Vitalik Buterin, cofundador do Ethereum (ETH), contesta a ideia de que ataques cibernéticos impulsionados por inteligência artificial representam o fim da segurança cibernética. Em uma publicação de 17 de setembro no X, ele argumenta que a mesma tecnologia que alimenta novos ataques pode tornar o software fundamentalmente mais difícil de ser invadido.Buterin observou que cerca de 90% de seu patrimônio líquido está em criptomoedas, apresentando seu otimismo em relação à segurança como uma posição na qual ele tem um interesse real. “Qualquer pessoa que continue a investir em criptomoedas, inclusive eu, está implicitamente fazendo essa aposta”, escreveu ele.(Vitalik no X/Reprodução)Seu argumento se concentra na verificação formal, um método que usa provas matemáticas para confirmar se um software atende a um padrão de segurança definido.Buterin afirmou que sistemas de IA capazes de resolver problemas matemáticos complexos poderiam aplicar o mesmo raciocínio para provar que um determinado programa é seguro, mesmo quando esse programa for grande e complexo.Definir “Seguro” é a Parte DifícilButerin teve o cuidado de separar seu otimismo de qualquer sugestão de que segurança seja simples. Ele disse que o desafio mais difícil não é verificar se o código atende a uma definição de segurança, mas sim escrever a própria definição.Uma definição do que significa um aplicativo de mensagens ser seguro, por exemplo, deve levar em conta atacantes passivos e ativos, comprometimento de servidores, vazamento de chaves, exposição de metadados e vulnerabilidades de hardware, entre outros fatores.Ele disse que as definições podem ter mais de mil linhas e exigem muita reflexão para serem elaboradas corretamente. Apesar dessa complexidade, Buterin argumentou que verificar uma definição é uma tarefa muito menor do que analisar todo o código diretamente.Ele também apontou que as definições são aditivas: duas definições de segurança separadas podem ser comprovadas simultaneamente, enquanto dois trechos de código combinados criam o dobro do potencial para que um único bug comprometa todo o sistema.Para componentes críticos de segurança, como protocolos de troca de mensagens, sandboxes e criptografia, ele disse que a assimetria entre o tamanho da definição e o tamanho da implementação é real e significativa.IA como Ferramenta de Defesa em Todo o Ecossistema CriptoO contexto dos comentários de Buterin é uma série de ataques assistidos por IA que atingiram a indústria cripto nos últimos meses.Em maio, um pesquisador de segurança usou um modelo de IA para descobrir uma falha de quatro anos no pool de privacidade Orchard do Zcash (ZEC), que poderia ter permitido a falsificação ilimitada e indetectável de ZEC, embora nenhuma evidência de exploração tenha sido encontrada antes que os desenvolvedores a corrigissem em junho.Em julho, pesquisadores da Ethereum Foundation disseram que agentes de IA encontraram vulnerabilidades na infraestrutura crítica da rede, e invasores usaram uma falha de firmware de anos atrás em carteiras Coldcard para roubar aproximadamente US$ 130 milhões em Bitcoin (BTC), com a fabricante Coinkite afirmando que a IA provavelmente ajudou a identificar o bug.Em agosto, a ameaça atingiu o software Bitcoin de forma mais ampla. A Boltz suspendeu seu serviço de troca depois que suspeitos de ataques encontraram falhas mais rápido do que os desenvolvedores conseguiam corrigi-las, enquanto a Core Lightning confirmou que várias vulnerabilidades sinalizadas em relatórios gerados por IA eram genuínas.Em resposta, a equipe voluntária Bitcoin Red Team utilizou auditorias assistidas por IA para identificar 4.962 vulnerabilidades potenciais em 390 projetos.Buterin afirmou que o Ethereum pretende realizar a verificação completa do programa, abrangendo bancos de dados, redes e camadas de cache, nos próximos anos. “Não há futuro para blockchains, especialmente blockchains com escalabilidade e privacidade, sem fazer isso”, disse ele.Fonte: Vitalik Buterin afirma que a IA fortalecerá a segurança das criptomoedas, e não a prejudicaráVeja mais notícias sobre Bitcoin. Siga o Livecoins no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.