Entidade de tiro beneficiada com emendas dos deputados federais Mario Frias (PL-SP) e Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) utilizou a verba recebida com contratações irregulares. A Associação Nacional Rifle (ANR) pagou R$ 920 mil a empresas que têm o próprio presidente da entidade como sócio.A ANR recebeu R$ 1 milhão após firmar termo de fomento com o Ministério do Esporte, a fim de viabilizar um projeto para incentivar o esporte de tiro ao prato em Saltinho (SP). Mais da metade dos recursos provém de indicação do deputado federal Mario Frias ao orçamento da União em 2025.5 imagensFechar modal.1 de 5O deputado federal Mario FriasReprodução/ Redes sociais2 de 5Deputado Mario Frias (PL-SP)BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto3 de 5Deputado Mario Frias (PL-SP)BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto4 de 5O deputado federal Mario Frias (PL-SP)Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil5 de 5Deputado Mario Frias (PL-SP)Isac Nóbrega/PRApós receber o montante, a associação utilizou quase 90% do dinheiro para a contratação de duas empresas ligadas a Rafael Buscariol Zampaulo, que preside a ANR. A Company Thzt Security LTDA recebeu R$ 527 mil, enquanto o Clube de Tiro Desportivo Red Neck LTDA recebeu R$ 392 mil.Ambas as empresas beneficiárias têm como um de seus sócios-administradores o próprio Rafael Zampaulo, conforme registro da Receita Federal. Os repasses estão ligados a gastos como a aquisição de materiais para viabilizar o projeto e contratação de pessoal.Rafael Zampaulo, presidente da ONG que recebeu os recursos e, em seguida, mandou dinheiro para próprios clubes de tirosNotas fiscais remetidas ao Ministério do Esporte e obtidas pela coluna detalham a utilização dos recursos. Entre outros gastos, cerca de R$ 200 mil foram utilizados na aquisição de 10 máquinas lançadoras automáticas e R$ 62,4 mil na compra de óculos de proteção balística.Os documentos apontam também a utilização de R$ 90 mil para aquisição de munições calibre 12. A associação também pagou a uma das empresas ligadas ao presidente R$ 110 mil por 72 diárias de estande de tiros e R$ 45,4 mil pela locação de dez espingardas.A contratação vai de encontro ao que diz o termo de fomento, que prevê expressamente que a execução do instrumento observará o princípio da impessoalidade. Trata-se de um princípio da administração pública previsto na Constituição Federal.Ao firmar o termo de fomento, o presidente da Associação Nacional Rifle também assinou declaração de que não contrataria com recursos da parceria “empresas que sejam do mesmo grupo econômico” e que “tenham participação societária cruzada”, bem como não “pertençam ou tenham participação societária de parentes de dirigentes ou funcionários da entidade, possuam o mesmo endereço, telefone e CNPJ”.Em nota enviada à coluna, o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança afirmou que a indicação dos recursos ocorreu com base na finalidade pública e nos critérios técnicos apresentados. “A execução financeira, as contratações e a prestação de contas são de responsabilidade da entidade executora, sujeitas à fiscalização dos órgãos competentes”, destacou.“Diante das informações apresentadas pela reportagem, o deputado cobrará do Ministério do Esporte esclarecimentos sobre a fiscalização e a regularidade da execução dos recursos. Caso seja constatada qualquer irregularidade, defende a apuração e responsabilização dos responsáveis”, completou.A coluna procurou o presidente da ANR e o deputado Mario Frias, mas não houve retorno. O espaço segue aberto.O que diz o Ministério do EsporteÀ coluna, o Ministério do Esporte afirmou que tomou conhecimento, por meio da imprensa, das possíveis irregularidades envolvendo empresas contratadas pela entidade parceira.“A prestação de informação ou declaração falsa acarretará a responsabilização civil e criminal da entidade e de seus responsáveis. Caso as irregularidades sejam confirmadas, o Ministério adotará as medidas administrativas cabíveis, incluindo a glosa das despesas, a devolução dos recursos, a reprovação das contas e a instauração de Tomada de Contas Especial”, destacou.Ainda segundo a pasta, caso as irregularidades sejam confirmadas, também serão encaminhadas representações aos órgãos de controle, ao Ministério Público e à Polícia Federal, para a apuração das responsabilidades nas esferas competentes.“O Ministério do Esporte reafirma seu compromisso com a transparência, a fiscalização e a correta aplicação dos recursos públicos”, completou.Operação contra Mario FriasNessa quinta-feira (10/9), o deputado Mario Frias foi alvo de mandado de busca e apreensão. A medida foi determinada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de inquérito que apura a relação entre emendas parlamentares e o custeio do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.Após a operação, Mario Frias negou quaisquer irregularidades. “Vou colaborar com tudo que for pedido, vou entregar cada documento e vou seguir na rua, mantendo a minha agenda, representando o São Paulo e apoiando o meu presidente Flávio Bolsonaro. A paz eu já tenho. A verdade o tempo traz”, afirma o deputado Mario Frias.A Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal (PF), cumpriu 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará.