A informação sobre saúde chega hoje aos mais jovens muitas vezes antes de chegar a qualquer consultório. Aparece num vídeo de poucos segundos, numa publicação partilhada entre amigos, na recomendação de um influenciador ou numa sequência de conteúdos que o algoritmo decide que merece mais alguns segundos de atenção. É nesse espaço, onde informação rigorosa e desinformação convivem sem grandes sinais exteriores que as distingam, que nasce o «Tipo o Quê…», um novo canal digital dedicado à ciência e à literacia em saúde.A iniciativa é lançada esta terça-feira, 15 de setembro, a partir das 18h, no Instagram e no TikTok, e dirige-se sobretudo a adolescentes e jovens adultos. A proposta é levar informação sustentada em evidência científica para as plataformas que estes públicos já utilizam, mas fazê-lo através de formatos curtos e de uma linguagem próxima da sua realidade.O projecto foi criado pela jornalista Marta Atalaya e por Tiago Correia, professor de saúde pública, e parte de uma preocupação simples: a existência de informação científica não significa necessariamente que essa informação esteja a chegar às pessoas que dela precisam, muito menos que seja compreendida ou utilizada para tomar decisões.«Sentimos que faltava, nas redes sociais que os jovens mais consomem, conteúdo de saúde que fosse ao mesmo tempo rigoroso e próximo da sua realidade», explicam os autores. O «Tipo o Quê…» procura, por isso, «juntar o rigor da ciência à linguagem e aos formatos que os jovens já usam todos os dias», para que possam tomar decisões mais informadas sobre a sua saúde.Um tema por semana, da saúde mental ao sonoA programação será organizada em torno de um tema por semana, explorado através de vídeos com figuras públicas, testemunhos de jovens, perguntas e respostas e conteúdos complementares.O sono, a saúde mental, a pressão para corresponder às expectativas, a utilização das redes sociais e a desinformação estão entre os primeiros assuntos previstos. A intenção é partir de questões que fazem parte da vida quotidiana dos jovens e tratá-las a partir daquilo que a investigação científica sabe sobre cada uma delas.A diferença em relação a uma página de divulgação científica convencional está, contudo, também na forma como o projecto pretende olhar para os próprios conteúdos que produz.Não basta informar: é preciso perceber se a informação ficaO «Tipo o Quê…» junta à comunicação de ciência uma componente de investigação destinada a avaliar o impacto da iniciativa. A equipa quer perceber não apenas quantos jovens chegam aos conteúdos, mas também o que efectivamente aprendem, durante quanto tempo conseguem reter essa informação e que formas de comunicação são mais eficazes para promover essa aprendizagem.É esta componente que os responsáveis apresentam como uma das dimensões diferenciadoras do projecto, numa abordagem que pretende cruzar produção jornalística, investigação em saúde pública e avaliação científica da comunicação.A pergunta deixa, assim, de ser apenas como levar informação credível às redes sociais e passa a ser também o que acontece depois de essa informação aparecer no ecrã. Se um vídeo consegue captar atenção durante alguns segundos, isso significa que conseguiu ensinar alguma coisa? E aquilo que foi aprendido permanece quando o vídeo desaparece no fluxo interminável de conteúdos?Os resultados desta avaliação deverão permitir identificar estratégias de comunicação mais eficazes e poderão contribuir para futuros projectos de divulgação científica e promoção da literacia em saúde em ambientes digitais.Para José Pena do Amaral, da Fundação «la Caixa», apoiar uma iniciativa desta natureza significa apostar na capacidade dos mais jovens para tomar decisões informadas ao longo da vida. «Promover a literacia em saúde entre os mais jovens é investir na sua capacidade de fazer escolhas informadas ao longo da vida», afirma.O «Tipo o Quê…» conta com o apoio da Fundação «la Caixa», do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da NOVA (IHMT-NOVA), da World Academy, da European Public Health Association (EUPHA), da Ordem dos Psicólogos Portugueses, da Milk&Black e da NAVE.O novo canal começou esta terça-feira a publicar conteúdos no Instagram e no TikTok, procurando ocupar um território onde a ciência nem sempre chega com a mesma velocidade que a informação que pretende contrariar.O conteúdo «Tipo o Quê…»: a ciência chega ao TikTok para combater a desinformação aparece primeiro em Revista Líder.