Você pensa em trocar de carro ou comprar um carro novo? Se sim, considera um eletrificado?O mercado brasileiro de veículos leves eletrificados mais do que dobrou em 12 meses.Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), de janeiro a junho de 2026, as vendas atingiram 215.023 unidades, total 125% superior às do mesmo período de 2025 (95.493). A média mensal de vendas no semestre foi de 35.837.Os eletrificados chegaram a 16% de participação no mercado ao longo do primeiro semestre.E o Olhar Digital testou pelas ruas de São Paulo o campeão de vendas no setor: o BYD Dolphin Mini, que alcançou 35.680 vendas no período.BYD Dolphin Mini: feito para a rotina urbanaO BYD Dolphin Mini deixa bastante clara a sua proposta já nas dimensões. São 3,78 metros de comprimento, 1,72 m de largura e 1,58 m de altura, com entre-eixos de 2,50 m e distância livre do solo de 155 mm. Apesar das medidas compactas, a cabine acomoda cinco ocupantes, enquanto o porta-malas oferece 230 litros, chegando a 930 litros com os bancos traseiros rebatidos. Em uma cidade de trânsito pesado, ruas apertadas e vagas que nem sempre ajudam, ter um carro com menos de quatro metros de comprimento faz diferença. Ele é fácil de posicionar, simples de manobrar e passa rapidamente aquela sensação de estar “na mão”.Mesmo sendo um compacto, achei a posição de dirigir confortável e, de modo geral, a cabine aproveita bem o espaço disponível. Os bancos também contribuem para essa percepção e, dependendo da versão, o motorista conta até com ajuste elétrico em seis direções. O revestimento é de couro ecológico premium. Eu tenho 1,85m e não parecia o Senhor Incrível ao volante. Mas uma viagem no banco traseiro atrás de um motorista da minha altura seria desconfortável.A suspensão também me surpreendeu positivamente. O Dolphin Mini usa conjunto McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira. O acerto é macio e, rodando pelas ruas de São Paulo, conseguiu lidar bem com as irregularidades do asfalto. É claro que estamos falando de um carro pequeno, com suas limitações físicas, mas não tive a sensação de que impactos e imperfeições da via fossem transferidos de maneira excessiva para dentro da cabine.E é importante entender exatamente onde o Dolphin Mini quer jogar. Este não é um carro pensado para off-road e também não é na estrada que suas principais qualidades aparecem. Sua vocação é essencialmente urbana — e, nesse cenário, boa parte das escolhas da BYD começa a fazer bastante sentido.BYD Dolphin Mini na garagem do OD. – Imagem: Bruno Capozzi/Olhar DigitalÁgil onde precisa de agilidadeO motor elétrico dianteiro entrega 75 cv e 135 Nm de torque. No papel, os números não impressionam: são 14,9 segundos para ir de zero a 100 km/h e velocidade máxima de 130 km/h. Há quatro modos de condução: Eco, Normal, Sport e Neve. Só que minha experiência ao volante mostrou bem como potência máxima não conta toda a história de um elétrico voltado à cidade. No trânsito paulistano, achei o Dolphin Mini bastante esperto. Ele responde rapidamente ao acelerador nas velocidades mais baixas, sai bem dos semáforos e tem agilidade suficiente para mudanças de faixa e retomadas típicas do trânsito urbano. Não é um carro rápido no sentido esportivo, nem tenta ser. Nem conseguiria ser com sua ficha técnica. Mas é ágil justamente nas situações em que seu motorista provavelmente mais precisará dele pensando no perfil do carro. Essa combinação de dimensões pequenas, direção leve e resposta imediata do motor elétrico torna o Dolphin Mini muito gostoso de guiar pela cidade. Outro ponto que reforça essa vocação urbana é a bateria. São duas configurações: 30,08 kWh ou 38,88 kWh, com autonomia PBEV declarada de 224 km e 280 