IA reconhece marcas, mas indica concorrentes em 89% das buscas.

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A inteligência artificial sabe descrever a maioria das empresas, mas raramente as indica na hora da decisão de compra. Pesquisa da agência Victorious com 175 marcas em oito plataformas de IA revelou que 96% das empresas são identificadas corretamente em buscas diretas pelo nome. No entanto, 89% delas nunca aparecem quando o usuário faz perguntas de intenção de compra, como ‘qual o melhor software de gestão?’ ou ‘qual clínica escolher?’.Outro levantamento aponta cenário semelhante: apenas 11,9% das marcas são recomendadas espontaneamente pelo ChatGPT em respostas comerciais. Os 88,1% restantes ficam de fora das listas apresentadas aos usuários.O papel da mídia conquistadaA transição da busca tradicional para assistentes generativos alterou a dinâmica de visibilidade digital: o processo de escolha ocorre antes do clique, dentro do próprio ambiente de conversação.O estudo Generative Pulse, da plataforma Muck Rack, que analisou mais de 25 milhões de links citados por ChatGPT, Claude e Gemini em 17 setores econômicos, constatou que o ChatGPT inclui fontes em 96% das respostas, enquanto o Gemini o faz em 82% dos casos.A pesquisa revelou ainda a preferência dos algoritmos:84% das citações nas IAs têm origem em mídia conquistada (reportagens jornalísticas, pesquisas independentes e conteúdos editoriais). O índice variou entre 82% e 89% em três edições consecutivas da análise.O jornalismo responde isoladamente por 27% de todas as referências. No segmento B2B, 63% das menções em rankings de ferramentas vêm de comparativos editoriais da imprensa.Conteúdos publicados nos últimos 30 dias têm 3,2 vezes mais chances de serem citados em comparação com materiais antigos.Conteúdos pagos e publieditoriais somam apenas 0,3% das fontes citadas.Comunicados de imprensa distribuídos via wires representam entre 0,04% e 0,2%.Os sites institucionais das próprias marcas, foco da maior parte do orçamento de marketing digital, compõem menos de 4% das referências usadas pelos assistentes.Reflexo no tráfego e nas vendasA presença nas respostas das IAs já produz impactos mensuráveis no desempenho comercial. Levantamento da SimilarWeb indica que marcas recomendadas pelo ChatGPT registram um aumento de 2,5 vezes no volume de acessos ao site nos sete dias seguintes em relação a concorrentes não citados.O fluxo ocorre de forma indireta: 55,9% dos usuários pesquisam o nome da marca nos buscadores após lerem a sugestão no assistente. Esses visitantes navegam pelo dobro de páginas, passam o dobro de tempo no domínio e apresentam taxa de conversão duas vezes superior à do tráfego orgânico convencional.No setor financeiro norte-americano, por exemplo, 7,2% dos usuários que receberam recomendação da American Express acessaram o site da instituição na sequência, contra 3,1% no caso da Capital One.A ascensão do GEO e a barreira de entradaDiante dessa mudança, a consultoria Gartner projeta que os investimentos em relações públicas e mídia conquistada devem dobrar até 2027, impulsionados pela substituição gradual dos mecanismos de busca tradicionais pelas plataformas generativas. Atualmente, 73% dos profissionais de comunicação já incluem a Otimização para Motores Generativos (GEO, na sigla em inglês) em suas estratégias.A consolidação, contudo, exige histórico. Apenas 36 marcas globais mantêm presença simultânea entre as 100 mais citadas no ChatGPT, Gemini, Google AI Mode e AI Overviews. Os dados mostram um efeito cumulativo: empresas com menos de 2 mil menções em fontes editoriais externas atingem taxa média de 3% de citação em IA. Já organizações com mais de 30 mil menções saltam para 64% de presença nas respostas.Fonte: Muck Rack, Victorious, Gartner, SimilarWeb e Ahrefs