorreram a poucas semanas das eleições e comparou a situação ao levantamento de sigilo ocorrido em 2026, às vésperas do 7 de Setembro.Gilmar acredita que a divulgação nesse período teve potencial para gerar repercussão nas ruas e produzir “dividendos políticos”, além de atingir reputações e intimidar pessoas que se opõem ao método criticado por ele.Ao final, Gilmar Mendes defendeu que instituições públicas devem respeitar o devido processo legal desde o início de qualquer investigação ou procedimento.“A instituição séria respeita o devido processo desde o primeiro ato”, afirmou.O ministro encerrou a manifestação prestando solidariedade a Paulo Gonet e disse que o Brasil e as instituições seriam “devedores da coragem, da seriedade e da correção” do procurador-geral da República.