Trump polarizou o 4 de Julho em comemoração dos 250 anos dos EUA? Entenda

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Os Estados Unidos celebram os 250 anos da independência em meio a um cenário de intensa polarização política.A capital Washington foi palco de demonstrações de força militar, com sobrevoos de caças da Força Aérea Americana, e de uma série de eventos organizados sob a marca de Donald Trump, gerando reações opostas entre a população.A correspondente Mariana Janjácomo, que acompanha as comemorações diretamente de Washington, descreveu a atmosfera na cidade como marcada pelo barulho ensurdecedor das aeronaves militares.“O exército está fazendo uma série de voos aqui em Washington para mostrar os caças em comemoração aos 250 anos da independência dos Estados Unidos. É um barulho muito alto e é até difícil de ver os caças, porque eles são tão rápidos, mas a gente ouve o barulho e dá a impressão de que o prédio está tremendo”, relatou. Leia Mais Análise: Trump está perdendo o controle sobre seu grupo mais importante Atlas: 62,8% acham que as políticas de Trump pioraram a economia dos EUA Waack: Voto na América do Sul reflete rejeição a governantes Críticas à apropriação da dataA correspondente também destacou que as comemorações deste ano estão sendo organizadas por uma associação chamada Freedom to 250 — em português, Liberdade 250 —, ligada às celebrações promovidas por Trump.Na mesma semana, democratas da Câmara dos Deputados divulgaram um relatório acusando Trump de se beneficiar financeiramente por meio dessa organização, responsável por coordenar não apenas os eventos do feriado, mas também os que o antecederam.Entre eles estão uma luta de UFC realizada na Casa Branca e a reforma do espelho d’água do National Mall, que gerou polêmica ao apresentar problemas como formação de algas e descascamento da pintura após ser tingido na cor azul da bandeira americana.“Trump disse que foi uma ação de vândalos. Fato é que o espelho d’água não é o espelho d’água que a gente costumava ver, o tradicional, o histórico”, afirmou Mariana.A polarização se manifesta também no comportamento dos cidadãos.Segundo a correspondente, algumas pessoas afirmaram querer comemorar o 4 de Julho sem que isso fosse interpretado como apoio a Trump, enquanto outras compareceram aos eventos usando bonés do movimento MAGA (Make America Great Again).“É uma polarização do país que fica ainda mais evidente nessa data tão importante”, disse Mariana.O que une — e o que divide — os americanosO analista Lourival Sant’Anna avaliou que a divisão atual entre os americanos é mais profunda do que as divergências históricas entre os dois grandes partidos.Segundo ele, o debate clássico entre democratas e republicanos — sobre o papel do Estado, o empreendedorismo e a iniciativa privada, nunca impediu que os americanos compartilhassem a sensação de um destino comum.“Isso era uma divisão natural que não prejudicava a sensação de ter um destino comum e de que todos eram americanos”, explicou.Para Sant’Anna, essa coesão foi sendo corroída ao longo das últimas três décadas, a partir do momento em que o debate político se deslocou das questões econômicas para as culturais e morais, gerando uma radicalização progressiva dos dois partidos.“Os pilares da coesão social e política dos Estados Unidos perderam muito a força. Não vou dizer que eles não existem mais, ainda existe isso sim, mas perdeu muito a força”, afirmou.Ele também destacou o que classificou como um “aumento exponencial do poder presidencial”, em contradição com o espírito da independência americana e da Constituição, que foram concebidas justamente para evitar a concentração de poder.O analista Américo Martins, por sua vez, reconheceu que os Estados Unidos continuam sendo um país admirável e influente, mas ressaltou que suas imperfeições estão se tornando cada vez mais visíveis.“É um país que tem suas imperfeições, essas imperfeições estão ficando, infelizmente, cada vez mais claras”, disse. Ele citou preocupações com o enfraquecimento da separação dos poderes e o risco de o país se transformar em uma oligarquia dominada por bilionários com crescente poder político — uma avaliação que, segundo ele, já havia sido expressa publicamente por Joe Biden ao deixar a Casa Branca.