No Dia Internacional dos Carros Elétricos, a expansão dos carros elétricos na América Latina coloca em destaque a necessidade de atenção aos riscos associados às baterias de íons de lítio, especialmente em casos de incêndio, alta tensão, gases tóxicos e possibilidade de reignição.Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), as vendas de veículos elétricos na região cresceram 75% em 2025, ultrapassando 350 mil unidades. Mais de 75% desse avanço veio do Brasil e do México, com destaque para os híbridos plug-in (PHEV). No Brasil, a ABVE informa que 271.091 veículos leves eletrificados foram emplacados entre janeiro e julho de 2026, volume que já supera em 21% o total registrado em todo o ano de 2025.“Os incêndios envolvendo baterias de veículos elétricos apresentam desafios específicos porque, além do fogo, as equipes podem enfrentar riscos relacionados à alta tensão, à liberação de gases potencialmente tóxicos e à possibilidade de reignição. Por isso, a prevenção, o treinamento e a adoção de protocolos adequados são fundamentais para uma resposta segura”, afirma Anderson Alves, gerente de Bombeiros e Forças Militares da MSA Safety Brasil.Fuga térmica exige atençãoAs baterias de íons de lítio podem sofrer o fenômeno conhecido como thermal runaway, ou fuga térmica, quando uma célula apresenta aumento descontrolado de temperatura. Esse processo libera grande quantidade de calor e pode desencadear um incêndio.Entre as situações que podem contribuir para esse tipo de ocorrência estão colisões, curtos-circuitos, defeitos internos e problemas durante o carregamento. Além disso, os sinais de alerta incluem aquecimento anormal, fumaça, odores incomuns, estalos, deformações ou inchaço.Como reduzir riscos e proteger equipesA prevenção começa antes de qualquer emergência. Para consumidores e estabelecimentos, a orientação inclui usar equipamentos adequados, instalados por profissionais qualificados, e seguir as recomendações do fabricante e as normas aplicáveis. Também é importante evitar extensões, adaptadores ou conexões inadequadas, manter o veículo e o carregador afastados de materiais inflamáveis e avaliar veículos que sofreram acidentes significativos com profissionais capacitados.Além disso, reparos em sistemas de alta tensão devem ficar com profissionais autorizados e capacitados. Em garagens e estacionamentos, áreas de carregamento precisam estar identificadas e os locais devem contar com sistemas de proteção contra incêndios e planos de emergência compatíveis com o projeto aprovado pelo Corpo de Bombeiros. Equipes de estacionamentos, condomínios, oficinas e estabelecimentos com recarga também devem conhecer os procedimentos de emergência aplicáveis.Quando ocorre uma emergência, os profissionais podem ficar expostos ao fogo, ao calor, à eletricidade e à fumaça potencialmente tóxica. Por isso, além dos procedimentos operacionais, o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados é fundamental. Entre os cuidados estão proteção respiratória, luvas isolantes adequadas para trabalhos em alta tensão, proteção ocular e facial, vestimentas e calçados compatíveis com os riscos identificados, além de isolamento da área, bloqueio e etiquetagem e verificação da ausência de tensão, conforme a operação realizada.“Em uma ocorrência com um veículo elétrico, não basta considerar apenas o risco de incêndio. O profissional precisa estar preparado para diferentes perigos que podem acontecer simultaneamente. A proteção respiratória e os EPIs adequados são importantes barreiras de segurança, mas devem fazer parte de um conjunto que inclui treinamento, procedimentos e avaliação dos riscos”, explica Alves.A MSA Safety afirma que a expansão da mobilidade elétrica reforça a necessidade de preparar consumidores, empresas, oficinas, condomínios e equipes de emergência para lidar com as características específicas dos veículos elétricos e suas baterias, contribuindo para que a transição ocorra de forma mais segura.O post Carros elétricos exigem mais atenção a riscos de incêndio em baterias na América Latina apareceu primeiro em Mobilidade Sampa.