O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou-se suspeito e se retirou nesta terça-feira (15) do julgamento relacionado a Alexandre de Moraes e às investigações sobre o Banco Master. Durante a sessão, o magistrado afirmou que tomou a decisão por motivo de foro íntimo e para preservar o funcionamento da Corte.“Mantendo coerência com o que eu tenho feito na Turma, eu não […] me sinto, portanto, para preservação do próprio bom andamento do trabalho”, afirmou Toffoli ao comunicar sua decisão.O ministro ressaltou que não se trata de impedimento, mas de uma decisão pessoal de não participar da análise. Toffoli já havia adotado a mesma postura nos julgamentos relacionados ao caso Master realizados pela Segunda Turma do Supremo.“Eu me senti na obrigação também de preservar a Corte de manifestar a minha suspeição por motivo de foro íntimo. Não impedimento, por motivo de foro íntimo”, declarou.Toffoli relembra afastamento anteriorAo justificar a decisão, Toffoli também retomou os acontecimentos que levaram ao seu afastamento anterior da relatoria de procedimentos relacionados ao Banco Master.Segundo o ministro, todos os integrantes do Supremo tiveram acesso à íntegra de um relatório e à defesa apresentada por ele, e o assunto chegou a ser discutido em uma reunião entre os magistrados. “Todos os eminentes colegas tiveram acesso à íntegra do relatório, à íntegra da minha defesa, e tive a oportunidade de me manifestar em reunião com todos os colegas presentes no gabinete de Vossa Excelência”, afirmou.Toffoli disse que, naquela ocasião, a maioria dos ministros não identificou elementos que justificassem sua suspeição. Segundo ele, porém, Flávio Dino sugeriu que deixasse voluntariamente a relatoria diante da repercussão do caso e como forma de preservar institucionalmente o STF.“Por sugestão do Ministro Flávio Dino, após a manifestação de todos os colegas, em grande maioria entendendo pela não existência de nada que levasse à minha suspeição, mas acatando sugestão feita pelo eminente Ministro Flávio Dino de que, para, do ponto de vista de preservar a Corte em razão das repercussões que ocorriam em razão daquele relatório, que eu, voluntariamente, me afastasse da relatoria.”Toffoli afirmou que aceitou a sugestão e lembrou que a decisão foi posteriormente registrada em nota assinada pelos dez ministros do Supremo.“Assim o fiz, e isso ficou registrado em nota assinada por todos os 10 ministros do Supremo Tribunal Federal”, disse.O magistrado acrescentou que o relatório posteriormente foi arquivado por decisão do presidente da Corte, com trânsito em julgado, e que a Procuradoria-Geral da República tomou ciência e não recorreu. Segundo Toffoli, nenhuma arguição formal de suspeição foi acolhida contra ele naquele episódio. Ainda assim, quando os processos passaram a ser julgados pela Segunda Turma sob a relatoria de André Mendonça, decidiu declarar suspeição por foro íntimo.“Pra não constranger e não ter algum tipo de viés de constrangimento à Corte, e acatando a sugestão sábia do Ministro Flávio Dino”, afirmou.