Os deputados federais estreantes, eleitos em 2022, e que buscam a reeleição neste ano enriqueceram até R$ 33 milhões ao longo dos quatro anos de legislatura.Entre esses parlamentares, o líder de enriquecimento é Neto Carletto (Avante-BA). Em 2022, quando ainda estava filiado ao PP, ele registrou patrimônio de R$ 591 mil no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O aumento foi de quase 58 vezes em 2026, ano em que disputa a reeleição.Procurado pela CNN, o congressista afirmou que a oscilação do valor para R$ 34,3 milhões decorre do recebimento de herança por parte do pai, o ex-deputado federal Ronaldo Carletto. O patrimônio declarado se divide entre aplicações em fundos de investimento, participação em empresas, veículos e lotes residenciais e empresariais. Leia mais Presidenciáveis criticam reajuste no Bolsa Família anunciado por Lula Oposição critica reajuste de 15% no Bolsa Família às vésperas das eleições Empresas que substituíram Transwolff e UPBus em SP aparecem em investigação O levantamento considerou os deputados federais novatos eleitos em 2022 – ou seja, que estrearam na vida pública em Brasília – durante os quatro anos da respectiva legislatura. Os dados são do sistema de verificação de candidaturas do TSE. Os valores de 2022 foram corrigidos pela inflação para agosto de 2026.O segundo congressista que mais enriqueceu no período foi Waldemar Oliveira (Avante-PE). Ele teve um aumento de R$ 20 milhões nos primeiros quatro anos de legislatura.Duda Ramos (Podemos-RR) foi o terceiro com maior acréscimo. O patrimônio declarado do deputado passou de R$ 50.5 milhões em 2022 para R$ 78,4 milhões neste ano, o que representa um aumento de R$ 27 milhões no período. Os três disputarão novamente a cadeira da Casa Baixa.O salário de um deputado federal, hoje, é de R$ 39.293,32. Em quatro anos de mandato, esse valor acumulado (sem bonificações e outros auxílios) fica em R$ 1,8 milhão.Eis os cinco deputados federais que mais enriqueceram nos últimos quatro anos e as respectivas oscilações:Neto Carletto (Avante-BA): saiu de R$ 706.903,73 para R$ 34.333.615,58 (saldo de R$ 33.626.711,85);Waldemar Oliveira (Avante-PE): saiu de R$ 12.302.875,20 para R$ 30.840.089,86 (saldo de R$ 18.537.214,66);Duda Ramos (Podemos-RR): saiu de R$ 60.407.751,45 para R$ 78.473.746,16 (saldo de R$ 18.065.994,71);Daniel Agrobom (PSD-GO): saiu de R$ 11.207.135,04 para R$ 24.542.352,43 (saldo de R$ 13.335.217,39);Márcio Honaiser (Solidariedade-MA): saiu de R$ 24.171.340,48 para R$ 31.088.431,10 (saldo de R$ 6.917.090,62).Dos 202 novos deputados eleitos no último pleito, 152 enriqueceram. Desse grupo, 57 deles tiveram um enriquecimento de mais de R$ 1 milhão. Os outros perderam patrimônio neste período.Na outra ponta da lista estão os deputados que perderam patrimônio no período. Jorge Goetten (Republicanos-SC) declarou R$ 6,6 milhões em 2022 e, neste ano, o valor caiu para R$ 1,1 milhão, o que representa um decréscimo de R$ 5,5 milhões no período.O segundo que teve maior queda nos bens declarados foi Filipe Martins (PL-TO), que passou de R$ 4,6 milhões para R$ 1,5 milhões em 2026. Raimundo Santos (PSD-PA) também registrou uma queda no patrimônio declarado, saindo de R$ 4 milhões em 2022 para R$ 1 milhão em 2026.Procurado pela reportagem, Jorge Goetten não quis se manifestar. A CNN entrou em contato com os deputados federais citados para que pudessem se manifestar acerca da evolução dos valores. O espaço segue aberto.