O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes disse, neste sábado (19), que quem age com partidarismo dentro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deveria “repensar a permanência na Corte”.Gilmar classificou como grave o “risco de politização que vem de dentro” da Justiça Eleitoral. O decano do STF afirmou, ainda, que o Supremo continuará atuando como uma “instância de supervisão” da atuação do TSE.“Grave é o risco que vem de dentro: o da politização da Justiça Eleitoral. Quem tenta engajar o Tribunal em proselitismo partidário deve avaliar se reúne condições de nele permanecer. E os partidos políticos e o Ministério Público Eleitoral devem fiscalizar atentamente se essas condições estão presentes, arguindo a suspeição nos casos em que ela se configure”, disse Gilmar em postagem nas redes sociais. Leia Mais TSE aceita abrir ação contra Lula por desfile no Carnaval do Rio de Janeiro Mendonça e Fux dizem à PF que ainda não acessaram celular de Vorcaro Centro Cultural SP terá maratona gratuita de filmes de terror em outubro Na publicação, o ministro do STF declarou que é preciso que o TSE “continue a coibir práticas abusivas e deturpadoras da vontade popular”, mas desde que isso ocorra de forma “altiva, imparcial e apartidária”.“O STF, por sua vez, continuará a atuar como instância de supervisão, com a firmeza que o momento exige, intervindo sempre que necessário à preservação de seus próprios precedentes e da Constituição”, completou o decano do Supremo.Atualmente, o Tribunal Superior Eleitoral é comandado por Kássio Nunes Marques, presidente da Corte, e André Mendonça, vice-presidente. Na sessão do STF da última terça-feira (15), Mendonça e Gilmar protagonizaram algumas discussões públicas, com bate-boca e acusações entre os ministros.O post de Gilmar Mendes cita “desafios” enfrentados pela Justiça Eleitoral, como o uso de Inteligência Artificial para gerar materiais que possam enganar o eleitor.Gilmar comentou também sobre o relatório da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que elevou a possibilidade de influência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras a um nível de “criticidade”. Segundo o ministro, o objetivo dessa interferência seria “assegurar controle sobre nossos ativos estratégicos e riquezas naturais”.Post em meio à crise no STFA declaração de Gilmar Mendes na internet ocorre durante a crise institucional e a divisão entre os ministros do Supremo Tribunal Federal.Desde o dia 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça decidiu retirar o sigilo de um relatório da PF (Polícia Federal) que trazia mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, os membros da Corte protagonizam uma disputa pública, inclusive com intensa troca de ofícios e acusações.Apenas em relação ao número de ofícios sobre o caso, um levantamento da CNN mostra que já foram ao menos 46 movimentações até este sábado (13), o que expôs o Tribunal dividido entre as alas pró-Moraes e pró-Mendonça.No julgamento de terça-feira (15), que terminou sem votação do mérito e apenas com análise de uma questão de ordem, Gilmar Mendes disse que era “impressionante a desfaçatez desse sujeito”, se referindo a André Mendonça, que rebateu: “Me respeite! Isso aqui não é brincadeira. Respeite.”Já o desentendimento entre Gilmar e Nunes Marques ocorreu no ambiente virtual. O presidente do TSE bloqueou o decano do Supremo no aplicativo de mensagem WhatsApp.O bloqueio ocorreu durante uma discussão entre os ministros causada pelo julgamento do afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. À época, a Segunda Turma do STF havia formado maioria para manter a retirada de Andrei do cargo, determinada por Mendonça.Na conversa, Gilmar disse a Nunes que “não respeitava quem não se dava ao respeito”, e defendeu também que o ministro deixasse o TSE, do qual é presidente.“Então não me tecle pois não falo com quem não me respeita”, rebateu Nunes Marques.Mendonça e Fux dizem à PF que ainda não acessaram celular de Vorcaro | CNN AGORA