A safra magra de IPOs no Brasil trouxe uma característica em comum: das três aberturas de capital, duas foram de instituições financeiras, o AgiBank (AGBK) e o PicPay (PICS), este último com forte demanda de investidores. Um outro banco, porém, poderia ter chegado ao mercado: o Banco Bari.Em conversa com o Money Times, o CFO, Evaldo Perussolo, revelou que a instituição chegou a ser sondada. Porém, o banco entendeu que não era vantajoso abrir o capital naquele momento.“Não existe nenhuma conversa no momento de um curso. Já fomos sondado no passado recente a esse respeito, entendemos que não era vantagem, naquele momento. As oportunidades que surgiram não se alinharam às expectativas que existiam”.O executivo sustenta que o banco tem capital suficiente para sustentar o crescimento da carteira, com uma estrutura de capital considerada forte, que permite continuar expandindo os negócios sem a necessidade de buscar recursos externos.“Os resultados que a gente está gerando ajudam a aumentar o nosso patrimônio. Constantemente, então, temos uma maior possibilidade de fazer carteira.”No segundo trimestre, por exemplo, o Bari viu seu ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) chegar a 39,2%, e a carteira de investimentos atingir R$ 2,159 bi.O índice de Basileia alcançou 21% ao fim do período, patamar significativamente superior ao mínimo regulatório de 10,5% exigido pelo Banco Central.Mesmo assim, Perussolo não descarta que o banco possa abrir o capital em outro momento.“Descartado seria uma hipótese muito forte. Eventualmente, surgiu uma oportunidade que nos permita crescer mais, ter mais [facilidades] e ter alguma vantagem competitiva, seja em crescimento ou expansão, por que não analisar? Acho que seria imprudente não analisar.”Quem é o Banco Bari e onde ele quer crescerFundado em 1995, o Banco Bari nasceu como uma financeira ligada ao financiamento de veículos, em um grupo que também atua no setor de concessionárias.A instituição passou pelo consignado nos anos 2000 e, a partir de 2008, mudou o foco para o mercado imobiliário, tornando o crédito com garantia de imóvel, o chamado home equity, seu principal negócio.Hoje, cerca de 85% da carteira do banco está concentrada no segmento imobiliário, enquanto o consignado representa uma parcela menor.A estratégia do Bari é continuar crescendo nesse nicho. Segundo o diretor financeiro, o home equity tem avançado entre 30% e 40% ao ano, em média, e ainda há um mercado relativamente pequeno diante do potencial de expansão.O executivo estima que a carteira de home equity no Brasil esteja entre R$ 35 bilhões e R$ 40 bilhões, enquanto o financiamento imobiliário já se aproxima de R$ 1 trilhão. Para o banco, essa diferença representa uma avenida de crescimento ainda pouco explorada.“A gente foca em produtos que consigam entregar uma solução financeira justa e com preço adequado ao cliente”, discorre.Tecnologia na veiaPara ganhar escala, o Bari aposta também na tecnologia. A instituição iniciou uma transformação tecnológica em 2019, com investimentos mais intensos nos anos seguintes, digitalizando a esteira de crédito e automatizando processos.“Se você for ver a linha do tempo, nesses 31 anos que a gente tem de história, em um único ano a gente deu prejuízo, em 2022. E foi um prejuízo esperado, porque a gente investiu muito em tecnologia, teve um gasto bastante relevante, tudo dinheiro proprietário, não teve nenhum investimento.”A ideia é conseguir ampliar a operação sem elevar os custos fixos na mesma proporção, aproveitando a estrutura já construída.Consignado privado: o próximo passo?O próximo passo pode ser uma diversificação para o consignado privado. O Bari já avaliou a modalidade, mas preferiu esperar por entender que ainda havia questões regulatórias e operacionais a serem amadurecidas.Com as mudanças recentes nas regras, a percepção da instituição melhorou, e o executivo admite que uma entrada no segmento pode acontecer em 2027. Ainda assim, a prioridade no curto prazo continua sendo o home equity.Além do banco múltiplo e digital, o conglomerado Bari reúne uma hipotecadora, uma securitizadora e uma gestora, além de empresas que dão suporte às operações reguladas.O grupo mantém ainda o braço de concessionárias, com presença no Paraná e em Santa Catarina, mas as operações financeiras e automotivas são administradas de forma independente.