As polícias Civil e Militar suspeitam que Hércules da Costa Siqueira, o Golias, tente deixar o país acompanhado da esposa e das filhas menores. Apontado como provável executor do atentado a tiros contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos, das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), da Polícia Militar paulista, ele está foragido desde que teve a prisão temporária decretada pela Justiça, nessa sexta-feira (3/7).O tenente baleado é irmão de Eloá Pimentel, jovem assassinada em 2008 após ser mantida em cárcere privado pelo ex-namorado, Lindemberg Alves, por mais de 100 horas.A suspeita de fuga ganhou força depois que câmeras de segurança registraram Hércules usando boné e máscara, ao lado da mulher, Cláudia Ferreira Ramos, e das crianças, durante um deslocamento por Taubaté, no interior de São Paulo. O grupo seguiria em direção à Baixada Santista, de acordo com a polícia (assista abaixo). Os investigadores trabalham para impedir que o suspeito deixe o estado e, eventualmente, atravesse a fronteira brasileira.Apoio durante a fugaPoliciais envolvidos nas buscas desconfiam que Hércules e a família tenham recebido auxílio do pai e da madrasta de Cláudia. O casal e as crianças teriam permanecido escondidos entre a noite de domingo (26/7) e a madrugada de segunda-feira (27/7), antes de retomarem a viagem.A polícia também apura se Cláudia participa diretamente da fuga do marido. Há informações de que ela teria mudado a aparência, pintando o cabelo de preto, numa possível tentativa de dificultar sua identificação.Hércules está foragido desde sexta-feira, quando a Justiça acatou pedido da Polícia Civil, feito no dia anterior, e decretou sua prisão temporária, por 30 dias, diante dos indícios de participação no ataque ao oficial da Rota, pertencente ao Batalhão de Choque da corporação.7 imagensFechar modal.1 de 7Golias é o principal suspeito de atirar contra tenente da Rota Reprodução/SSP2 de 7Ronickson Pimentel, tenente da Rota baleado na cabeça, e a esposa, Cintia PimentelReprodução/ Instagram3 de 7Golias durante fuga, acompanhando da esposa e duas filhas, além de um homem Reprodução/SSP4 de 7Ronickson Pimentel dos Santos, tenente da Rota baleado. Irmão de Eloá Pimentel Polícia Militar/Reprodução5 de 7Publicação da esposa de Ronickson Pimentel, tenente da Rota baleado na cabeçaReprodução/ Instagram6 de 7Eloá Pimentel (à esquerda) foi morta em 2008 pelo ex-namorado Lindemberg Alves. O irmão da jovem, o tenente Ronickson Pimentel (à direita) ingressou na Polícia Militar em 2009, um ano depois do caso que chocou o país. Divulgação.7 de 7Reprodução/SSPPassagem por pousadaO último possível ponto de passagem do grupo identificado pelas forças de segurança é uma pousada em Peruíbe, no litoral sul paulista, ligada a Elenilson Misael da Silva, de 47 anos, conhecido como Galego. Natural do Nordeste, ele não tinha antecedentes criminais registrados na Polícia Civil de São Paulo, como consta em sua folha de antecedentes, obtida pelo Metrópoles.Elenilson morreu durante um suposto confronto com equipes da Rota, na quinta-feira, após ser localizado dentro de uma caminhonete GM Montana prata. Leia também São PauloFerido na cabeça, tenente Pimentel está em estado “gravíssimo”, diz PM CelebridadesQuem era Eloá Pimentel, irmã de tenente da Rota baleado em São Paulo São PauloTenente da Rota baleado na cabeça é irmão de Eloá Pimentel São PauloTenente da Rota irmão de Eloá segue estável: “Lutando bravamente” Segundo o boletim de ocorrência elaborado pela PM, uma denúncia anônima indicava que ele poderia estar envolvido no atentado contra o tenente Pimentel. Ainda conforme o registro, Elenilson teria supostamente reagido à abordagem dos policiais.Núcleo criminosoA principal linha de investigação aponta que Hércules e Elenilson poderiam integrar o mesmo núcleo criminoso ligado ao atentado.Os dois são investigados por possíveis atuações na preparação, na logística, na fuga e no apoio aos envolvidos no ataque.A decisão que determinou a prisão de Hércules também autorizou buscas em endereços ligados ao suspeito e à quebra dos sigilos telefônico e telemático. A intenção é reconstruir os passos dos envolvidos antes e depois da tentativa de homicídio.Para a Justiça, há indícios de uma ação organizada, com divisão de tarefas, utilização de veículos de apoio e medidas destinadas a esconder provas.A prioridade das forças de segurança é encontrar Hércules, identificar quem estaria ajudando o foragido e evitar que ele consiga deixar São Paulo ou fugir do Brasil. O Metrópoles apurou que ele conta com passagens por homicídio, tentativa de homicídio e por três roubos.Como foi o crimeTenente da Rota, Ronickson Pimentel dos Santos foi baleado na nuca enquanto aguardava em um semáforo da Avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na manhã do sábado (27/6).Imagens de câmeras de segurança mostram o PM de moto na avenida quando dois criminosos em outra motocicleta se aproximam (veja abaixo). O garupa aponta a arma para a cabeça do oficial e atira à queima-roupa. Eles fogem em seguida.As autoridades não deram detalhes sobre as possíveis motivações do crime e disseram que nenhuma hipótese foi descartada. Segundo a investigação, o ataque foi premeditado. Outras câmeras de segurança flagraram os suspeitos acompanhando a movimentação do tenente Pimentel pouco antes do crime.