Depois do vazamento de vídeos e trocas de mensagens de cunho sexual com uma fã, David Ellefson acabou demitido do Megadeth em 2021. Parte importante da formação, o baixista integrou a banda entre 1983 e 2002, no encerramento das atividades, e voltou em 2010, permanecendo até sua saída definitiva. Durante entrevista ao The Metal Circus em 2023, o músico opinou que “havia outros ressentimentos, mágoas e questões pessoais por trás da decisão” de desligá-lo. Agora, o próprio Dave Mustaine revelou que já queria tirá-lo do grupo antes mesmo do “escândalo”. Em sua nova autobiografia “In My Darkest Hour”, lançada neste mês de setembro, o vocalista e guitarrista abordou o assunto em detalhes. Inicialmente, conforme compartilhado pela Blabbermouth, o líder destacou o choque ao descobrir a exposição dos registros íntimos do ex-colega:“Fiquei sabendo do escândalo da mesma forma que todo mundo: pela internet. Em 10 de maio de 2021, vídeos de teor sexual explícito de David Ellefson se masturbando apareceram no Twitter. Os vídeos eram resultado de uma interação online com uma fã do Megadeth de 19 anos, com quem Ellefson havia se envolvido de alguma forma. Quando mais detalhes vieram à tona, a história rapidamente se tornou viral. Era impossível separar fato de ficção, verdade de fantasia, enquanto a internet explodia da maneira tipicamente histérica.”Por consequência, a situação fez com que reavaliasse a relação com Ellefson. Em suas palavras, a amizade dos dois sempre atravessou turbulências — principalmente pelo vício de ambos em drogas e pela briga que tiveram nos tribunais em 2004, quando o baixista processou o cantor por causa de royalties e merchandising e perdeu a causa: “Eu estava reavaliando minha relação de quase 40 anos com David e a turbulência que ela havia causado tantas vezes na minha vida. Como membros originais do Megadeth (David gosta de dizer que foi um membro ‘fundador’. Eu não vejo dessa forma. Eu comecei o Megadeth e o convidei para entrar), fomos amigos e parceiros criativos e brigamos como inimigos. Tocamos muita música boa juntos. Éramos viciados codependentes, alimentando e fortalecendo os vícios um do outro. No fim, nos afastamos, e a confiança foi destruída, pelo menos para mim, pelo processo movido por David em 2004, após o fim da banda. Brigamos na Justiça […]. Para surpresa da grande maioria do universo do Megadeth, fizemos as pazes em 2010 e David voltou à banda, embora como músico contratado e não como parceiro criativo. Mas nossa relação nunca voltou a ser boa; havia história demais, raiva demais e comportamentos que eu considerava desagradáveis.”Diante da conturbada parceria, Mustaine já sabia que o “fim provavelmente estava próximo”. O vazamento dos vídeos apenas “acelerou o processo”, como concluiu:“Quando ficamos sóbrios, a distância aumentou, em parte porque havíamos perdido aquilo de ruim e prejudicial que nos unia, mas também porque encaramos a sobriedade e a recuperação de lugares diferentes, com pontos de vista diferentes. Eu tentei não apenas ficar livre de substâncias, mas também levar uma vida mais honesta e espiritual […]. Quando aqueles vídeos constrangedores apareceram na internet, minha relação com David, e a relação de David com o Megadeth, já haviam começado a se deteriorar. De novo. David teria continuado como membro do Megadeth se aquele vídeo não tivesse vindo à tona? Quem pode dizer? Já vi integrantes suficientes entrarem e saírem do Megadeth e passei por turbulências suficientes com David para saber que o fim provavelmente estava próximo. Mas, certamente, o escândalo acelerou o processo.”A visão de David Ellefson Durante participação no podcast The Candid Mic With Fran Strine no ano passado, David Ellefson deixou claro que não há motivos para manter uma amizade com Dave Mustaine atualmente. Inclusive, pontuou que a relação com o cantor começou a ruir anos antes de seu desligamento, com a criação do disco “The Sick, the Dying… and the Dead!” (2022): “O fim daquela amizade já vinha se desenhando há muito tempo. Começou mesmo em 2018. Aconteceram umas coisas com as quais eu simplesmente não concordava e falei abertamente sobre isso. Defendi o que eu achava ser o certo. E, claro, isso não foi bem recebido. Foi sobre a composição do novo álbum, aquele que levou cinco anos pra ficar pronto. E toda vez que eu tentava compor e contribuir com alguma coisa, jogavam isso fora. Parecia algo muito pessoal.”Ellefson teve suas partes em “The Sick, the Dying… and the Dead!” substituídas por contribuições do baixista Steve DiGiorgio (Testament, Death, etc…). Para os trabalhos subsequentes, James LoMenzo reassumiu o posto que já havia ocupado na banda entre 2006 e 2010.Quer receber novidades sobre música direto em seu WhatsApp? Clique aqui!Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | X/Twitter | Facebook | YouTube | Bluesky | Threads | TikTok.O post David Ellefson seria demitido do Megadeth antes de vídeos vazados, segundo Mustaine apareceu primeiro em Igor Miranda.