O mercado de talento tecnológico está a mudar e as empresas já não procuram apenas perfis digitais generalistas. A procura concentra-se cada vez mais em competências técnicas altamente especializadas, capazes de acelerar projetos de transformação digital, automação, dados e inteligência artificial.A conclusão surge de dados da Shakers, plataforma europeia que liga empresas a talento independente, cuja rede reúne 14.000 profissionais certificados. Segundo a análise, 28% dos especialistas pertencem à área de engenharia e desenvolvimento de software, tornando esta a competência mais representada e uma das mais procuradas pelas empresas tecnológicas. IA e machine learning ganham pesoDepois da engenharia de software, seguem-se o design de produto, com 17%, e a inteligência artificial e machine learning, que já representam 16% da rede de talento da Shakers. A área de data e analytics surge com a mesma expressão, também com 16%, enquanto cloud e DevOps concentram 15% dos profissionais.Em conjunto, estes cinco domínios representam mais de 90% da composição da rede, mostrando que a procura das empresas está cada vez mais alinhada com áreas críticas da economia digital.O peso da IA e do machine learning ganha especial relevância no contexto europeu. Muitas organizações já definiram estratégias ambiciosas de adoção de inteligência artificial, mas enfrentam dificuldades em encontrar talento especializado para as executar. Trabalho híbrido domina entre profissionais independentesApesar da associação frequente entre talento tecnológico e trabalho totalmente remoto, os dados da Shakers mostram uma realidade mais equilibrada.A maioria dos profissionais independentes trabalha em modelo híbrido, enquanto apenas 11% opera em regime 100% remoto. Este dado confirma a consolidação de modelos flexíveis, mas também mostra que muitos projetos continuam a exigir alguma proximidade às equipas internas e aos clientes.Cada projeto desenvolvido através da plataforma tem uma duração média de seis a sete meses, refletindo a crescente utilização de especialistas externos para complementar equipas, acelerar entregas e responder a necessidades específicas de curto e médio prazo. Empresas têm estratégia, mas falta talento para executarPara Nico de Luis, cofundador e COO da Shakers, a escassez de competências é hoje um dos maiores obstáculos à implementação da inteligência artificial nas empresas.«As empresas europeias têm estratégias de IA, mas não têm quem as execute. A Shakers resolve isso em dias, não em meses. Portugal não é apenas mais um mercado para nós, mas uma peça central da nossa estratégia, com talento sénior qualificado e alinhado com as necessidades das empresas europeias.»A análise mostra ainda que 85% destes profissionais trabalha com organizações de média e grande dimensão, sinalizando que a procura por talento independente é particularmente relevante entre empresas com projetos complexos e necessidades técnicas urgentes. Mais mulheres em áreas tecnológicas especializadasA rede da Shakers é composta por 60% de homens e 40% de mulheres, uma distribuição que revela uma presença feminina relevante em áreas altamente técnicas como inteligência artificial, análise de dados, desenvolvimento de produto e engenharia de software.Num setor ainda marcado por desequilíbrios de género, este dado mostra sinais positivos de maior diversidade em competências críticas para a transformação digital. Portugal como peça central no talento tecnológico europeuA Shakers posiciona Portugal como um mercado estratégico, pela disponibilidade de talento sénior, qualificado e alinhado com as necessidades das empresas europeias.Segundo a plataforma, o processo de correspondência entre projetos e profissionais pode ser feito em apenas 48 horas, respondendo à urgência das empresas que precisam de competências em software, IA, dados, cloud ou DevOps.O conteúdo Engenharia de software concentra quase um terço do talento tech, mas IA já representa 16% da procura aparece primeiro em Revista Líder.