Investidor diz que só banca startups com equipe no escritório 6 dias por semana

Wait 5 sec.

Por anos, líderes empresariais de Jamie Dimon a Elon Musk disseram que a IA poderia gerar semanas de trabalho mais curtas — ou até um futuro em que as pessoas nem precisassem trabalhar. Mas um conhecido empreendedor de tecnologia acredita no oposto para times que querem vencer.À medida que a IA permite que startups façam mais com menos gente, Jason Lemkin, fundador da comunidade de software SaaStr, disse que as empresas que vão sair na frente não estarão colaborando pelo Zoom — estarão no escritório aos sábados.“Eu quero times pequenos, bem pagos, trabalhando no escritório seis dias por semana”, disse Lemkin no mês passado, em um episódio semanal de notícias do podcast “20VC”. “Não tenho interesse em investir em outra coisa — simplesmente não tenho. E não é por falta de empatia, mas porque essas empresas vão fracassar.”As declarações de Lemkin vieram durante uma discussão sobre o futuro do trabalho, provocada por um momento viral de Ryan Petersen, CEO da empresa de gestão de cadeia de suprimentos Flexport, que argumentou que o trabalho remoto equivale a uma “fraude de colarinho branco”, porque os funcionários simplesmente não são tão produtivos em casa quanto no escritório.Petersen citou a própria experiência, dizendo que os dias de trabalho são interrompidos com frequência quando as crianças voltam da escola.Embora Lemkin reconheça que as empresas fizeram o modelo remoto funcionar durante a pandemia — e que alguns funcionários ainda possam manter a produtividade trabalhando só de 15 a 20 horas por semana —, ele acredita que essa era praticamente acabou.“As empresas nas quais queremos investir — e esse é um grupo bem restrito dentro do universo total — não estão contratando gente que quer trabalhar 20 horas por semana de casa”, afirmou Lemkin.“Escolham, rapazes”: Lemkin diz que é possível ganhar oito dígitos trabalhando seis dias por semana — ou US$ 180 mil com flexibilidade, mas não os doisConvencer funcionários a estar no escritório seis dias por semana — ou mesmo cinco — pode ser uma batalha difícil. O trabalho 100% presencial é o modelo preferido de apenas 4% dos millennials, segundo uma pesquisa recente da Gallup. Mesmo entre os baby boomers, geração mais inclinada ao trabalho presencial, só 10% preferem estar no escritório em tempo integral. O modelo híbrido segue como favorito, com ampla vantagem, em todas as gerações.Mas Lemkin argumenta que o debate não é realmente sobre equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Na visão dele, trata-se de ambição — e de saber se os funcionários estão dispostos a fazer os sacrifícios necessários para construir uma empresa fora da curva na era da IA. Com novos modelos e ferramentas surgindo quase toda semana, as startups têm pouco espaço para desacelerar. As empresas que vão se destacar serão aquelas com times pequenos, muito bem pagos, iterando e colaborando o tempo todo — e não com funcionários trabalhando poucas horas por semana de casa.“Hoje, é assim que se constrói um vencedor”, disse Lemkin. “Você não consegue vencer no seu mercado se as pessoas estão trabalhando 20 horas por semana. Não consegue.”Segundo ele, essa diferença pode ter implicações financeiras relevantes.“Você não vai ganhar US$ 10 milhões trabalhando 18 horas por semana. Você vai ganhar um relógio — um Omega”, disse Lemkin. “O que você quer: um Omega ou ficar rico? Façam sua escolha, rapazes.”Funcionários dispostos a abraçar o ritmo de startups de alto crescimento — as melhores, segundo ele, com cafeterias abertas 24 horas por dia, sete dias por semana — têm a chance de ganhar na casa dos US$ 100 milhões, enquanto aqueles que buscam horários mais previsíveis talvez se encaixem melhor em empresas já estabelecidas.“Não quero investir em ninguém que esteja no meio do caminho. Não posso me dar ao luxo de investir em quem quer relógios”, acrescentou. “Aproveitem seu Rolex de US$ 12 mil ou seu Omega de US$ 8 mil. Espero que isso tenha significado para vocês.”A Fortune procurou Lemkin para comentários adicionais.De startups do Vale do Silício a gigantes de tecnologia da Fortune 500, a IA está elevando a régua da carga horária esperadaLemkin não está sozinho ao dizer que a corrida da IA está remodelando as expectativas para startups.No ano passado, foi divulgado que muitas startups da região da baía de San Francisco passaram a adotar modelos de trabalho parecidos com a famosa escala chinesa “996”, na qual os funcionários trabalham das 9h às 21h, seis dias por semana, totalizando 72 horas semanais.Harry Stebbings, fundador do fundo 20VC, disse no LinkedIn no ano passado que o Vale do Silício de fato “aumentou a intensidade” da cultura de trabalho na era da IA e que fundadores europeus precisavam prestar atenção.“Sete dias por semana é a velocidade necessária para vencer agora. Não há espaço para erro”, escreveu Stebbings. “Você não está competindo com uma empresa qualquer da Alemanha etc., mas com os melhores do mundo.”E não são só as startups que estão sentindo essa pressão.O cofundador do Google, Sergey Brin, teria pedido aos funcionários que trabalham nos modelos de IA Gemini que passassem pelo menos todos os dias úteis no escritório, dizendo a eles que algo em torno de 60 horas por semana representava o “ponto ideal” de produtividade. Quem não aproveitasse esse momento, alertou ele, corria o risco de desacelerar toda a equipe.“Há várias pessoas trabalhando menos de 60 horas, e um pequeno número faz apenas o mínimo para ir levando”, escreveu Brin no ano passado, segundo o The New York Times. “Esse último grupo não só é improdutivo, como também pode ser altamente desmoralizante para todos os demais.”Esta reportagem foi publicada originalmente em Fortune.com.The post Investidor diz que só banca startups com equipe no escritório 6 dias por semana appeared first on InfoMoney.