Quase 70% dos cubanos vivem em situação de pobreza, revela estudo

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Quase 70% da população cubana vive em situação de pobreza, segundo um estudo privado publicado na internet, em um momento em que a ilha enfrenta uma profunda crise econômica e está sob forte pressão de Washington.O governo do presidente americano, Donald Trump, que não esconde seu desejo de promover uma mudança de regime em Havana, impõe desde janeiro um bloqueio petroleiro de fato na ilha, agravando a crise energética e econômica já existente, marcada pela inflação, pela escassez e por apagões frequentes.A pesquisa do Centro Cristão de Reflexão e Diálogo (CCRD) destaca que “pela primeira vez nos últimos 60 anos, a pobreza afeta a maioria da população” cubana.“Cerca de 6.454.534 pessoas vivem em condição de pobreza econômica, 66% da população total do país”, indica o texto publicado na noite de quinta-feira em sua página na internet.Sua renda “não é suficiente para cobrir o custo da cesta alimentar mínima, nem outras necessidades essenciais”, acrescenta.O governo comunista da ilha não publica estatísticas sobre a pobreza, que nos últimos anos se tornou um fenômeno visível nas ruas.O estudo do CCRD faz suas estimativas com base em uma população de 9,7 milhões de habitantes, superior ao número oficial atual, de 9,4 milhões.A socióloga Mayra Espina, coordenadora da pesquisa, explicou à AFP que “a pobreza pode ser um pouco menor ou um pouco maior” na ilha, mas que o cálculo “dá pelo menos uma imagem indicativa de que o problema vem crescendo”.Segundo a especialista, trata-se de uma atualização da estimativa anterior, de 45%, realizada em meados de 2025, com base em cálculos recentes sobre o custo da cesta básica de alimentos, que “aumentou significativamente” desde o fim daquele ano.Em Cuba, onde o salário médio mensal beira os 7.000 pesos (aproximadamente 51,5 reais), o economista cubano Omar Everleny Pérez estima em 191 reais o custo de uma cesta alimentar representativa para uma pessoa.Durante décadas, o governo cubano destacou as conquistas sociais de seu modelo socialista, com serviços de saúde gratuitos e a distribuição de alimentos subvencionados através de uma cartilha de racionamento.Mas a severa crise econômica que afeta a ilha há cerca de cinco anos deteriorou substancialmente os programa de ajuda.Em agosto, vários relatores especiais da ONU instaram a comunidade internacional a agir com rapidez para evitar que Cuba se torne uma “Gaza silenciosa”.