km, respectivamente. O carregamento AC chega a 6,6 kW, enquanto em corrente contínua são até 30 kW na versão de bateria menor e 40 kW na de maior capacidade. O carro também conta com a função VTOL, que permite usar a bateria para fornecer energia a equipamentos externos. Para quem faz basicamente o trajeto entre casa e trabalho durante a semana, é uma autonomia que pode atender muito bem. Dependendo da distância percorrida diariamente, dá para passar vários dias sem pensar em tomada. E, se o motorista tiver um carregador disponível em casa ou no prédio onde trabalha, o Dolphin Mini passa a fazer ainda mais sentido: você pode simplesmente deixar o carro carregando enquanto ele ficaria estacionado de qualquer maneira.Tecnologia embarcada e acabamentoTambém gostei do fato de que a proposta de carro urbano e relativamente simples não significou abrir mão de tecnologia e de alguns cuidados com o acabamento. É um dos pontos em que o Dolphin Mini consegue se diferenciar de carros que, mesmo custando valores próximos, entregam cabines mais básicas.O painel de instrumentos tem 7 polegadas e a central multimídia, 10,1 polegadas. Aqui, eu só lamento a ausência de botões. Chatice minha, talvez. O sistema DiLink oferece Apple CarPlay e Android Auto, conexão 4G e comandos de voz. Há ainda seis alto-falantes, duas entradas USB e ar-condicionado digital. Dependendo da versão, também está disponível carregamento de celular por indução – que poderia ficar em um local um pouco mais discreto pensando na realidade paulistana. Outro recurso interessante é a câmera 360°. Em um carro que já é pequeno, ela torna ainda mais simples entrar em vagas apertadas e manobrar em espaços reduzidos. O Dolphin Mini também conta com três radares traseiros para estacionamento. Na segurança, a lista inclui ABS, controles de estabilidade e tração, distribuição eletrônica da força de frenagem, assistente de partida em rampas, monitoramento da pressão dos pneus, freio de estacionamento eletrônico e controle de cruzeiro. Há airbags frontais e de cortina, enquanto os airbags laterais dianteiros aparecem na configuração GS. O interior do Dolphin Mini traz um acabamento superior ao de outros carros na mesma faixa de preços. Mas o carregador por indução poderia ficar num lugar mais discreto… – Imagem: Bruno Capozzi/Olhar Digital.Considerações finaisDepois de rodar com o Dolphin Mini em São Paulo, acho que a melhor forma de avaliá-lo é justamente sem tentar transformá-lo em algo que ele não é. Não é um carro para quem busca desempenho, muito espaço para bagagem ou passa boa parte da semana viajando por rodovias. É um carro pensado, acima de tudo, para a cidade.E, dentro dessa proposta, o conjunto funciona muito bem. É pequeno por fora, confortável ao volante, ágil no trânsito, fácil de manobrar e traz um pacote de tecnologia e acabamento interessante para sua categoria.No Brasil de hoje, é difícil chamar qualquer carro zero-quilômetro de “acessível”. O carro popular, como conhecemos durante muito tempo, deixou de existir. Mas, considerando a realidade atual do mercado brasileiro e colocando na conta o acabamento, a tecnologia embarcada, a experiência de direção e, principalmente, aquilo que o Dolphin Mini se propõe a fazer, considero que ele entrega um pacote bastante competitivo.E os números estão aí.Talvez esse seja seu principal mérito: o Dolphin Mini não tenta ser um elétrico para todas as situações. Ele se concentra em ser um bom carro para o dia a dia urbano.PreçosNo site da BYD, encontramos as seguintes ofertas:BYD DOLPHIN MINI GL 2027: R$ 109.990,00BYD DOLPHIN MINI GS 2027: R$ 119.990,00O post BYD Dolphin Mini: o elétrico mais vendido do Brasil dá conta de uma cidade como SP? apareceu primeiro em Olhar Digital.